

Crise energética e aumento da tensão diplomática colocam Cuba novamente no centro das atenções dos Estados Unidos. | Foto: Divulgação/CIA
17 de maio de 2026 – Cuba voltou ao centro das tensões diplomáticas com os Estados Unidos após uma sequência de movimentos políticos, militares e econômicos envolvendo os dois países nas últimas semanas.
A crise energética enfrentada pela ilha caribenha se agravou desde o fim de janeiro, quando o governo norte-americano passou a ameaçar com represálias países que fornecessem petróleo a Havana. Desde então, apagões prolongados se tornaram rotina em diversas regiões cubanas.
Na capital Havana, moradores enfrentam cortes de energia que ultrapassam 19 horas por dia. Em algumas províncias, a falta de eletricidade dura dias inteiros, aumentando a insatisfação popular e provocando protestos.
Na quarta-feira (14), o governo cubano informou que as reservas de combustível da ilha “se esgotaram”, ampliando ainda mais a preocupação com a situação humanitária e econômica no país.
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a fazer declarações contundentes sobre Cuba. Em março, afirmou que seria uma “honra” assumir o controle da ilha caribenha.
“Eu realmente acho que seria uma honra para mim tomar Cuba. Seria ótimo. Uma grande honra. Eu posso libertá-la ou conquistá-la, acho que posso fazer o que quiser com ela”, declarou Trump durante conversa com jornalistas no Salão Oval da Casa Branca.
No início de maio, o republicano voltou a afirmar que os EUA poderiam “assumir” Cuba “quase imediatamente” após o encerramento da guerra contra o Irã.
Em resposta, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, afirmou que “nenhum agressor, por poderoso que seja, encontrará rendição em Cuba”.
Poucos dias depois, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, classificou a situação cubana como “inaceitável” e afirmou que Washington iria “resolver o problema”, sem detalhar quais medidas poderiam ser adotadas.
O governo cubano reagiu classificando as declarações dos Estados Unidos como “perigosas” e um possível “crime internacional”.
Segundo informações divulgadas pelo jornal The New York Times, agências militares e de inteligência dos EUA ampliaram os voos de vigilância próximos ao território cubano nos últimos meses.
A movimentação inclui aeronaves militares e drones de reconhecimento. Especialistas apontam que a estratégia busca aumentar a pressão psicológica e política sobre Havana.
De acordo com um funcionário militar ouvido pela publicação, o objetivo principal seria ampliar a pressão econômica e diplomática, e não preparar uma intervenção militar imediata.
A tensão aumentou ainda mais após o diretor da CIA, John Ratcliffe, se reunir em Havana com integrantes do Ministério do Interior cubano.
Durante o encontro, a agência americana informou ter transmitido uma mensagem do governo Trump demonstrando disposição para discutir temas econômicos e de segurança, desde que Cuba realize “mudanças fundamentais”.
Segundo a mídia estatal cubana Cubadebate, representantes dos dois países também demonstraram interesse em ampliar a cooperação entre agências de segurança e forças de aplicação da lei.
O Departamento de Estado dos EUA afirmou que está pronto para oferecer US$ 100 milhões em ajuda humanitária direta ao povo cubano, caso Havana autorize a medida.
Segundo Washington, os recursos poderiam ser distribuídos com apoio da Igreja Católica e de organizações humanitárias independentes.
Trump afirmou recentemente que Cuba estaria “pedindo ajuda” e declarou que o governo norte-americano pretende “conversar” com a ilha.
O presidente cubano respondeu dizendo que a maneira mais rápida de aliviar a crise seria o fim do embargo econômico imposto pelos EUA.
“Os danos poderiam ser aliviados de uma maneira mais fácil e rápida com o levantamento ou o afrouxamento do bloqueio”, escreveu Díaz-Canel em publicação na rede X.
O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, afirmou que Havana avalia aceitar a ajuda financeira desde que a distribuição seja feita por meio da Igreja Católica.
Outra medida que elevou a tensão foi a informação divulgada pela agência Reuters de que os Estados Unidos planejam apresentar acusações criminais contra o ex-presidente cubano Raúl Castro.
Segundo fontes do Departamento de Justiça norte-americano, o anúncio deve ocorrer em Miami na próxima quarta-feira (20).
Raúl Castro, de 94 anos, poderá responder por um caso envolvendo o abatimento de aeronaves de um grupo de exilados cubanos conhecido como “Irmãos ao Resgate”, ocorrido em 1996.
Na época, o governo cubano alegou que as aeronaves invadiram o espaço aéreo da ilha. Os Estados Unidos condenaram a ação e impuseram novas sanções ao país, mas nunca haviam apresentado acusações formais contra Raúl ou Fidel Castro.
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