

Estados Unidos concluem investigação contra o Brasil e propõem tarifa de 25% sobre mercadorias nacionais, com algumas exceções | Foto: Ricardo Stuckert/PR
02 de junho de 2026 – Os Estados Unidos concluíram investigação comercial contra o Brasil e propuseram a aplicação de tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras. A medida foi apresentada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que acusa o governo brasileiro de adotar práticas consideradas “irrazoáveis” e prejudiciais ao comércio norte-americano.
O relatório cita temas como Pix, comércio digital, desmatamento ilegal, acesso ao mercado de etanol, propriedade intelectual e combate à corrupção. A investigação foi aberta em 15 de julho de 2025, por determinação do presidente Donald Trump, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 dos Estados Unidos.
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Antes da aplicação definitiva de qualquer sanção, o governo norte-americano abriu um cronograma de audiências e consultas públicas para ouvir interessados e receber manifestações sobre as medidas propostas.
O prazo para envio de pedidos de participação na audiência pública vai até 22 de junho. Comentários por escrito poderão ser apresentados até 1º de julho. A audiência oficial está marcada para 6 de julho, e o prazo legal para definição e aplicação das medidas corretivas termina em 15 de julho de 2026.
Durante a fase inicial da investigação, o USTR informou ter colhido depoimentos de mais de 30 testemunhas e recebido mais de 295 comentários e réplicas antes de emitir o parecer.
O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que houve diálogo com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas que ainda persistem divergências substanciais.
“Ao longo do último ano, o Presidente Trump e eu tivemos várias reuniões construtivas com o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o seu gabinete, que se intensificaram nas últimas semanas. Contudo, continuamos a ter divergências substanciais na resolução das questões identificadas nesta investigação”, afirmou Greer.
A conclusão do processo ocorre dentro do prazo de negociações do grupo de trabalho criado pelos governos dos dois países para tratar de temas comerciais e tentar evitar novas tarifas.
Embora o USTR proponha tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras, o documento prevê exceções para alguns produtos.
Entre os itens que podem ficar fora da sobretaxa estão materiais informativos, doações, carnes, frutas, café, chá, especiarias, cereais, sementes, frutos oleaginosos, plantas industriais e medicinais, palhas e forragens.
Aeronaves e peças de aeronaves brasileiras, terras raras, produtos químicos orgânicos, produtos farmacêuticos e fertilizantes também aparecem na lista de possíveis isenções.
O relatório final do USTR concentra as críticas em seis eixos principais. No comércio digital e serviços de pagamento, os Estados Unidos questionam decisões judiciais brasileiras envolvendo empresas de mídia social e apontam suposto favorecimento do Banco Central ao Pix em detrimento de provedores norte-americanos.
O documento também contesta acordos comerciais do Brasil com México e Índia, alegando tarifas preferenciais consideradas desleais. Na área ambiental, afirma que o Brasil falha historicamente na aplicação de regras contra o desmatamento ilegal.
No setor de etanol, o governo norte-americano argumenta que o Brasil deixou de oferecer tratamento recíproco às exportações do combustível vindas dos EUA. Já em propriedade intelectual, o relatório aponta demora na análise de patentes pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), especialmente no setor biofarmacêutico, além de falhas no combate à pirataria e à falsificação.
No eixo anticorrupção, o USTR cita a anulação de processos da Operação Lava Jato pelo Supremo Tribunal Federal em 2023, renegociações de acordos de leniência consideradas sem transparência e a queda do Brasil no Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional.
A medida frustra a expectativa do governo brasileiro de avançar em uma nova conversa entre Lula e Trump para evitar retaliações financeiras e impactos econômicos. O grupo de trabalho bilateral foi criado após encontro entre os presidentes, em 7 de maio, na Casa Branca.
A nova ameaça tarifária ocorre em um contexto de maior tensão nas relações entre Brasil e Estados Unidos, envolvendo comércio, regulação digital, segurança, soberania e disputas políticas internacionais.
A Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 permite que os Estados Unidos investiguem práticas comerciais estrangeiras consideradas abusivas e adotem medidas corretivas, como tarifas e sanções. O mesmo instrumento já foi utilizado por Trump contra produtos chineses em sua política comercial anterior.
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