

Imagens de satélite mostram uma visão geral de um complexo de túneis escavados em terreno rochoso próximo a uma área industrial desenvolvida em Isfahan, Irã, em 11 de novembro de 2025 | Maxar/DigitalGlobe/Getty Images via CNN
13 de junho de 2026 – O Irã teria intensificado, nas últimas semanas, as medidas para proteger seu estoque de urânio enriquecido próximo ao nível necessário para uma bomba nuclear. Segundo cinco fontes familiarizadas com informações de inteligência dos Estados Unidos, Teerã provocou deliberadamente o desabamento de túneis e armou entradas com minas explosivas.
A medida torna mais difícil, perigosa e demorada qualquer operação para acessar cerca de meia tonelada de urânio altamente enriquecido, justamente em meio às negociações conduzidas pelo governo do presidente norte-americano Donald Trump para tentar encerrar a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz.
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As novas fortificações aumentam a complexidade de um possível acordo entre Washington e Teerã para remover e destruir o urânio enriquecido do país. O principal impasse agora é definir quem assumiria a missão de escavar, acessar, verificar e retirar o material.
A comunidade internacional acredita que a maior parte do estoque esteja em túneis desabados no complexo nuclear de Isfahan, no centro do Irã, com quantidades adicionais armazenadas em outros locais.
Mesmo para os próprios iranianos, segundo fontes citadas pela CNN, a retirada do material agora exigiria equipamentos pesados de escavação e procedimentos de desminagem, considerados complexos e arriscados.
Scott Roecker, que chefiou o Escritório de Remoção de Material Nuclear da Administração Nacional de Segurança Nuclear dos Estados Unidos entre 2017 e 2021, afirmou que as novas informações, se confirmadas, dificultam a recuperação do material.
“Se essas informações forem verdadeiras, isso certamente complicaria a recuperação do urânio altamente enriquecido”, disse Scott Roecker.
Segundo ele, o cenário também poderia abrir espaço para que o Irã dificultasse a verificação do cumprimento de um eventual acordo.
Caso os negociadores “exijam que o Irã leve todo o estoque para um local central para verificação e eventual remoção ou diluição do material”, caberia a Teerã acessar e “fornecer o inventário completo” do urânio enriquecido, afirmou Roecker.
“Mas, nesse cenário, eu me preocuparia que o Irã alegasse que parte do urânio altamente enriquecido é irrecuperável”, disse. “Não teríamos plena confiança de que o Irã não poderia voltar a ter acesso a esse material no futuro.”
Segundo uma autoridade de alto escalão do governo norte-americano, os dois lados estariam se aproximando de um acordo que exigiria a entrega do urânio enriquecido iraniano aos Estados Unidos. O material seria destruído no local e depois retirado do país.
No entanto, autoridades americanas e iranianas apresentaram versões divergentes sobre o entendimento preliminar, e os termos exatos seguem indefinidos. Uma suposta minuta do acordo vazou para uma agência semioficial iraniana na sexta-feira (12), provocando reação de Trump nas redes sociais.
A missão diplomática iraniana junto à Organização das Nações Unidas não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário. A Casa Branca também não se manifestou de imediato sobre os questionamentos.
Donald Trump tem afirmado repetidamente que garantir o controle do material nuclear iraniano é uma prioridade dos Estados Unidos nas negociações para encerrar a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz.
Em entrevista anterior à Fox News, o presidente norte-americano reconheceu os riscos de recuperar o urânio pela força, mas disse duvidar que os iranianos conseguissem acessar e retirar o material enterrado sem serem detectados pela inteligência dos Estados Unidos.
“Sabemos exatamente o que está acontecendo”, disse Trump ao apresentador Sean Hannity sobre o local. “Ninguém sequer chegou perto dele.”
Segundo duas fontes ouvidas pela CNN, ao discutir publicamente o urânio como possível alvo, o presidente pode ter dado ao Irã um incentivo adicional para reforçar a proteção de seus ativos nucleares.
Mesmo que o acordo entre Teerã e Washington seja assinado na próxima semana, ainda seriam necessárias negociações técnicas para definir os detalhes do futuro programa nuclear iraniano.
A retirada do urânio provavelmente exigiria o envio de uma instalação móvel especializada em processamento de material nuclear, vinculada à Administração Nacional de Segurança Nuclear dos Estados Unidos e sediada no Laboratório Nacional de Oak Ridge, no Tennessee.
Os principais negociadores norte-americanos, Jared Kushner e Steve Witkoff, visitaram o laboratório neste mês, segundo informações da CNN.
Ainda assim, especialistas avaliam que a tarefa demandaria tempo. Trump afirmou a jornalistas que a operação levaria pelo menos duas semanas para ser concluída.
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