

Testes em humanos devem começar nos Estados Unidos. | Foto: Drazen Zigic/GettyImages
27 de outubro de 2026 – Pesquisadores do Weill Cornell Medicine, ligado à Universidade Cornell, em Nova York, desenvolveram uma pílula anticoncepcional masculina experimental que poderá ser utilizada antes das relações sexuais. O medicamento não contém hormônios e foi projetado para bloquear temporariamente a capacidade de movimentação dos espermatozoides, com o objetivo de prevenir a gravidez.
A proposta é que o comprimido seja administrado cerca de 30 minutos antes da relação sexual e ofereça uma janela de ação de seis a oito horas. Após esse período, o efeito esperado é desaparecer, permitindo a recuperação da função reprodutiva.
O medicamento ainda está em fase de pesquisa e não está disponível para comercialização. O projeto recebeu US$ 8,2 milhões em financiamento do Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano dos Estados Unidos (NICHD), e a próxima etapa prevista é a avaliação de segurança em seres humanos.
>>>SIGA O YOUTUBE DO PORTAL TERRA DA LUZ <<<
A pesquisa utiliza substâncias que inibem a adenilato ciclase solúvel, conhecida pela sigla sAC, uma enzima importante para o funcionamento dos espermatozoides. Essa enzima participa de processos celulares necessários para que essas células adquiram e mantenham a capacidade de se movimentar.
Nos experimentos realizados com camundongos, os pesquisadores observaram que a inibição da sAC provocou a imobilização dos espermatozoides. A estratégia busca reproduzir esse efeito em humanos, impedindo temporariamente que os gametas masculinos se movimentem adequadamente para alcançar e fertilizar o óvulo.
A proposta é diferente da dos anticoncepcionais hormonais, que interferem na produção ou na ação de hormônios envolvidos na reprodução. Ao atuar diretamente em um mecanismo celular dos espermatozoides, a abordagem pretende evitar alterações hormonais sistêmicas.
Os resultados obtidos em animais, entretanto, não garantem que o medicamento terá a mesma eficácia ou segurança em seres humanos. Esses aspectos precisarão ser avaliados em ensaios clínicos.
Um dos diferenciais da proposta é a possibilidade de utilizar o medicamento sob demanda, em vez de recorrer a um método de uso diário ou de longa duração.
Segundo a descrição do estudo, a substância foi desenvolvida para manter sua ação sobre o alvo biológico durante algumas horas. A expectativa é que o efeito contraceptivo seja temporário, sem comprometer permanentemente a fertilidade.
A estratégia é coordenada pelos pesquisadores Jochen Buck e Lonny Levin, ligados ao Weill Cornell Medicine, que investigam há anos o papel da enzima sAC na reprodução masculina.
Apesar dos resultados experimentais, a duração da ação, a eficácia contraceptiva e a reversibilidade do método em humanos ainda precisam ser confirmadas. Também será necessário avaliar possíveis efeitos adversos e estabelecer a dose adequada.
O medicamento deverá passar inicialmente pela fase 1 dos ensaios clínicos, etapa voltada principalmente à avaliação da segurança, da tolerabilidade e do comportamento da substância no organismo.
Nessa fase, voluntários saudáveis poderão receber o medicamento experimental ou um placebo, conforme o protocolo de pesquisa. O placebo é uma substância sem o princípio ativo investigado e serve como parâmetro de comparação.
Se os resultados forem favoráveis, o estudo poderá avançar para a fase 2, que costuma envolver um grupo maior de participantes e permite investigar melhor a eficácia e a dosagem do medicamento.
A aprovação para uso comercial dependerá dos resultados das etapas clínicas e da avaliação das autoridades regulatórias. Portanto, ainda não há previsão confirmada para que a pílula chegue às farmácias.
Atualmente, os homens contam principalmente com preservativos e vasectomia como métodos contraceptivos próprios. O desenvolvimento de uma pílula reversível é considerado uma alternativa em potencial para ampliar as opções de planejamento reprodutivo.
Nos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora de medicamentos do país, ainda não aprovou uma pílula anticoncepcional masculina para comercialização.
Outras abordagens também estão em investigação, incluindo comprimidos de uso contínuo, géis hormonais e métodos injetáveis de ação prolongada.
O interesse por novas opções de contracepção masculina é apontado como um fator importante para ampliar a participação dos homens no planejamento familiar. Pesquisas de intenção de uso citadas no contexto do estudo indicam que uma parcela expressiva dos entrevistados demonstraria interesse em métodos masculinos reversíveis e de curta duração.
Ainda assim, a aceitação dependerá de fatores como eficácia, segurança, facilidade de uso e confiança no método. Até que os ensaios clínicos sejam concluídos, a nova pílula permanece uma possibilidade científica, e não uma alternativa contraceptiva disponível ao público.
Leia também | Governo quer acelerar pautas no Congresso
Tags: anticoncepcional masculino, pílula anticoncepcional masculina, contracepção masculina, saúde masculina, planejamento familiar, contraceptivos, pesquisa científica, Universidade Cornell, Weill Cornell Medicine, Jochen Buck, Lonny Levin, adenilato ciclase solúvel, enzima sAC, espermatozoides, fertilidade masculina, contracepção reversível, pílula sem hormônios, ensaios clínicos, testes em humanos, fase 1 de testes, fase 2 de testes, NICHD, FDA, medicamentos experimentais, inovação científica, saúde reprodutiva, prevenção da gravidez, métodos contraceptivos, ciência e tecnologia, pesquisa médica, Portal Terra da Luz