

A entidade defendeu que a situação seja conduzida com “serenidade”, respeito aos ritos processuais e observância das garantias constitucionais. | Foto: José Cruz/Agência Brasil
09 de setembro de 2026 — A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), que representa cerca de 2,3 mil delegados da corporação, criticou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada. A manifestação ocorreu nesta terça-feira (8), após decisão liminar do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.
Segundo a entidade, o afastamento do comando da Polícia Federal, instituição permanente prevista na Constituição Federal, deveria ser analisado pelo plenário do STF, e não decidido de forma monocrática por um único ministro, ainda que a medida esteja sujeita a posterior referendo do colegiado.
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Em nota, a associação classificou o momento como uma “crise institucional grave” e afirmou que, em poucos dias, a Polícia Federal e sua direção passaram a ser alvo de procedimentos que podem afetar a estabilidade interna da corporação.
A entidade defendeu que a situação seja conduzida com “serenidade”, respeito aos ritos processuais e observância das garantias constitucionais.
Para a ADPF, a decisão de André Mendonça teria antecipado efeitos que, segundo a associação, deveriam estar vinculados à existência de procedimentos investigativos. A entidade destaca que não havia, até então, inquérito ou ação penal instaurados nem processo administrativo disciplinar contra os dois diretores afastados.
“A deliberação pelo colegiado pleno, nessas circunstâncias, é medida de preservação da autoridade do Tribunal, de garantia do devido processo legal e de prevenção da prática de atos passíveis de nulidade”, afirmou a associação.
A ADPF também aproveitou a manifestação para defender mudanças na forma de escolha e permanência do diretor-geral da Polícia Federal.
Para a associação, o país não pode permanecer submetido a sucessivas crises institucionais que colocam a PF no centro de disputas políticas. A entidade avalia que a atual estrutura deixa o comando da corporação excessivamente dependente da conjuntura política e das relações de confiança do momento.
A proposta defendida prevê que o presidente da República continue responsável pela escolha do diretor-geral, mas a partir de uma lista tríplice formada por eleição direta entre os delegados da Polícia Federal.
Segundo a ADPF, o modelo garantiria maior estabilidade ao dirigente e reduziria a influência de relações pessoais na condução da instituição.
A associação também defendeu a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 412/2009, que tramita no Congresso Nacional.
O texto prevê autonomia funcional, administrativa e orçamentária para a Polícia Federal. Para a entidade, a medida contribuiria para fortalecer a independência institucional da corporação e dar maior segurança à atuação dos delegados em investigações envolvendo autoridades públicas.
A ADPF afirma que o objetivo das mudanças é garantir que a Polícia Federal possa cumprir sua função constitucional com maior estabilidade e independência, sem ficar submetida às oscilações políticas de cada momento.
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Tags: Polícia Federal, PF, Andrei Rodrigues, André Mendonça, STF, ADPF, delegados federais, crise institucional, Polícia Federal afastamento, PEC 412/2009, Supremo Tribunal Federal, Leandro Almada, autonomia da PF, Portal Terra da Luz