

Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) participaram do debate presidencial da TV Globo nesta sexta-feira (23). As declarações dos candidatos foram analisadas pelo Fato ou Fake, que verificou informações sobre economia, segurança pública, saúde, educação e políticas sociais | Foto: Globo/Manoella Mello
24 de outubro de 2026 – O debate entre os candidatos à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado nesta sexta-feira (23), na TV Globo, foi marcado por declarações sobre economia, segurança pública, programas sociais, saúde e políticas adotadas por diferentes governos.
O serviço de checagem Fato ou Fake, do Grupo Globo, mobilizou mais de 30 jornalistas para verificar as informações apresentadas pelos candidatos. As análises foram publicadas no g1 e nos veículos O Globo, Valor Econômico, Extra e CBN, classificando as declarações como Fato, Fake ou Não é bem assim.
A verificação integra a cobertura do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para este domingo (25), e busca esclarecer informações utilizadas pelos candidatos durante a disputa eleitoral.
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Entre as falas do candidato do PL, o Fato ou Fake classificou como falsa a afirmação de que um vídeo divulgado durante o debate mostrava integralmente o contexto de uma declaração de Jair Bolsonaro sobre a pandemia.
Segundo a checagem, a gravação publicada por Flávio Bolsonaro havia sido editada, com a retirada de aproximadamente 30 segundos de uma transmissão realizada em março de 2021.
A equipe também classificou como falsa a informação de que o Brasil teria atualmente mais de 11,5 mil obras federais paralisadas. Dados do Tribunal de Contas da União (TCU) apontavam 4.215 obras federais paralisadas em abril de 2026, considerando as bases acompanhadas pelo órgão.
Por outro lado, foi considerada verdadeira a declaração de que o governo Jair Bolsonaro reduziu o número de obras paralisadas entre 2019 e 2022. Os levantamentos citados indicam 14.403 empreendimentos em 2019 e 8.674 em agosto de 2022, embora as bases de monitoramento apresentem diferenças.
A afirmação de Flávio Bolsonaro de que seu pai estabeleceu o pagamento mínimo de R$ 600 do Bolsa Família recebeu a classificação Não é bem assim.
A checagem explicou que o benefício foi elevado para R$ 600 em 2022, durante o governo Bolsonaro, mas o acréscimo de R$ 200 foi aprovado pelo Congresso Nacional por meio de emenda constitucional.
Também foi considerada parcialmente correta a declaração de que Jair Bolsonaro concluiu as obras da transposição do Rio São Francisco.
As obras começaram em 2007, no governo Lula, e tiveram etapas inauguradas durante diferentes administrações. O Eixo Leste entrou em operação em 2017, no governo Michel Temer, enquanto o Eixo Norte levou água ao Ceará em 2020 e ao Rio Grande do Norte em 2022, durante o governo Bolsonaro.
O empreendimento ainda possui ramais e estruturas complementares em execução.
No debate, Flávio Bolsonaro fez declarações sobre audiências de custódia, violência no Nordeste e o assassinato de Ana Clara Machado, de cinco anos, ocorrido em Niterói, em 2021.
O Fato ou Fake confirmou que as audiências de custódia começaram a ser implementadas em 2015 por iniciativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), durante a gestão de Ricardo Lewandowski à frente do órgão.
Sobre a violência no Nordeste, a checagem confirmou que os dez municípios com maiores taxas de mortes violentas intencionais no levantamento citado estavam na região. O dado, entretanto, não demonstra por si só uma relação causal entre os índices de violência e a filiação partidária dos governadores.
No caso de Ana Clara, a apuração apontou que Flávio Bolsonaro participou da defesa de um policial militar acusado pelo disparo que matou a criança. O processo ainda não havia sido julgado, com sessão do Tribunal do Júri prevista para maio de 2027.
A afirmação de Flávio Bolsonaro de que o governo Lula não atualizou a tabela de procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) foi considerada falsa.
Segundo a checagem, o Ministério da Saúde publicou portarias de reajuste em 2024 e 2025.
Foi considerada verdadeira a declaração de que mais de 80 milhões de brasileiros estavam inadimplentes. O levantamento da Serasa apontava 83,9 milhões de pessoas com dívidas em atraso em agosto de 2026.
Outra afirmação confirmada foi a existência de uma dívida bruta do governo geral superior a R$ 11 trilhões. Em agosto, o indicador chegou a R$ 11,1 trilhões, conforme dados do Banco Central. O montante inclui obrigações dos governos federal, estaduais e municipais, além do INSS.
Entre as falas do presidente Lula, o Fato ou Fake considerou verdadeira a informação de que seu governo encontrou milhares de obras paralisadas, incluindo unidades de educação básica.
Segundo dados apresentados pela checagem, havia 5.642 obras de instituições de ensino paralisadas ou inacabadas em janeiro de 2023.
A declaração de que o Brasil havia acabado com a fome em 2012 recebeu a classificação Não é bem assim. O país saiu do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas em 2014, durante o governo Dilma Rousseff.
Por outro lado, a afirmação de que aproximadamente 33 milhões de brasileiros enfrentavam a fome antes do início do terceiro mandato de Lula foi considerada verdadeira, com base em pesquisa divulgada em 2022 pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan).
A checagem confirmou que o Brasil registrou recorde de exportações em 2025, com US$ 348,3 bilhões, e crescimento das vendas externas nos nove primeiros meses de 2026.
Também foi considerada verdadeira a afirmação de Lula sobre a retomada do Fundo Amazônia, que ficou paralisado durante o governo Jair Bolsonaro e voltou a funcionar em 2023.
Já a declaração de que o governo Bolsonaro teria criado o jogo conhecido como Tigrinho em 2022 foi classificada como falsa. A modalidade de apostas de quota fixa foi legalizada em 2018, durante o governo Michel Temer, e regulamentada em 2023, no governo Lula.
Sobre a taxa Selic, a checagem apontou imprecisão na declaração do presidente de que havia recebido o governo com juros de 13%. Na verdade, a taxa era de 13,75% ao ano em janeiro de 2023, mesmo patamar registrado em setembro de 2026.
As análises também abordaram temas como investimentos em infraestrutura, salário mínimo, financiamento estudantil, saúde pública, violência contra a mulher e gastos governamentais.
O levantamento mostrou que ambos os candidatos apresentaram afirmações confirmadas, declarações falsas e informações que exigiam contextualização.
As verificações foram realizadas com base em documentos oficiais, levantamentos de órgãos públicos, registros legislativos, pesquisas e informações de instituições responsáveis pelos temas mencionados.
A checagem das declarações contribui para que os eleitores tenham acesso a informações contextualizadas antes do segundo turno presidencial.
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