

Copom reduziu a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano, no quinto corte consecutivo dos juros no Brasil | Foto: Jornal Nacional/reprodução
17 de setembro de 2026 – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu reduzir a taxa básica de juros da economia, a Selic, de 14% para 13,75% ao ano.
A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (16), de forma unânime, e representa o quinto corte consecutivo da taxa básica de juros no país.
A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Quando a taxa sobe, o crédito fica mais caro, o que tende a reduzir empréstimos, investimentos e consumo. Quando a taxa cai, o crédito fica mais barato, estimulando novos negócios, contratações e gastos das famílias.
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Em comunicado, o Copom afirmou que a redução dos juros leva em conta a desaceleração da inflação e está alinhada à estratégia de levar o índice para perto da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional.
“Essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, diz a nota do comitê.
Sobre o cenário doméstico, o Copom avaliou que os indicadores divulgados desde a reunião anterior mostram uma moderação gradual da atividade econômica, especialmente em setores mais sensíveis ao ciclo de juros.
Apesar disso, o mercado de trabalho segue aquecido.
“Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e a média das medidas subjacentes desaceleraram, situando-se abaixo do limite superior do intervalo de tolerância, porém ainda acima da meta”, informou o comitê.
Segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (14), o mercado financeiro reduziu de 5% para 4,9% a estimativa de inflação para 2026.
Mesmo com a revisão, as projeções para 2026, 2027 e 2028 seguem acima da meta central de 3%.
O Copom também informou que segue acompanhando os impactos da política fiscal doméstica sobre a política monetária e os ativos financeiros.
“O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza”, destacou a nota.
A próxima reunião do comitê será realizada depois do segundo turno das eleições.
No ambiente internacional, o Banco Central avaliou que o cenário permanece incerto.
Entre os fatores de atenção estão os conflitos armados no Oriente Médio e as dúvidas sobre a condução da política monetária em algumas economias avançadas.
“Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”, afirmou o Copom.
Mesmo com o corte da Selic, o Brasil segue com o maior juro real do mundo, segundo levantamento citado pelo g1.
O juro real é calculado, entre outros fatores, pela taxa nominal de juros descontada da inflação prevista para os próximos 12 meses.
No caso brasileiro, o indicador ficou em 8,45%.
A Rússia aparece na segunda colocação, com juro real de 6,79%, seguida pela Colômbia, com 6,33%.
No mesmo dia da decisão do Copom, o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, elevou os juros americanos em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano.
Foi a primeira alta desde julho de 2023 e interrompeu uma sequência de cinco reuniões consecutivas sem alteração.
A decisão foi influenciada, entre outros fatores, pelo aumento do preço do petróleo em meio às tensões no Oriente Médio e pelas preocupações com a inflação.
O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) afirmou que a atividade econômica dos Estados Unidos segue em expansão sólida e que “os gastos domésticos têm se mostrado resilientes”, apesar do cenário de incerteza causado por “acontecimentos geopolíticos”.
A política de juros dos Estados Unidos tem reflexos no Brasil.
Quando os juros americanos permanecem elevados, há maior pressão sobre países emergentes, com impactos sobre o câmbio, os fluxos de capital e a condução da política monetária.
Sem indicar os próximos passos, o Copom afirmou que seguirá atento aos riscos para a inflação.
“O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária. O Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, diz o comunicado.
O Banco Central define a taxa Selic com base no sistema de metas de inflação.
Desde o início de 2025, o país adota o sistema de meta contínua, com objetivo central de 3%. A meta é considerada cumprida se a inflação oscilar entre 1,5% e 4,5%.
Ao decidir sobre os juros, o Banco Central olha principalmente para as projeções futuras de inflação, e não apenas para a variação recente dos preços.
Isso acontece porque os efeitos da Selic sobre a economia costumam levar de seis a 18 meses para aparecer plenamente.
No momento, a instituição já observa o horizonte que inclui o primeiro trimestre de 2028.
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