

Uso de IA na educação pode comprometer desenvolvimento cognitivo, aponta MIT | Foto: Imagem criada pelo chatgpt para ilustrar matéria/Agência Brasil
28 de junho de 2025 — Um estudo conduzido pelo MIT Media Lab, do renomado Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, revelou preocupações sobre os efeitos negativos do uso intensivo de inteligência artificial (IA), especialmente entre os mais jovens. Segundo os pesquisadores, ferramentas baseadas em modelos de linguagem generativa (LLM), como o ChatGPT, podem comprometer a capacidade de aprendizado, conectividade cerebral e sensação de autoria.
Durante quatro meses, os pesquisadores acompanharam 54 voluntários, divididos em três grupos: um que utilizou apenas o ChatGPT, outro que usou ferramentas de busca como o Google, e um terceiro que escreveu textos sem nenhum auxílio externo. As conclusões foram contundentes:
“Os usuários do LLM apresentaram desempenho inferior nos níveis neural, linguístico e comportamental. Isso levanta sérias preocupações sobre os efeitos educacionais do uso da IA”, alerta o paper.
As redações produzidas foram avaliadas por professores humanos e ferramentas de Processamento de Linguagem Natural (PLN), e os cérebros dos participantes foram monitorados com eletroencefalografia.
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Os voluntários que escreveram sem ajuda de IA apresentaram maior conectividade cerebral, com redes neurais mais fortes e distribuídas. Os que usaram mecanismos de busca tiveram desempenho intermediário. Já os que utilizaram o ChatGPT registraram atividade cerebral mais fraca.
A pesquisa mostrou ainda que a troca de grupos afetou a performance cognitiva. Quem deixou de usar o ChatGPT e teve que escrever sozinho mantinha baixos níveis de conectividade, enquanto os que passaram a usar a IA ativaram áreas cerebrais relacionadas à recuperação de memória — porém ainda de forma inferior ao grupo independente.
Outro achado relevante foi a queda no senso de autoria entre os que usaram a IA. Eles não se sentiam autores plenos de seus textos. Já aqueles que usaram apenas ferramentas de busca apresentaram um senso moderado, enquanto os que escreveram sozinhos foram os que mais se identificaram com o que escreveram, além de lembrar com mais facilidade trechos do texto minutos após finalizá-lo.
“Demonstramos a provável diminuição nas habilidades de aprendizagem. Este estudo serve como guia preliminar para compreender os impactos cognitivos e práticos da IA em ambientes de ensino”, conclui a pesquisa.
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