

XIX Ação Nacional Criança Não É de Rua mobiliza cidades brasileiras em defesa de moradia, educação e proteção para crianças e adolescentes vulneráveis | Foto: reprodução
22 de julho de 2026 – Organizações da sociedade civil, ativistas, defensores dos direitos humanos, parceiros institucionais e representantes da sociedade se mobilizam, nesta quinta-feira, 23 de julho, para a XIX Ação Nacional Criança Não É de Rua.
A mobilização será realizada simultaneamente em diversas cidades brasileiras, incluindo Fortaleza, São Luís, Manaus, Salvador, Belém, Rio de Janeiro e São Paulo, com o objetivo de dar visibilidade à situação de crianças e adolescentes em vulnerabilidade social, especialmente aqueles que vivem nas ruas ou em ocupações urbanas.
A iniciativa reivindica políticas públicas integradas nas áreas de moradia, educação, saúde, proteção social, cultura, esporte, lazer e fortalecimento dos vínculos familiares.
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A data da ação faz referência aos 33 anos da Chacina da Candelária, ocorrida em 23 de julho de 1993, no centro do Rio de Janeiro.
Na ocasião, crianças e adolescentes que viviam nas ruas e dormiam nas proximidades da Igreja da Candelária foram assassinados por um grupo de extermínio formado por policiais militares.
O episódio tornou-se um marco na luta pelos direitos da infância e da adolescência no Brasil e segue simbolizando a urgência da proteção integral, da dignidade e da garantia do direito à vida.
Desde então, a Rede Nacional Criança Não É de Rua atua para denunciar violações de direitos, ampliar o debate público e fortalecer a defesa de políticas voltadas a crianças e adolescentes em situação de rua.



Os dados reforçam a urgência da mobilização nacional.
Levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, realizado em parceria com a Rede Nacional Criança Não É de Rua, a partir de dados do Cadastro Único de julho de 2026, aponta que o Brasil tem 394.863 pessoas em situação de rua.
Desse total, 9.976 são crianças e adolescentes de até 17 anos.
Entre eles, 4.381, o equivalente a 44%, estão na primeira infância, fase considerada decisiva para o desenvolvimento humano.
No Ceará, são 270 crianças e adolescentes em situação de rua, das quais 127 têm até seis anos de idade.
Em Fortaleza, estão concentrados 245 casos, o equivalente a 91% dos registros do Estado.
A realidade das ruas no Brasil vem passando por mudanças.
Se antes predominavam crianças e adolescentes desacompanhados, atualmente cresce o número de famílias inteiras vivendo em situação de rua ou em ocupações urbanas.
Esse cenário está diretamente relacionado à crise habitacional, à insegurança alimentar, ao desemprego, à pobreza e ao aprofundamento das desigualdades sociais.
Diante desse quadro, a XIX Ação Nacional Criança Não É de Rua reforça que a resposta precisa ir além do acolhimento emergencial.
A mobilização defende políticas públicas permanentes, capazes de garantir moradia digna, acesso à escola, creche, saúde, proteção social e condições para que crianças e adolescentes cresçam com segurança.
Em 2026, a ação destaca bandeiras consideradas fundamentais para enfrentar a vulnerabilidade social.
Entre as reivindicações estão a garantia de moradia digna para famílias em situação de rua e ocupações, o acesso à creche e à educação de qualidade, a atenção prioritária à saúde mental de crianças, adolescentes e suas famílias, a preservação do meio ambiente e a ampliação de oportunidades de cultura, esporte e lazer nas periferias.
A mobilização também se posiciona contra a redução da maioridade penal.
Para os organizadores, responsabilizar adolescentes sem enfrentar as causas estruturais da exclusão social aprofunda desigualdades e não resolve a violência.
Para Manoel Torquato, coordenador-geral da Associação O Pequeno Nazareno, a ação é um chamado à responsabilidade coletiva diante de uma realidade que compromete o presente e o futuro de milhares de crianças e adolescentes.
“Mais do que lembrar uma tragédia que marcou a história do país, esta mobilização reafirma a necessidade de garantir que nenhuma criança ou adolescente tenha seus direitos ameaçados pela exclusão social. Hoje, vemos crescer o número de famílias inteiras vivendo nas ruas e em ocupações, o que torna ainda mais urgente assegurar moradia digna, educação, proteção social e oportunidades para que crianças e adolescentes possam construir um futuro diferente”, destaca Manoel Torquato.
A fala reforça o caráter político, social e humanitário da mobilização, que busca manter viva a memória da Candelária e transformar indignação em ação concreta.
No Ceará, as mobilizações serão realizadas em Fortaleza, Maranguape e Paracuru.
Na capital cearense, o ato acontece na Praça do Ferreira, às 15h.
Em Maranguape, a programação será na Praça do Gereraú, em Tabatinga, às 17h.
Em Paracuru, a atividade ocorrerá na sede da Associação O Pequeno Nazareno, às 9h30.
As ações devem reunir organizações sociais, movimentos populares, crianças, adolescentes, educadores, lideranças comunitárias e representantes da sociedade civil comprometidos com a defesa dos direitos humanos.
No Rio Grande do Norte, as atividades acontecem em Areia Branca, na Escola Municipal Valdecir Nunes, às 9h, e em Guamaré, na Praça Poliesportiva e de Convivência do Vila Maria, às 16h.
Em São Luís, no Maranhão, o ato será realizado na Praça João Lisboa, às 14h30.
Em Belém, no Pará, a mobilização acontece na Praça Dom Pedro II, às 9h30.
Em Oiapoque, no Amapá, a atividade será em Clevelândia do Norte, distrito do município, às 8h30.
No Amazonas, a programação ocorre em Manaus, na Rotatória do Eldorado, às 8h; em Coari, na Avenida Agamenon Silva, nº 698, Urucu, às 9h; e em Carauari, na Rua Francisco Lino de Oliveira, nº 210, Bairro Memória, às 13h.
No Rio de Janeiro, o ato será realizado em frente à Igreja da Candelária, às 10h.
Em São Bernardo do Campo, em São Paulo, acontece uma roda de conversa às 14h.
Em Salvador, na Bahia, a mobilização será no Terreiro de Jesus, às 14h.
A iniciativa conta com a participação de instituições que atuam diretamente na proteção da infância e da adolescência.
Entre elas está a Associação O Pequeno Nazareno, responsável pelo projeto Dignidade para a Infância, desenvolvido em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.
A atuação da entidade reforça a importância de projetos sociais voltados à proteção integral, ao acolhimento, à educação, à convivência familiar e comunitária e à promoção de oportunidades para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.
Mais do que um ato de memória, a XIX Ação Nacional Criança Não É de Rua reafirma o compromisso coletivo com a construção de uma sociedade em que toda criança e adolescente tenha acesso à moradia, educação, proteção e oportunidades.
A mobilização chama atenção para a necessidade de enfrentar a pobreza, a desigualdade e a ausência de políticas públicas capazes de impedir que a rua se torne espaço de sobrevivência para famílias, crianças e adolescentes.
Ao lembrar a Chacina da Candelária, a ação também reforça que o direito à vida, à infância protegida e ao desenvolvimento pleno precisa ser garantido como prioridade absoluta.
XIX Ação Nacional Criança Não É de Rua
Data: 23 de julho de 2026
Tema: educação, moradia, proteção social e direitos de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade
Atos no Ceará
Fortaleza: Praça do Ferreira, às 15h
Maranguape: Praça do Gereraú, em Tabatinga, às 17h
Paracuru: sede da Associação O Pequeno Nazareno, às 9h30
Outras mobilizações
Areia Branca/RN: Escola Municipal Valdecir Nunes, às 9h
Guamaré/RN: Praça Poliesportiva e de Convivência do Vila Maria, às 16h
São Luís/MA: Praça João Lisboa, às 14h30
Belém/PA: Praça Dom Pedro II, às 9h30
Oiapoque/AP: Clevelândia do Norte, às 8h30
Manaus/AM: Rotatória do Eldorado, às 8h
Coari/AM: Avenida Agamenon Silva, nº 698, Urucu, às 9h
Carauari/AM: Rua Francisco Lino de Oliveira, nº 210, Bairro Memória, às 13h
Rio de Janeiro/RJ: Igreja da Candelária, às 10h
São Bernardo do Campo/SP: roda de conversa, às 14h
Salvador/BA: Terreiro de Jesus, às 14h
Participação: Rede Nacional Criança Não É de Rua, organizações sociais, movimentos populares, Associação O Pequeno Nazareno e parceiros
Projeto relacionado: Dignidade para a Infância
Parceria: Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental
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