

Vinte crianças e adolescentes receberam o Certificado de Superação em Oncologia Pediátrica durante cerimônia no Hospital Infantil Luís França, em Fortaleza. | Foto: divulgação
22 de outubro de 2026 – Vinte crianças e adolescentes celebraram a conclusão de uma etapa importante de suas vidas durante o Ciclo da Superação, realizado no Hospital Infantil Luís França, em Fortaleza. A cerimônia marcou o encerramento do tratamento oncológico dos pacientes, que enfrentaram consultas, internações, cirurgias, quimioterapia e radioterapia até chegar ao momento de tocar o sino que simboliza o fim dessa fase.
Durante o evento, os pacientes receberam o Certificado de Superação em Oncologia Pediátrica, em uma celebração marcada por abraços, lágrimas e demonstrações de alívio. Entre as histórias compartilhadas estavam as de Ana Lívia Maciel, de seis anos, e Davi Rufino, de 14, que agora podem voltar a planejar o futuro para além da rotina hospitalar.
Os certificados levam a assinatura de Luccas Augusto Adib, CEO da Hapvida, e representam o reconhecimento às trajetórias das crianças e de suas famílias ao longo do tratamento.
“Nenhuma criança deveria precisar ser forte tão cedo. A infância deveria ser feita de brincadeiras, descobertas e sonhos, mas essas crianças e suas famílias precisaram enfrentar desafios que ninguém deveria viver. Cada certificado carrega a coragem de quem não desistiu, o amor de quem esteve ao lado e a esperança de voltar a fazer planos”, afirma Luccas.
De acordo com Milena Lima, gerente nacional de Experiência do Paciente da Hapvida e idealizadora do programa, a celebração simboliza a alegria de reconhecer a vida após um período marcado por desafios.
“O câncer na infância, uma fase tão lúdica, afeta o bem-estar dessa criança que, muitas vezes, precisa trocar a brincadeira pelo tratamento. Por isso, festejar a cura é tão significativo pra todos nós”, destaca.
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A história de Ana Lívia começou quando ela tinha cinco anos. A mãe, Gilcirlene Maciel Almeida, de 38 anos, percebeu que a barriga da filha permanecia inchada. A suspeita de que algo não estava bem levou a família a procurar atendimento médico e realizar uma sequência de exames.

O diagnóstico foi de nefroblastoma, com dois tumores. A partir daí, a menina enfrentou um ano e seis meses de tratamento, incluindo cirurgias, quimioterapia, radioterapia e períodos de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Considerada uma paciente de alto risco, Ana Lívia passou por diferentes etapas do tratamento acompanhada pela mãe e por profissionais que se tornaram parte da história da família.
“Cada etapa nesse processo de um ano e seis meses foi um sim de Deus. É um diagnóstico difícil, com um tratamento que não é fácil para o paciente e para a carga emocional do acompanhante. Mas nós vencemos e hoje sou grata a Deus por cuidar de mim e da minha filha”, conta Gilcirlene.
Durante o período, a família precisou lidar com internações, exames, cirurgias, medicamentos e incertezas. Nos momentos mais difíceis, o acolhimento também fez diferença.
“Os dias são pesados e, no meio de tudo isso, há situações em que a gente só precisa de um abraço”, lembra a mãe.
Ela destaca o apoio recebido da equipe hospitalar, especialmente da médica Bruna Cunha de Alcântara, que acompanhou a menina e ajudou a tornar mais suportáveis os momentos de maior tensão.
O certificado entregue a Ana Lívia simboliza o percurso desde a admissão no hospital até o dia em que ela tocou o sino, marcando o encerramento dessa etapa do tratamento.
Aos 14 anos, Davi Rufino também celebrou a conclusão do tratamento contra o linfoma de Hodgkin. A doença foi descoberta depois que a mãe percebeu um pequeno nódulo na perna do adolescente que persistia havia alguns dias. Até então, ele não apresentava sintomas.
Durante o Ciclo da Superação, Davi compartilhou sua experiência e ressaltou a importância de observar alterações no corpo, além do apoio recebido dos pais e dos profissionais do Hospital Infantil Luís França.
“É importante ficar sempre atento. Quando descobrimos, a doença estava na fase inicial, e isso ajudou muito no meu tratamento. Agradeço a Deus pelo livramento e aos meus pais pelo apoio em cada momento. Também sou muito grato a toda a equipe do Hospital Luís França por ter cuidado tão bem de mim”, relata.
O adolescente também deixou uma mensagem para quem continua enfrentando o câncer e destacou a importância da solidariedade.
“Para quem ainda está enfrentando essa batalha, peço que tenha fé e faço um apelo por mais solidariedade, mais amor e mais doações de sangue para tantas pessoas que precisam. Olhem para quem está no hospital, porque todos ali necessitam dessa força”, afirma.
Além dos cuidados médicos, o acompanhamento emocional é parte importante da jornada de crianças e adolescentes com câncer. Para o psicólogo da Hapvida Benevides Silva, a cerimônia representa o reconhecimento de uma caminhada que envolve pacientes, familiares e profissionais de saúde.

“É um reconhecimento de toda a caminhada. Celebrar essa conquista ajuda a criança e a família a ressignificarem uma etapa tão desafiadora”, afirma.
O acolhimento também inclui iniciativas que buscam tornar o ambiente hospitalar mais leve. É o caso da pet terapia realizada por Luciana Atayde, voluntária que leva cães para visitar as crianças internadas.
A iniciativa proporciona momentos de alegria e descontração durante a rotina de consultas e procedimentos. Segundo Luciana, o Hospital Luís França foi o primeiro de Fortaleza a acreditar nesse trabalho.
“Ver como os cães levam alegria e ajudam a tornar o ambiente mais leve para as crianças é muito gratificante. Hoje, a pet terapia já chega a outros espaços da cidade, e é sempre emocionante acompanhar o alcance dessa iniciativa”, destaca.
A conclusão da quimioterapia não significa necessariamente o fim do acompanhamento médico. Cada paciente continua sendo monitorado conforme suas necessidades. O certificado, porém, representa a passagem para uma nova etapa, com a possibilidade de retomar atividades, sonhos e planos.
As histórias celebradas durante o Ciclo da Superação fazem parte da rotina de uma unidade dedicada ao atendimento infantil. O Hospital Luís França também atua como centro de oncologia pediátrica, com equipe própria para acompanhar crianças em diferentes fases do tratamento contra o câncer.

A estrutura conta com 249 médicos e 218 profissionais de enfermagem. O pronto-socorro pediátrico reúne 38 pontos de atendimento, incluindo sala de observação, sala de acolhimento e espaços destinados a cuidados intensivos. O tempo médio entre a chegada do paciente e a avaliação médica é de 20 minutos.
A unidade dispõe ainda de UTI pediátrica, tomografia computadorizada, posto de coleta e centro cirúrgico, responsável por 1.523 cirurgias no último trimestre completo. O hospital também é referência em cirurgia cardíaca pediátrica para pacientes das regiões Norte e Nordeste.
Para a diretora clínica da unidade, Joana Maciel, o atendimento infantil exige atenção tanto às necessidades clínicas quanto aos aspectos emocionais dos pacientes e de suas famílias.
“Cuidar de uma criança exige técnica, mas também acolhimento. Cada etapa vencida é uma conquista compartilhada pela família e por toda a equipe”, afirma.
O Luís França é também o primeiro hospital pediátrico do Brasil a receber três estrelas no Global Hospital Rating, avaliação realizada pela Statista em parceria com a Newsweek, que considera critérios relacionados à qualidade, segurança, tecnologia e estrutura hospitalar.
Para Ana Lívia, Davi Rufino e os outros 18 pacientes, a entrega dos certificados representa o encerramento de uma etapa marcada por desafios. O significado da celebração, no entanto, vai além do fim do tratamento: está na possibilidade de retomar a infância, reunir a família e voltar a fazer planos para o futuro.
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