

Segundo levantamento do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), os planos coletivos cresceram 520% em 25 anos | Foto: Pixabay/Bru-nO
13 de setembro de 2025 — O mercado de planos de saúde no Brasil bateu recorde em 2024, alcançando 52,2 milhões de beneficiários. No entanto, apenas 16,5% dos usuários contam com planos individuais ou familiares — justamente os únicos regulados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Enquanto isso, os planos coletivos dominam o setor, representando quase 90% dos contratos, com reajustes mais altos e cancelamentos menos restritivos.
Segundo levantamento do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), os planos coletivos cresceram 520% em 25 anos, saltando de 6 milhões de beneficiários em 2000 para 37,6 milhões em 2025. Já os individuais seguem em queda: apenas no último ano, perderam 1,3% dos clientes.
As regras da ANS ajudam a explicar a retração. Nos planos individuais, o cancelamento só pode ocorrer por inadimplência superior a 60 dias ou fraude, além de terem reajustes limitados pela agência — em 2025, de 6,06%. Já os coletivos, em muitos casos, tiveram aumentos entre 15% e 20%.
“Para as operadoras, os planos individuais se tornam menos atrativos”, explica o advogado Columbano Feijó. Grandes empresas como Bradesco e SulAmérica já não oferecem esse tipo de contrato, restando poucas exceções, como Prevent Senior, Alice e Hapvida.
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Nos planos coletivos, os reajustes são negociados entre operadoras e contratantes, o que favorece a criação dos chamados “falsos coletivos”, em que indivíduos ou famílias contratam planos empresariais usando CNPJs. Segundo especialistas, em apenas três anos, a mensalidade pode dobrar.
Esse cenário tem ampliado o número de processos judiciais. “Muitos consumidores questionam reajustes abusivos e, na maioria dos casos, o Judiciário decide em favor do cliente, substituindo índices aplicados por operadoras pelas tabelas da ANS ou pela inflação”, afirma Feijó.
Pacientes em tratamento enfrentam riscos ainda maiores. “É possível que haja cancelamento unilateral no meio de um tratamento grave, como câncer. Por medo, muitos preferem pagar mais caro a recorrer à Justiça”, acrescenta o advogado.
A ANS afirma que não pode obrigar empresas a ofertar planos individuais, mas discute mudanças na Política de Preços e Reajustes, em consulta pública até outubro de 2025, para tentar estimular a modalidade.
Para entidades como o Idec, a solução passa por equilibrar regras. “É urgente limitar os reajustes dos coletivos e proibir cancelamentos unilaterais. A ANS tem poder legal para avançar nessa regulação”, afirma Marina Paullelli, coordenadora de saúde do instituto.
Especialistas alertam que, sem mudanças, o setor pode atingir um ponto de inflexão, com riscos de desequilíbrio econômico para operadoras, sobrecarga do SUS e redução do acesso à saúde para milhões de brasileiros.
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Tags: planos de saúde, ANS, saúde suplementar, planos individuais, planos coletivos, reajustes de planos de saúde, judicialização da saúde, operadoras de saúde, acesso à saúde, saúde no Brasil