

Polícia Federal apura relação entre encontros de Cláudio Castro e Daniel Vorcaro e aportes bilionários do Rioprevidência no Banco Master | Fotos: reprodução
27 de maio de 2026 – A investigação da Polícia Federal aponta uma “elevada coincidência temporal” entre encontros do então governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), com o banqueiro Daniel Vorcaro, e a liberação de aportes bilionários do Rioprevidência no Banco Master.
A apuração consta em decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou nova fase da Operação Compliance Zero. Segundo o documento, os investigadores identificaram “sincronismo entre encontros mantidos entre ambos e os aportes financeiros subsequentes do RPPS”.
De acordo com a Polícia Federal, a relação entre Castro e Vorcaro “não se limitou a contatos institucionais”, mas teria envolvido “vínculo pessoal estreito”, com encontros frequentes, inclusive “em ambientes privados e no exterior”, supostamente custeados pelo banqueiro.
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Os investigadores sustentam que o relacionamento teria garantido o “alinhamento político necessário” para a liberação dos aportes e influenciado mudanças internas no Rioprevidência.
O Rioprevidência é o fundo responsável pelo pagamento das aposentadorias e pensões dos servidores estaduais do Rio de Janeiro. O sistema atende cerca de 237 mil aposentados e pensionistas civis e militares do estado e administra uma das maiores estruturas previdenciárias do país.
Segundo a PF, a cúpula do fundo foi alterada pouco antes do início das operações financeiras investigadas. A decisão judicial cita a nomeação estratégica de dirigentes para cargos-chave, como presidência, diretoria e gerência de investimentos.
De acordo com o documento, os novos gestores passaram a adotar decisões contrárias à política conservadora que, até então, orientava os investimentos do Rioprevidência.
A investigação menciona o credenciamento acelerado do Banco Master, ausência de análises técnicas estruturadas, falta de comparação com alternativas do mercado, avaliações de risco consideradas insuficientes e continuidade dos aportes mesmo após alertas de órgãos de controle.
Para a Polícia Federal, esses elementos indicam uma mudança relevante na forma como os recursos do fundo passaram a ser aplicados.
A decisão também descreve uma sequência considerada relevante pelos investigadores. O então diretor de investimentos do Rioprevidência, Eucherio Lerner Rodrigues, assumiu o cargo em 4 de outubro de 2023. No mesmo dia, o Banco Master teria solicitado credenciamento junto ao fundo.
Segundo a PF, a partir desse momento começaram os investimentos que agora são alvo da Operação Compliance Zero.
A Polícia Federal calcula que o Rioprevidência destinou R$ 3,69 bilhões ao Banco Master, somando aplicações em Letras Financeiras e fundos ligados ao grupo financeiro.
O documento afirma ainda que parte dos investimentos ocorreu depois do surgimento de obstáculos regulatórios para manter os aportes em Letras Financeiras.
A investigação sustenta que os recursos teriam migrado para fundos estruturados ligados ao banco, em uma tentativa de contornar restrições regulatórias.
Na decisão, o ministro André Mendonça afirmou haver “elevada probabilidade” de que os investigados integrem “um amplo, estável e bem estruturado esquema de corrupção e lavagem de dinheiro criado para o desvio de uma cifra bilionária do Rioprevidência”.
A Operação Compliance Zero segue em andamento, e as suspeitas ainda dependem da conclusão das investigações e da análise do Poder Judiciário. Até eventual decisão definitiva, os envolvidos são considerados investigados, sem condenação no caso.
A apuração aprofunda o debate sobre a governança de fundos previdenciários públicos, a segurança dos recursos destinados a aposentadorias e pensões e a necessidade de controles rigorosos sobre aplicações financeiras realizadas com dinheiro público.
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