

Lula deve ter cerca de um minuto a mais que Flávio Bolsonaro na propaganda eleitoral gratuita de televisão | Fotomontagem feita com auxílio de IA
06 de agosto de 2026 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deverá ter pelo menos um minuto a mais de propaganda eleitoral na televisão em relação ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu principal adversário na disputa presidencial.
A divisão do tempo tem como base a representatividade dos partidos na Câmara dos Deputados, conforme tabela divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
As propagandas eleitorais gratuitas serão exibidas entre 28 de agosto e 1º de outubro.
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De acordo com o cálculo, Lula terá vantagem por integrar a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV.
Além da federação, a candidatura do presidente terá apoio de PSB, PDT e da Federação PSOL-Rede.
Com essa composição, o petista deverá contar com aproximadamente 5 minutos e 32 segundos de tempo de televisão nos blocos de propaganda eleitoral.
Embora o PL seja o segundo partido com mais deputados federais eleitos, com 98 parlamentares, a candidatura de Flávio Bolsonaro não conseguiu formar alianças que aumentassem o tempo de TV.
Na última semana, a cúpula da federação formada por PP e União Brasil decidiu não apoiar nenhum palanque nacional.
Republicanos e Podemos também devem adotar posição de neutralidade.
Com isso, Flávio Bolsonaro deverá ter cerca de 4 minutos e 20 segundos de propaganda eleitoral gratuita.
O cenário atual é diferente do registrado em 2022.
Naquela eleição, o então presidente Jair Bolsonaro recebeu apoio formal de PP e Republicanos antes das convenções.
Sem o mesmo apoio formal dessas legendas, Flávio Bolsonaro entra na disputa com tempo menor que o de Lula, apesar de contar com o peso do PL na Câmara.
Ainda assim, a previsão é de que esse seja o maior tempo de propaganda eleitoral gratuita já destinado a uma candidatura da família Bolsonaro desde 2018.
O candidato do PSD, Ronaldo Caiado, deverá ter o terceiro maior tempo de televisão entre os presidenciáveis.
O ex-governador de Goiás não conta, até o momento, com apoio formal de outros partidos.
Mesmo assim, o PSD tem 42 deputados federais, ficando atrás apenas da Federação União-Progressista, que não tem candidato presidencial, do PT e do PL.
Com isso, Caiado deverá ter cerca de 2 minutos e 2 segundos na televisão.
Outro candidato com direito à propaganda gratuita será Augusto Cury, do Avante.
O partido tem sete deputados federais eleitos e deverá contar com aproximadamente 36 segundos de televisão.
Outros dois candidatos não atingiram o mínimo exigido pela cláusula de desempenho e, por isso, não terão acesso ao tempo de propaganda eleitoral gratuita.
O partido Novo, de Romeu Zema, possui cinco deputados federais e um senador eleitos.
Sem novas alianças que alterem esse quadro, Zema não terá direito ao tempo de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão.
Renan Santos, do Missão, também não deverá ter tempo de TV. O partido tem apenas um deputado federal eleito e não entra na divisão.
A distribuição do tempo de propaganda eleitoral gratuita considera a representação dos partidos na Câmara dos Deputados.
Do tempo total, 90% é distribuído proporcionalmente ao número de deputados federais eleitos em 2022.
Os 10% restantes são divididos igualmente entre os partidos que superaram a cláusula de desempenho.
Essa regra busca vincular o acesso à propaganda gratuita ao desempenho nacional dos partidos.
A cláusula de desempenho estabelece critérios mínimos para que os partidos tenham acesso a recursos do Fundo Partidário e ao tempo de propaganda no rádio e na televisão.
Na prática, a norma exige que as siglas tenham desempenho nacional, e não apenas regional.
Em 2022, 15 partidos não atingiram a cláusula.
Naquele ano, para superar a barreira, as legendas precisavam eleger ao menos 11 deputados federais distribuídos em pelo menos um terço das unidades da federação, ou obter ao menos 2% dos votos válidos, com mínimo de 1% em nove estados.
Para este ano, o critério exige 13 deputados federais eleitos em pelo menos um terço das unidades da federação, ou 2,5% dos votos válidos, com mínimo de 1,5% em nove estados.
Em 2026, a propaganda eleitoral gratuita será exibida em dois blocos de 12 minutos e 30 segundos, às terças-feiras, quintas-feiras e sábados, no rádio e na televisão.
Também serão veiculadas inserções de 30 e 60 segundos ao longo da programação.
Para isso, as emissoras deverão reservar 70 minutos diários.
Em 2018, Jair Bolsonaro teve apenas 8 segundos de tempo de televisão.
Naquele ano, Geraldo Alckmin, então candidato do PSDB, liderou o tempo de propaganda, com 5 minutos e 32 segundos. Fernando Haddad, candidato do PT, tinha 2 minutos e 23 segundos.
Lula havia sido registrado como candidato do PT, mas o TSE rejeitou a candidatura com base na Lei da Ficha Limpa, e Haddad teve o registro aceito somente em setembro, depois do início da campanha.
Em 2022, Bolsonaro ampliou o tempo de televisão, mas ainda ficou atrás de Lula. O petista teve 3 minutos e 23 segundos, enquanto o então presidente contou com 2 minutos e 45 segundos.
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