

Pesquisa nacional mostra que mais da metade das brasileiras já sofreu algum tipo de violência praticada por parceiro ou ex-parceiro. | Foto: Freepik
30 de julho de 2026 – Mais da metade das brasileiras (54%) que já tiveram relacionamento com homens afirma ter sofrido algum tipo de violência praticada por parceiro ou ex-parceiro. Em contrapartida, apenas 11% dos homens que já se relacionaram com mulheres admitem ter cometido agressões.
Os dados fazem parte da pesquisa 20 anos da Lei Maria da Penha: percepção da sociedade brasileira, realizada pelo Instituto Patrícia Galvão e pelo Instituto Locomotiva, com apoio da Uber. O levantamento foi divulgado nesta quarta-feira (29) e ouviu 1,5 mil pessoas com 16 anos ou mais, em todas as regiões do Brasil, durante o mês de abril de 2026.
O estudo apresenta um panorama sobre a percepção da sociedade brasileira em relação à violência doméstica e familiar, duas décadas após a criação da Lei Maria da Penha.
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Segundo a diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, Vera Vieira, os números demonstram que a violência contra a mulher continua sendo um grave problema no país.
“A violência contra a mulher no Brasil segue em patamares alarmantes e crescentes: em 2025, a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 registrou mais de 1 milhão de atendimentos, um aumento de 45% em relação ao ano anterior, e 155 mil denúncias de violência, o que equivale a 425 casos por dia”, afirma Vera Vieira.
De acordo com a pesquisadora, os dados evidenciam a persistência das violências física, psicológica, sexual e patrimonial dentro do ambiente doméstico, além dos desafios para garantir proteção efetiva às vítimas, mesmo após duas décadas da Lei Maria da Penha.
Entre os principais obstáculos para que mulheres denunciem casos de violência estão a sensação de impunidade, apontada por 56% das entrevistadas, e a lentidão da Justiça, citada por 39%.
A pesquisa mostra que a violência psicológica é a modalidade mais frequentemente vivenciada pelas mulheres. Ao todo, 42% das entrevistadas disseram ter sofrido esse tipo de agressão, enquanto 25% relataram violência física.
Além disso:
Quando presenciam uma situação de violência, as mulheres afirmam, em maior proporção, que acionariam a polícia ou outros órgãos competentes. Já os homens relatam com mais frequência que fariam uma intervenção direta.
A pesquisa também avaliou a percepção da população sobre a Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006 e considerada um dos principais instrumentos legais de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher no Brasil.
Segundo a diretora de pesquisa do Instituto Locomotiva, Maíra Saruê, a legislação é amplamente reconhecida, mas ainda não é vista como suficiente para resolver o problema.
“Os dados mostram a Lei Maria da Penha como um mecanismo consolidado e reconhecido pela sociedade como essencial na proteção das mulheres. No entanto, o estudo também acende um alerta: a lei, isoladamente, não é vista como suficiente no enfrentamento à violência doméstica”, afirmou Maíra Saruê.
O levantamento aponta que praticamente toda a população conhece ou já ouviu falar da legislação. Entre as mulheres:
Além disso, 81% das entrevistadas consideram que, antes da criação da lei, havia maior omissão diante da violência e menor acolhimento às vítimas. Já 64% acreditam que as punições aos agressores eram mais brandas.
Embora 88% conheçam a previsão da lei para casos de violência física, apenas 46% sabem que a legislação também contempla a violência patrimonial. As medidas protetivas de urgência são conhecidas por 83% das mulheres, enquanto somente 38% conhecem as medidas voltadas à proteção patrimonial.
Para as entidades responsáveis pelo levantamento, os resultados indicam que a violência de gênero permanece como um problema estrutural e reforçam a necessidade de atuação integrada do Estado, aliada ao fortalecimento das políticas públicas de prevenção, acolhimento e proteção às mulheres.
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