

Professora em sala de aula durante atividade na rede pública; reajuste do piso do magistério reacende debate entre educadores e prefeitos | Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
22 de janeiro de 2026 — A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) celebrou o reajuste do piso salarial nacional do magistério para 2026, definido por medida provisória (MP) assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O novo valor passa a ser de R$ 5.130,63, válido para professores da educação básica da rede pública com jornada de 40 horas semanais.
O aumento de 5,4% representa ganho real de 1,5% acima da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de 2025, que foi de 3,9%. Para a CNTE, a decisão é resultado direto da mobilização da categoria e da luta histórica pela valorização do magistério.
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A presidente da CNTE, Fátima Silva, afirmou que o reajuste deve ser comemorado, mas ressaltou que o Brasil ainda figura entre os países que pior remuneram professores, segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
“Mesmo assim, a conquista de um piso com ganho real representa um avanço importante, fruto da mobilização da categoria e da luta permanente pela valorização da educação pública”, declarou a dirigente em nota oficial.
A entidade destacou ainda que o critério de reajuste foi debatido no Fórum Permanente do Piso, com base em previsibilidade e sustentabilidade orçamentária, e contou com concordância de representantes dos secretários estaduais e municipais de educação.
O piso salarial é o valor mínimo que deve ser pago aos professores no Brasil e tem recomposição anual obrigatória por lei. O cálculo considera a soma do INPC do ano anterior com 50% da média da variação da receita real do Fundeb nos cinco anos anteriores. A legislação também garante que o reajuste nunca seja inferior à inflação do período.
Responsáveis pelo pagamento dos salários na rede municipal, prefeitos reagiram ao anúncio. Em nota, o presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, classificou o reajuste como preocupante e estimou impacto de até R$ 8 bilhões nos cofres municipais.
Segundo a CNM, aumentos reais deveriam ser negociados localmente, de acordo com a capacidade fiscal de cada município e os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). A entidade também criticou o uso de medida provisória para tratar do tema.
A Frente Nacional de Prefeitos (FNP) também manifestou preocupação e defendeu que qualquer alteração no piso venha acompanhada de aporte financeiro da União, para evitar desequilíbrio fiscal nos estados e municípios.
Por se tratar de uma medida provisória, o reajuste entra em vigor imediatamente, mas ainda precisará ser analisado e aprovado pelo Congresso Nacional. A MP será publicada no Diário Oficial da União (DOU) nesta quinta-feira (22).
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