

A integração entre Recursos Humanos e tecnologia pode ser decisiva para reduzir riscos de ataques cibernéticos. | Foto: divulgação
22 de agosto de 2026 – A segurança cibernética deixou de ser uma responsabilidade exclusiva dos departamentos de tecnologia e passou a fazer parte também da rotina dos setores de Recursos Humanos (RH). Em empresas que lidam diariamente com dados pessoais, informações contratuais, registros financeiros e documentos estratégicos, a gestão de pessoas pode ser decisiva para evitar invasões, vazamentos de informações e outros incidentes.
A atenção deve ser redobrada em momentos como admissão, movimentação interna e desligamento de funcionários. Nessas etapas, permissões de acesso, contas corporativas e arquivos sensíveis precisam ser monitorados para reduzir vulnerabilidades.
Um levantamento realizado por uma empresa global especializada em segurança cibernética nos últimos dois anos aponta que 26% dos ataques cibernéticos em empresas são provocados intencionalmente por funcionários. O erro humano acidental representa 38% dos incidentes, segundo o levantamento.
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Para Alberto Jorge, especialista em cibersegurança e CEO da Trust Control, a prevenção depende não apenas de ferramentas tecnológicas, mas também da integração entre pessoas, processos e sistemas.
“O RH é um dos primeiros filtros de segurança da empresa, porque gerencia o ciclo de vida de quem entra, circula e sai da organização. A falta de integração entre pessoas, processos e tecnologia amplia a exposição das companhias a ataques e incidentes internos. Sem política de acesso e cultura de proteção, o colaborador vira a principal superfície de ataque da companhia”, analisa.
A avaliação reforça a importância de estabelecer regras claras sobre os acessos concedidos aos funcionários, definindo quais sistemas e informações podem ser utilizados, em quais condições e durante quanto tempo.
A revisão periódica dessas permissões também é necessária para evitar o acúmulo de acessos que já não são compatíveis com as funções exercidas pelos colaboradores.
Entre as ameaças mais comuns estão o phishing, a engenharia social, o uso de senhas fracas, o compartilhamento inadequado de arquivos e o acesso a sistemas corporativos por dispositivos não autorizados.
O cenário se torna ainda mais complexo em empresas que adotam modelos de trabalho híbrido ou remoto. Com funcionários acessando sistemas fora do ambiente físico corporativo, a superfície de ataque aumenta e exige controles adicionais.
Nesse contexto, o comportamento dos colaboradores continua sendo um dos principais pontos de atenção para a segurança das organizações.
Segundo Alberto Jorge, a proteção das empresas precisa estar incorporada aos processos e à cultura organizacional.
“Cibersegurança não é só tecnologia; é disciplina operacional, processo e comportamento. Isso significa aplicar o princípio do menor privilégio, revisar acessos com frequência, reforçar políticas de confidencialidade, investir em treinamento contínuo e estabelecer rotinas de backup e resposta a incidentes”, alerta.
O princípio do menor privilégio consiste em garantir que cada funcionário tenha somente os acessos necessários para executar suas atividades. A estratégia reduz a possibilidade de exposição de dados e sistemas caso uma conta seja comprometida.
Treinamentos periódicos também ajudam os funcionários a reconhecer tentativas de fraude, mensagens suspeitas e outras técnicas utilizadas por criminosos para obter informações ou credenciais.
A integração entre RH e TI ganha importância ainda maior durante os processos de desligamento. O bloqueio tardio de credenciais pode permitir que ex-funcionários mantenham acesso indevido a sistemas, documentos e informações corporativas.
Para o CEO da Trust Control, a ausência de governança sobre os dados pode provocar impactos que vão além da área de tecnologia.
“Toda empresa que trata dados sem governança corre risco de parar operações, perder receita e comprometer sua reputação. Por isso, a integração entre RH e segurança da informação não é mais uma boa prática: tornou-se uma necessidade corporativa”, observa Alberto Jorge.
A adoção de processos integrados entre RH e TI, aliada a políticas de acesso, treinamento e monitoramento, pode reduzir riscos e fortalecer a capacidade das empresas de prevenir e responder a incidentes cibernéticos.
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