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Eleições 2022: O que é assédio eleitoral
Eleições 2022 O que é assédio eleitoral
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Opinião O Legislativo que queremos e o Brasil precisa Por Samuel Hanan, engenheiro e ex-vice-governador do Amazonas

Opinião: O Legislativo que queremos e o Brasil precisa

Edifício do Congresso Nacional, em Brasília | Foto: EBC

Muito se cobra dos ocupantes do maior cargo do Executivo nacional – a Presidência da República – as medidas necessárias para o Brasil retomar o ritmo do desenvolvimento socioeconômico, de forma mais justa, consistente a ambientalmente responsável, para oferecer condições de vida digna aos cidadãos. Erroneamente, porém, muito pouco se exige dos ocupantes do Parlamento – deputados federais e senadores – a respeito do cumprimento de seu papel constitucional.

É inegável que os parlamentares podem, nos limites de suas atribuições, dar importante contribuição para a transformação que o País reclama, diante do quadro atual de aumento da pobreza e das desigualdades sociais e regionais, do agravamento da violência, da corrupção irrefreada, da depauperação da qualidade de vida.

Tão importante quanto o papel fiscalizador do Executivo que lhes cabe, deputados federais e senadores detêm o poder de propor e aprovar mudanças legislativas. E o Brasil precisa de muitas delas, em caráter urgente, para a correção de distorções implantadas ao longo do tempo e que se transformaram em verdadeiros entraves ao desenvolvimento e cristalizaram sérios prejuízos ao cidadão.

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Uma das mais importantes seria propor a redução drástica da tributação sobre consumo de gêneros alimentícios, medicamentos, produtos de higiene e limpeza, vestuário, materiais básicos de construção, energia elétrica, óleo diesel e gás de cozinha, todos de grande impacto no bolso do brasileiro. É possível reduzir em 20% a tributação sobre esses produtos, por meio da compensação com outras receitas na ordem de R$ 125 bilhões/ano, considerando-se que atualmente 44% das receitas públicas são oriundas do consumo e que a esses produtos correspondem a 45% da arrecadação desse segmento.

Sempre respeitando as competências constitucionais, outra proposta relevante seria a de obrigar o governo federal a fazer a correção anual das tabelas do Imposto de Renda da Pessoa Física. Na verdade, isso significaria cumprir a Constituição, uma vez que é vedado aumentar tributos sem lei autorizativa e, ademais, deve ser respeitada a capacidade financeira dos contribuintes, o que hoje é ignorado.

O Congresso também precisa enxergar o prejuízo causado pelas renúncias fiscais da forma como são concedidas atualmente – com desrespeito à previsão constitucional de servir à redução das desigualdades sociais e regionais -, proibindo essa prática totalmente discricionária, sem temporariedade e sem transparência.

Não faltam argumentos em favor dessas mudanças. O custo estimado da corrupção, somado ao custo do funcionalismo – hoje de 13,4% do PIB – e acrescido dos gastos tributários e do valor das renúncias tributárias ilegítimas atinge a gigantesca cifra de R$ 800 a R$ 900 bilhões/ano. Isso é suficiente para compensar em algumas vezes o montante necessário para a redução da tributação sobre o consumo e para pagar a correção anual das tabelas do Imposto de Renda da Pessoa Física.  

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Fora do âmbito tributário, o Legislativo Nacional deveria atuar para eliminar a possibilidade de reeleição para cargos executivos, admitindo-se a ampliação dos mandatos dos atuais 4 anos para 5 anos. A reeleição é uma experiência que se mostrou desastrosa, uma vez que o vencedor da eleição começa a pensar em sua recondução já no primeiro dia em que assume o cargo. Isso leva, inevitavelmente, à construção de governos de cooptação, nos quais acordos políticos espúrios são mais frequentes que planos de metas. Mandatos mais longos, sem o instrumento da reeleição, seriam mais eficientes e dariam aos governantes tempo suficiente para executarem seus planos de governo, seus projetos e suas obras, o que nem sempre é possível no mandato de 4 anos.

Outra medida fundamental seria a aprovação de lei proibindo que parentes de primeiro, segundo e terceiro graus figurem como suplentes na chapa de candidatos a senador, e vices na chapa de candidatos a prefeito, governador e presidente. A permissão legal hoje em vigor é convite ao nepotismo e favorece a corrupção porque em caso de afastamento do titular do cargo em razão de improbidade administrativa, a família – potencialmente beneficiada pelos malfeitos – continua no poder; um contrassenso.

No mesmo sentido, os parlamentares deveriam propor e aprovar a tipificação como crime de responsabilidade a geração de déficit público primário por chefes do Poder Executivo. É evidente que tal prática de maus gestores comprometem as receitas públicas e inviabilizam investimentos em áreas prioritárias como educação, saúde, saneamento, segurança e habitação. Tal tipificação, com vigência após quatro anos – a título de adaptação – e pena de inelegibilidade por 20 anos depois disso, seguramente inibiria uma prática hoje bastante comum em todo o território nacional.

De igual modo, muito salutar seria proibir gastos com funcionalismo público (ativos e inativos) que ultrapassem 10% do Produto Interno Bruto nacional, percentual semelhante à média dos 37 países da OCDE, também com enquadramento penal e pena de inelegibilidade em caso de descumprimento.

É preciso exigir dos parlamentares menos corporativismo e mais coragem para se dedicar a temas sensíveis à nação, como a proibição de orçamento secreto e de qualquer outro mecanismo que não seja transparente.

Um Parlamento verdadeiramente preocupado com os principais gargalos do desenvolvimento faria uma mudança legislativa para restringir drasticamente o instituto do foro privilegiado, hoje escudo de impunidade que protege cerca de 55.000 ocupantes de cargos públicos, abrangência sem similar no mundo. O ideal seria limitar o instituto aos chefes dos Três Poderes e, ainda assim, excluindo os crimes praticados contra a administração pública. Ou mesmo aprovar proposta de emenda constitucional que tramita desde 2017 e restringe o foro privilegiado apenas para cinco cargos: presidente da República, vice-presidente da República, o chefe do Poder Judiciário e os presidentes da Câmara e do Senado Federal, e apenas para crimes ocorridos durante o exercício do mandato e em decorrência do próprio mandato.

Deputados e senadores precisam trabalhar para reduzir a sensação de impunidade que permeia a sociedade brasileira e estimula práticas criminosas. Um bom caminho é legislar para restabelecer a possibilidade de prisão em segunda instância após condenação por decisão colegiada do Judiciário. É necessário, ainda, criar lei proibindo a candidatura a cargos públicos de qualquer pessoa que seja ré (também por decisão colegiada) em razão de prática de crime contra a administração pública, seja por corrupção, peculato ou participação em organização criminosa.

São medidas imprescindíveis para o Brasil mudar o rumo e se transformar em uma nação menos injusta socialmente, com maior responsabilidade administrativa, menos corrupção, menos fome, mais segurança, mais emprego e maior poder de consumo das classes hoje com menor poder econômico.

Não há dúvidas de que haveria reflexos muito positivos para o crescimento consistente do PIB, para oi aumento do PIB per capita, para o aumento do consumo, para a geração de emprego e renda, para a melhoria do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e do coeficiente GINI, modelo matemático utilizado para medir a desigualdade social.

O período eleitoral, no qual os candidatos se apresentam aos eleitores, é um momento propício a essa reflexão. O processo de tornar o Congresso uma instituição muito melhor do que é exige o olhar mais atento da grande mídia e, principalmente, o mea-culpa da própria classe política. Critérios mais rígidos nas exigências para a filiação partidária e maior austeridade na homologação de candidaturas ao Legislativo, aliás custeadas com dinheiro público por meio do Fundo Eleitoral, seriam muito benéficos ao país. Olhar o passado é um bom termômetro para avaliar o presente. E construir o futuro com bases mais criteriosas resgataria a credibilidade popular nos políticos e fortaleceria a democracia.

O Legislativo precisa, enfim, assumir o compromisso definitivo de apoio ao desenvolvimento nacional sem desviar um milímetro de suas funções constitucionalmente definidas. Mas, para isso, deputados e senadores necessitam enxergar os brasileiros como detentores de direitos e não apenas como eleitores em potencial.


Samuel Hanan é engenheiro com especialização nas áreas de macroeconomia, administração de empresas e finanças, empresário, e foi vice-governador do Amazonas (1999-2002). Autor dos livros “Brasil, um país à deriva” e “Caminhos para um país sem rumo”. Site: https://samuelhanan.com.br.


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Portal Terra da Luz. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, ou um outro artigo com suas ideias, envie sua sugestão de texto para portalterradaluz@gmail.com.

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O editor responsável pelo Portal Terra da Luz é o jornalista Hermann Hesse, profissional reconhecido pela atuação na imprensa cearense desde 1990. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Ceará (UFC), atuou durante quase 20 anos na TV Verdes Mares, afiliada da Rede Globo, como repórter, produtor, editor, apresentador, editor-chefe do jornal mais importante e de maior audiência do Ceará, o CETV. Em 2011, assumiu a Coordenadoria de Comunicação da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará e, dois anos depois, foi Coordenador de Comunicação Institucional da Prefeitura de Fortaleza. Em janeiro de 2019, assumiu a direção de Jornalismo do Grupo Cidade de Comunicação, onde atuou por 2 anos e meio. No dia 12 julho de 2021 colocou no ar a primeira notícia e, desde então, é o responsável por todos os conteúdos publicados no Portal Terra da Luz. Entre agosto de 2022 e agosto de 2025 atuou, paralelamente, como diretor de Jornalismo da Band Ceará, emissora ligada diretamente à cabeça de rede, em São Paulo.

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