

Representantes diplomáticos durante reunião extraordinária da OEA, que debateu a crise na Venezuela e a intervenção estrangeira no país | Foto: reprodução/ OAS Live
07 de janeiro de 2026 – O Brasil classificou como “sequestro” a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e condenou de forma contundente qualquer tipo de intervenção armada na Venezuela. A posição foi apresentada durante a reunião extraordinária do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), realizada nesta terça-feira (6), para discutir a influência externa e a crise política no país vizinho.
O discurso foi feito pelo representante permanente do Brasil na OEA, embaixador Benoni Belli, que afirmou que a ação militar promovida pelos Estados Unidos representa uma grave ameaça à ordem internacional.
>>>SIGA O YOUTUBE DO PORTAL TERRA DA LUZ <<<
“O bombardeio e o sequestro do presidente [Nicolás Maduro] são inaceitáveis e representam uma ameaça à comunidade internacional”, declarou o embaixador brasileiro, reiterando a posição histórica do país em defesa da soberania nacional e do respeito ao direito internacional.
Segundo Belli, a não intervenção é um princípio fundamental para a preservação da dignidade dos Estados. “Se perdermos isso, perderemos a dignidade nacional e nos tornaremos coadjuvantes do nosso próprio destino”, afirmou, alertando para o risco de colapso da ordem internacional.
A reunião da OEA foi convocada após a intervenção norte-americana que resultou na retirada de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, do território venezuelano. Durante os pronunciamentos das delegações, o discurso do representante dos Estados Unidos, Leandro Lizzuto, foi interrompido por uma manifestante que protestava contra a ação americana em apoio à Venezuela.
O encontro chegou a ser suspenso temporariamente para a retirada da mulher, que não teve a identidade divulgada.
Em entrevista à GloboNews, Benoni Belli afirmou que ainda é cedo para definir qual será o papel da OEA na mediação da crise venezuelana. Segundo ele, o atual secretário-geral da organização, Albert Ramdin, adota uma postura mais equilibrada e busca contribuir de forma construtiva.
“O corpo técnico da OEA está à disposição para ajudar no diálogo e na assistência necessária, mas tudo vai depender da vontade do povo venezuelano e dos desdobramentos da crise”, explicou o embaixador.
Nos últimos anos, a OEA perdeu protagonismo na questão venezuelana, especialmente durante a gestão do ex-secretário-geral Luis Almagro, que defendeu sanções e chegou a sugerir uma intervenção armada no país.
A posição brasileira foi reiterada um dia antes, durante reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Na ocasião, o embaixador do Brasil na ONU, Sérgio Danese, afirmou que “não é possível aceitar o argumento de que os fins justificam os meios”.
Segundo Danese, permitir esse tipo de ação abre precedentes perigosos e fragiliza o multilateralismo. “A Carta das Nações Unidas proíbe o uso da força contra a soberania dos Estados, salvo em circunstâncias estritamente previstas”, destacou.
Rússia e China, aliados do governo venezuelano, também condenaram a ação militar. Já os Estados Unidos se defenderam das críticas ao classificar Maduro como “fugitivo da Justiça” e afirmar que se tratou de uma operação para o cumprimento da lei.
Leia também | Venezuela concorda em entregar até 50 milhões de barris de petróleo aos EUA, afirma Trump
Tags: OEA, Venezuela, Nicolás Maduro, Brasil e OEA, política internacional, intervenção militar, soberania nacional, Estados Unidos, crise venezuelana, direito internacional, ONU, diplomacia brasileira, Benoni Belli, Sérgio Danese, Portal Terra Da Luz
Megaoperação Contenção mobilizou cerca de 2.500 policiais civis e militares nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, em 28 de outubro de 2025. Um ano depois, levantamento aponta 33 alvos ainda foragidos e redução nos registros de tiroteios, enquanto especialistas questionam os resultados da ação no combate ao crime organizado | Foto: José Lucena/TheNewsS2/Estadão Conteúdo