

Governo federal anuncia R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas afetadas por tarifas dos Estados Unidos e pela crise no Oriente Médio | Foto: reprodução
22 de julho de 2026 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, nesta quarta-feira (22), a liberação de R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas afetadas pelas tarifas adicionais de 25% aplicadas pelo governo dos Estados Unidos a produtos brasileiros vendidos no mercado americano.
A medida também alcança empresas impactadas pela guerra no Oriente Médio, especialmente setores que tiveram exportações prejudicadas pela instabilidade no Golfo Pérsico. O pacote foi chamado pelo governo federal de Brasil Soberano 3.
Segundo o governo, R$ 13,5 bilhões virão de recursos não utilizados no Brasil Soberano 1 e de renegociações de dívidas rurais. Outros R$ 5 bilhões serão disponibilizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
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O financiamento será destinado a empresas exportadoras afetadas pelas tarifas comerciais dos Estados Unidos, incluindo setores como aço, alumínio, automotivo, madeira, máquinas e outros segmentos atingidos pela nova taxação.
Também poderão ser contempladas empresas de setores industriais considerados estratégicos, como fertilizantes, farmacêutico, têxtil e minerais críticos.
O programa ainda prevê apoio a setores que tiveram exportações para o Golfo Pérsico prejudicadas pela guerra no Oriente Médio.
De acordo com o governo, as empresas que aderirem às linhas de crédito deverão cumprir regras específicas, como a manutenção de pelo menos parte dos empregos.
Além do anúncio do Brasil Soberano 3, Lula sancionou uma lei que liberou R$ 15 bilhões para o Brasil Soberano 2, ampliando o programa criado no ano passado como resposta ao primeiro tarifaço imposto pelos Estados Unidos.
A lei tem origem em uma medida provisória editada em março de 2026.
Com a ampliação, o governo busca oferecer fôlego financeiro a empresas exportadoras e fornecedores que enfrentam dificuldades diante da nova barreira comercial.
Outras medidas seguem em estudo e poderão ser implementadas caso as empresas relatem dificuldades crescentes para escoar produtos tarifados.
A tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros começou a valer nesta quarta-feira (22).
A medida é resultado de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável por formular a política comercial norte-americana.
O tarifaço atinge produtos brasileiros vendidos ao mercado americano e ocorre em meio a tensões nas negociações comerciais entre Brasília e Washington.
O anúncio do crédito foi feito um dia após o governo federal iniciar uma rodada de reuniões com representantes dos setores mais afetados.
As reuniões com o setor produtivo têm como objetivo ouvir demandas das empresas e discutir medidas para reduzir os impactos das tarifas sobre as exportações brasileiras.
Representantes dos segmentos atingidos têm defendido que o Brasil mantenha a via diplomática e evite medidas que possam ampliar os prejuízos econômicos.
A avaliação do governo é que o apoio financeiro pode ajudar empresas a atravessar o período de instabilidade enquanto as negociações continuam.
O governo também pretende acompanhar a evolução dos efeitos da tarifa sobre contratos, empregos, produção e competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional.
Além das tarifas americanas, o pacote também considera os impactos da guerra no Oriente Médio sobre o comércio exterior brasileiro.
A instabilidade prejudicou o transporte marítimo no Golfo Pérsico, região estratégica para o comércio internacional.
Uma das principais rotas de comércio de petróleo passava pelo Estreito de Ormuz, que foi fechado em meio aos conflitos envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel.
Com isso, setores que exportavam para a região também passaram a enfrentar dificuldades logísticas e comerciais.
Segundo avaliação de integrantes do governo brasileiro envolvidos nas conversas, as negociações com os Estados Unidos chegaram a registrar avanços no ano passado, após encontro entre Lula e o presidente americano Donald Trump, na Malásia.
No entanto, a partir do fim de maio e início de junho, representantes da Casa Branca teriam adotado posição considerada mais inflexível por negociadores brasileiros.
Entre os pontos classificados como “inegociáveis” pelo Brasil estavam mudanças no Pix e na legislação sobre minerais críticos, matérias-primas essenciais para setores como baterias, veículos elétricos, eletrônicos, energia e defesa.
Cerca de dez dias antes do anúncio do tarifaço, houve uma reunião técnica entre negociadores dos dois países.
O Brasil apresentou uma proposta de encaminhamento sobre seis pontos levantados pelo USTR na abertura da investigação comercial, mas não recebeu resposta.
Diante do prazo imposto pelo governo americano e da sinalização de rejeição aos argumentos brasileiros, um eventual adiamento das tarifas passou a ser considerado improvável pelo governo.
Mesmo assim, auxiliares de Lula tentaram uma última rodada de negociação com interlocutores de Trump. Nessa conversa, o Brasil afirmou considerar o tarifaço injusto.
De acordo com ministros, a orientação de Lula foi que o Brasil não deixasse a mesa de negociação nem permitisse que a ideologia contaminasse as conversas.
Apesar disso, a avaliação do governo brasileiro é que a decisão do USTR de recomendar as tarifas teve caráter político e ideológico.
Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil.
Segundo o governo, dos dez produtos americanos mais vendidos no Brasil, oito entram no país sem tarifa. Além disso, de acordo com o vice-presidente Geraldo Alckmin, a tarifa média aplicada aos principais produtos de origem americana é de 3%.
Diante desses dados, Alckmin afirmou que o tarifaço americano não faz “sentido”.
Na terça-feira (21), o vice-presidente Geraldo Alckmin disse que “a ideia não é retaliação”.
Segundo ele, o eventual uso da Lei de Reciprocidade Econômica pelo Brasil é diferente de retaliar produtos americanos e pode ser adotado no momento considerado adequado.
A declaração foi dada após uma série de encontros com representantes de setores afetados pelo tarifaço.
Parte do setor produtivo tem pedido que o governo não utilize a lei neste momento, sob o argumento de que uma escalada poderia prejudicar ainda mais a economia, as empresas e os consumidores.
O Brasil Soberano é uma medida criada pelo governo federal, via BNDES, para apoiar empresas brasileiras em momentos de instabilidade no cenário internacional.
O programa oferece linhas de crédito para empresas exportadoras e foi criado no ano passado para apoiar exportadores afetados pelo primeiro tarifaço dos Estados Unidos.
Nesta nova etapa, o crédito será destinado a empresas exportadoras, fornecedores impactados pelo segundo tarifaço, companhias afetadas pela instabilidade no Golfo Pérsico e setores industriais considerados estratégicos para as exportações do país.
Com o pacote, o governo busca preservar empregos, reduzir perdas, manter a competitividade externa e sustentar empresas atingidas por choques comerciais e geopolíticos.
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