

Palácio Senador Alencar, sede da Assembleia Legislativa entre 1871 a 1977. Hoje o prédio localizado na rua São Paulo abriga a sede do Museu do Ceará | Foto: Arquivo/Malce
07 de abril de 2026 – A Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) completa, nesta terça-feira (7), 191 anos de atuação como uma das principais instituições responsáveis pela construção política, legislativa e social do Estado.
Criada em 1835, ainda no período imperial, a Casa atravessou diferentes momentos históricos e consolidou-se como espaço fundamental para o debate público, elaboração de leis e representação da população cearense.
O presidente da Alece, deputado Romeu Aldigueri, destacou a importância da trajetória da instituição. “Um parlamento com história de 191 anos significa tradição e transformação. Uma busca constante para evoluir, para entender as necessidades do tempo presente e entregar à sociedade a tradução, em forma de trabalho, de um povo que se adapta aos novos desafios. Somos democracia, somos esperança, somos aprendizagens. Todos os dias”, afirmou.
>>>SIGA O YOUTUBE DO PORTAL TERRA DA LUZ <<<

A criação da Alece está diretamente ligada às transformações políticas do Brasil no século XIX, especialmente após a Constituição de 1824 e o Ato Adicional de 1834, que ampliaram a autonomia das províncias.
Segundo o historiador Mateus Django, curador do Memorial Deputado Pontes Neto, os primeiros órgãos legislativos eram subordinados ao poder imperial. “Esses Conselhos Provinciais estavam abaixo do Poder Moderador, onde todo o poder político se centralizava na mão do imperador. Então, essas decisões poderiam ser retificadas ou suspensas”, explicou.
Ele destaca que a criação das assembleias legislativas marcou uma mudança significativa. “Em 1834, vamos ter o Ato Adicional, que vai estabelecer as Assembleias Legislativas Provinciais e, dentre elas, vai surgir a Assembleia Legislativa da Província do Ceará. Então, a partir desse processo, em 1835 se dá início aos trabalhos da Assembleia”, afirmou.
Nos primeiros anos, a participação política era restrita. “Para poder fazer parte, era preciso ser homem branco, letrado, ter 25 anos ou mais e possuir uma renda mínima. Então, quem decidia as leis eram essas elites”, pontuou o historiador.
Ao longo de quase dois séculos, a Alece acumulou marcos importantes, incluindo debates sobre a abolição da escravidão no Ceará e a elaboração da Constituição Estadual de 1947, que ampliou direitos após o Estado Novo.
A instituição também passou por diferentes sedes até se consolidar no atual edifício, onde funciona desde 1966, com o Plenário 13 de Maio inaugurado em 1977.
Outro avanço destacado é a ampliação da participação popular. “O fato de a Assembleia estar aberta, nessa busca de aproximar a população da própria Casa Legislativa, com a expansão de seus serviços e esse processo de escuta dos deputados, é extremamente importante”, avaliou Mateus Django.
A preservação da história política do Ceará também é uma prioridade da Alece, por meio do Memorial Deputado Pontes Neto.
“O memorial tem como papel não só preservar a memória da política do Ceará, mas também construir cidadania e consciência política”, destacou o historiador.
Entre as ações, o programa educativo O Parlamento e sua História aproxima estudantes do funcionamento do Legislativo. “Levar a possibilidade de um aluno conhecer como funciona a Casa, conhecer deputados e entender o debate político é fundamental para formar consciência política nas novas gerações”, completou.
Leia também | Ivo Gomes assume cargo no BNDES
Tags: alece 191 anos, assembleia legislativa do ceará, política cearense, história do ceará, parlamento cearense, democracia no brasil, constituição de 1824, ato adicional de 1834, memória política, cidadania, participação popular, plenário 13 de maio, memorial deputado pontes neto, história política ceará, portal terra da luz