

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante evento em Mar-a-Lago; proposta de Conselho da Paz gera reação internacional | Foto: REUTERS/Kevin Lamarque
20 de janeiro de 2026 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a provocar tensão no cenário diplomático internacional ao enviar convites a lideranças de cerca de 60 países para integrar um novo “Conselho da Paz”. A proposta, apresentada como uma iniciativa para manutenção da paz e reconstrução da Faixa de Gaza, tem gerado forte apreensão entre diplomatas e especialistas, que enxergam riscos à autoridade e ao papel da Organização das Nações Unidas (ONU).
Entre os países convidados está o Brasil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda avalia se aceitará o convite. Segundo informações da agência Reuters, Argentina, Hungria e Marrocos já confirmaram adesão ao novo grupo.
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De acordo com o estatuto do Conselho da Paz, obtido pela Reuters, Donald Trump teria mandato vitalício como presidente da nova estrutura. Além disso, países interessados em um assento permanente precisariam contribuir com US$ 1 bilhão, valor que seria administrado diretamente pelo próprio Trump.
Diplomatas europeus ouvidos pela agência avaliam que a proposta ignora princípios básicos da Carta da ONU e pode minar o sistema multilateral construído após a Segunda Guerra Mundial.
“É uma espécie de ‘Nações Unidas de Trump’, que ignora regras fundamentais da governança internacional”, afirmou um diplomata sob condição de anonimato.
Para o professor de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV), Oliver Stuenkel, o desenho institucional do Conselho da Paz apresenta falhas graves e concentra poder excessivo nas mãos do presidente norte-americano.
“O arranjo reflete uma abordagem personalista e unilateral, com poder decisório concentrado em Trump, que teria influência decisiva e poder de veto sobre o funcionamento do órgão”, explica. “Há um temor real de que o Conselho se torne uma ONU paralela, controlada pelos Estados Unidos.”
Stuenkel também destaca preocupações sobre transparência e possíveis conflitos de interesse, já que Trump indicou o genro Jared Kushner e o conselheiro Steve Witkoff para integrar a estrutura, ambos com interesses empresariais na região de Gaza.
Embora a ONU tenha evitado comentar oficialmente a proposta, autoridades da organização reforçam que a entidade é a única instituição com legitimidade moral e jurídica para reunir todas as nações em pé de igualdade.
A presidente da Assembleia Geral da ONU, Annalena Baerbock, alertou para os riscos da fragmentação do sistema internacional. “Se questionarmos esse papel da ONU, retrocedemos para tempos muito, muito sombrios”, afirmou em entrevista à Sky News.
Enquanto o debate avança nos bastidores diplomáticos, a ONU ressalta que a crise humanitária em Gaza segue grave, independentemente da criação de novos fóruns políticos.
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Tags: Donald Trump, Conselho da Paz, ONU, Organização das Nações Unidas, diplomacia internacional, política externa dos EUA, Faixa de Gaza, geopolítica, relações internacionais, multilateralismo, Estados Unidos, Brasil, Lula, segurança internacional, conflitos globais, Portal Terra Da Luz