

A França adotou toques de recolher localizados em Paris e outras cidades após uma onda de protestos contra a educação e o custo de vida terminar em confrontos, incêndios e prisões. O governo avalia novas medidas para conter a violência. | Foto: Elisa Marchina/NurPhoto via Getty Images
20 de outubro de 2026 – Autoridades da França adotaram toques de recolher localizados em partes de Paris e em outras cidades do país após uma onda de protestos contra a educação e o custo de vida terminar em confrontos violentos no fim de semana. Os distúrbios deixaram pelo menos dois mortos, feridos graves e mais de 2 mil pessoas presas, segundo as informações divulgadas.
A crise provocou danos a estabelecimentos comerciais e prédios públicos, além de ampliar a pressão sobre o governo francês diante da escalada da violência. O cenário também gerou preocupação com a possibilidade de manifestações semelhantes se espalharem por outros países europeus.
Na segunda-feira (19), o primeiro-ministro Sébastien Lecornu pediu que algumas cidades adotassem medidas restritivas para proteger moradores, propriedades e estabelecimentos comerciais. Na terça-feira (20), ele afirmou que os toques de recolher contribuíram para reduzir a tensão durante a noite.
“Os toques de recolher direcionados contribuíram para a calma desta noite”, escreveu Lecornu na rede social X. O chefe de governo agradeceu aos policiais, integrantes da Gendarmeria Nacional e representantes do Estado mobilizados para garantir o cumprimento das medidas.
Segundo o primeiro-ministro, novas restrições poderão ser adotadas conforme a evolução dos acontecimentos. A decisão caberá às autoridades locais e aos prefeitos.
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Em Paris, as medidas abrangem áreas movimentadas, incluindo a Place de la République e as ruas próximas ao mercado de alimentos Les Halles. Outras cidades e comunas francesas também adotaram restrições temporárias a aglomerações ou toques de recolher para menores de idade.
Entre as localidades mencionadas estão Lyon, Marseille, Nice, Lille, Douai, Wattignies e Denain.
As medidas foram anunciadas após um fim de semana marcado por confrontos entre policiais e manifestantes. Durante os episódios, agentes utilizaram gás lacrimogêneo para dispersar multidões, enquanto grupos de pessoas encapuzadas e vestidas de preto foram apontados como responsáveis por incêndios, saques e invasões de estabelecimentos comerciais e prédios governamentais.
Também foram registrados ferimentos graves, incluindo casos de pessoas que perderam as mãos. Imagens divulgadas durante os distúrbios mostraram edificações em chamas e cenas de destruição em diferentes pontos do país.
A dimensão dos confrontos intensificou as críticas à atuação do governo, acusado por opositores de não ter antecipado adequadamente a gravidade da crise. O episódio também aumentou a pressão política sobre o presidente Emmanuel Macron, em meio às discussões sobre a sucessão presidencial.
Apesar da violência registrada, autoridades e lideranças políticas ressaltaram que a maioria dos manifestantes participou dos atos de forma pacífica. Ainda assim, a intensidade dos confrontos e os danos provocados foram apontados como alguns dos episódios mais graves dos últimos anos no país.
Em pronunciamento no domingo, Macron condenou os responsáveis por atos de vandalismo e prometeu responsabilização.
“Aqueles que destruíram devem pagar”, declarou o presidente. “Aqueles que saquearam devem ressarcir. Aqueles que tentaram derrubar a República serão responsabilizados.”
Macron também anunciou reuniões ao longo da semana para discutir propostas concretas e ouvir as reivindicações dos manifestantes.
O governo francês enfrenta o desafio de conter a violência sem ignorar as reivindicações relacionadas à educação e ao aumento do custo de vida. A adoção de restrições localizadas busca evitar novos confrontos, mas ainda não há garantia de que as medidas serão suficientes para interromper os protestos.
A situação também desperta preocupação em outros países europeus, onde manifestações relacionadas às dificuldades econômicas e ao custo de vida têm ampliado a pressão sobre governos.
*com informaçãoes da CNN Brasil
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