

De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, aproximadamente 417 mil das 500 mil doses administradas foram destinadas a profissionais da atenção primária à saúde. | Foto: Ministério da Saúde
09 de junho de 2026 – O Ministério da Saúde informou que os três casos graves investigados após a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan ocorreram entre profissionais da atenção primária à saúde. Os episódios incluem duas mortes e uma paciente que precisou ser internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas se recuperou posteriormente.
Segundo a pasta, ainda não existem evidências suficientes para estabelecer uma relação de causa e efeito entre a vacinação e os casos registrados. As ocorrências fazem parte de um total de 42 eventos adversos graves identificados após cerca de 500 mil doses aplicadas em todo o país.
A situação levou o governo federal a suspender temporariamente a estratégia de vacinação para aprofundar as investigações.
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De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, aproximadamente 417 mil das 500 mil doses administradas foram destinadas a profissionais da atenção primária à saúde.
O grupo contempla agentes comunitários de saúde, médicos de família, enfermeiros e integrantes das equipes de Saúde da Família, considerados mais vulneráveis à exposição ao vírus devido ao contato direto com a população.
“Nós temos profissionais de todo o Brasil que receberam a maior parte dessas 500 mil doses. A grande maioria das doses foi destinada a esses profissionais, que estão protegidos contra a dengue”, afirmou o ministro Alexandre Padilha.
Além dos trabalhadores da saúde, o Ministério da Saúde promoveu campanhas de vacinação em massa nos municípios de Botucatu (SP), Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e na região de Araguaína, no Tocantins.
Nessas localidades, pessoas com idade entre 15 e 59 anos foram convocadas para receber o imunizante. Ao todo, cerca de 83 mil doses foram aplicadas nessas áreas.
Segundo o Ministério da Saúde, embora parte dos 42 eventos adversos graves tenha sido registrada em localidades que participaram da vacinação ampliada, os três casos de maior gravidade não ocorreram nesses municípios.
“Dos três casos graves que levaram à internação, nenhum deles é das cidades da estratégia ampliada. Ocorreram na estratégia de vacinação dos profissionais da atenção primária à saúde”, declarou Alexandre Padilha.
O ministro também destacou que nenhum dos dois óbitos investigados foi registrado nos municípios ou regiões contemplados pela vacinação em massa.
“Não são nem das três cidades de vacinação ampla nem da região de Tocantins. Dessas quatro regiões, não tivemos nenhum caso de óbito com relação temporal à vacina”, acrescentou.
De acordo com o governo federal, as regiões que participaram da vacinação ampliada também não apresentaram a mesma proporção de reações adversas graves observada no conjunto nacional de vacinados.
Informações divulgadas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) apontam que um dos casos envolveu uma mulher de 39 anos que apresentou febre, dores musculares e náuseas seis dias após receber a vacina. Ela evoluiu para um quadro compatível com dengue grave, necessitou de internação em terapia intensiva e recebeu alta posteriormente.
Outro caso foi registrado em uma mulher de 48 anos, que desenvolveu sintomas de dengue grave com comprometimento neurológico 19 dias após a vacinação. Ela não resistiu às complicações e morreu.
O terceiro caso envolveu um homem de 58 anos, que apresentou sintomas cinco dias após a aplicação do imunizante e evoluiu rapidamente para um quadro grave, resultando em óbito.
Todos os episódios foram analisados pelo Comitê Interinstitucional de Farmacovigilância de Vacinas e Outros Imunobiológicos (CIFAVI).
O Ministério da Saúde ressaltou que a suspensão temporária da vacinação tem caráter preventivo e visa garantir a segurança da população enquanto as investigações são aprofundadas.
As análises contam com a participação do Ministério da Saúde, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Instituto Butantan, especialistas independentes e órgãos estaduais e municipais de vigilância sanitária.
Os trabalhos incluem avaliação do histórico clínico dos pacientes, possíveis fatores de risco em comum, armazenamento e aplicação das doses, além de outras hipóteses que possam explicar os eventos registrados.
Até o momento, a pasta reforça que não existem elementos suficientes para confirmar uma relação causal entre a vacina e os dois óbitos investigados.
Em nota oficial, o Instituto Butantan informou que a interrupção temporária da vacinação segue orientação do Ministério da Saúde e da Anvisa e tem caráter preventivo.
“O Instituto Butantan informa que, seguindo orientação do Ministério da Saúde e da Anvisa, a vacinação contra a dengue será, de maneira preventiva, temporariamente interrompida para reavaliação da estratégia vacinal”, destacou a instituição.
O instituto afirmou ainda que os três casos com sinais de gravidade ocorreram em um universo de aproximadamente 500 mil vacinados e que ainda não há confirmação de vínculo entre os eventos e a vacina.
“O Instituto Butantan mantém seu compromisso e rigor absoluto com a ciência e a saúde da população e irá seguir trabalhando para apoiar o Ministério da Saúde e a Anvisa”, informou a entidade.
Segundo o Butantan, estudos publicados em revista científica internacional apontaram eficácia global de 79,6% contra a dengue e de 89% contra casos graves da doença.
A instituição também destacou que os municípios de Botucatu, Maranguape e Nova Lima apresentaram resultados positivos no acompanhamento de farmacovigilância, sem registros relevantes de reações adversas graves na população vacinada.
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