

Queda do dólar impulsiona gastos de brasileiros em viagens internacionais, que atingem o maior valor para um primeiro semestre desde o início da série histórica do Banco Central. | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
28 de julho de 2026 – Os brasileiros gastaram US$ 12,61 bilhões no exterior durante o primeiro semestre de 2026, o maior valor já registrado para o período desde o início da série histórica do Banco Central (BC), em 1995. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (28) pela autoridade monetária.
O montante representa um crescimento de 22,5% em relação aos seis primeiros meses de 2025, quando os gastos somaram US$ 10,3 bilhões.
Segundo o Banco Central, o avanço é impulsionado, principalmente, pela valorização do real frente ao dólar ao longo do ano, fator que reduziu o custo das viagens internacionais para os brasileiros.
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A queda da cotação da moeda norte-americana tornou mais acessíveis despesas como passagens aéreas, hospedagens, alimentação, compras e outros serviços pagos em moeda estrangeira.
Embora o dólar tenha encerrado a última segunda-feira (27) em alta de 0,60%, cotado a R$ 5,11, a moeda acumula queda de 6,87% em 2026.
O cenário cambial reflete, entre outros fatores, a percepção do mercado de que o Brasil tem sido favorecido pelas exportações de petróleo em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio, o que fortalece a entrada de dólares no país e contribui para a valorização do real.
Além disso, mesmo com sinais de desaceleração, a economia brasileira continua em crescimento, favorecendo o aumento da renda e estimulando o consumo de viagens internacionais.
O Banco Central também informou que o déficit das contas externas brasileiras apresentou redução de 16,34% no primeiro semestre deste ano.
O saldo negativo das transações correntes ficou em US$ 27,47 bilhões, abaixo dos US$ 32,85 bilhões registrados no mesmo período de 2025.
As transações correntes reúnem três componentes principais:
Segundo o BC, o comportamento desse indicador costuma acompanhar o ritmo da economia. Em períodos de maior crescimento, aumentam as importações e os gastos de brasileiros no exterior, ampliando o déficit. Já em momentos de desaceleração, a tendência é de redução desse saldo negativo.
Outro dado positivo divulgado pelo Banco Central foi o crescimento dos investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira.
Entre janeiro e junho de 2026, o país recebeu US$ 47 bilhões em investimentos, frente aos US$ 35,4 bilhões registrados no mesmo intervalo do ano passado.
De acordo com a instituição, o volume foi suficiente para financiar integralmente o déficit das transações correntes observado no primeiro semestre, reforçando a confiança dos investidores internacionais na economia brasileira.
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