

Em 2025, a indústria de transformação registrou déficit comercial de US$ 71,3 bilhões, o pior resultado desde 1997, segundo estudo da CNI. | Foto: reprodução
28 de agosto de 2026 – A indústria de transformação brasileira registrou, em 2025, um déficit comercial de US$ 71,3 bilhões, o pior resultado desde 1997, segundo estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), publicado em abril de 2026. O levantamento aponta ainda que o setor respondeu por 54,1% das exportações brasileiras, mas concentrou 92,7% das importações.
O cenário evidencia a dependência da indústria nacional de produtos estrangeiros e reforça os desafios para ampliar a competitividade brasileira. Nesse contexto, a metrologia, ciência das medições e de suas aplicações, é apontada como um dos elementos capazes de contribuir para ganhos de produtividade, redução de desperdícios e melhoria da qualidade.
A Associação Brasileira de Infraestrutura da Qualidade (ABRIQ) defende o fortalecimento dos mecanismos que sustentam a qualidade e a capacidade tecnológica da indústria. A metrologia é um dos pilares da Infraestrutura da Qualidade e contribui para assegurar a confiabilidade, a rastreabilidade e a comparabilidade das medições utilizadas em processos produtivos, ensaios e avaliações de produtos.
Para Mario Francisco Cia, vice-presidente de Metrologia da ABRIQ, ampliar a capacidade metrológica brasileira deve fazer parte da estratégia de competitividade industrial.
“A metrologia é essencial para a competitividade industrial. Não é possível falar em qualidade, produtividade e inovação sem falar em medições confiáveis. Quando uma indústria possui sistemas de medição adequadamente calibrados e processos metrológicos estruturados, ela consegue identificar desvios, reduzir perdas, melhorar seus processos e entregar produtos com maior consistência e qualidade. Isso se torna ainda mais importante quando pensamos na inserção do produto brasileiro em mercados internacionais, que exigem níveis cada vez maiores de precisão e confiabilidade”, afirma.
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A metrologia está presente em diferentes etapas da atividade industrial. Sistemas de medição confiáveis permitem controlar matérias-primas, acompanhar processos produtivos, verificar características dos produtos e identificar desvios antes que eles provoquem perdas, retrabalho ou fabricação de itens fora das especificações.
A aplicação adequada da metrologia industrial pode contribuir para reduzir desperdícios, aumentar a produtividade, melhorar a qualidade, diminuir custos e elevar a eficiência dos processos. A área também oferece suporte à inovação, uma vez que novas tecnologias e processos dependem de medições precisas para serem desenvolvidos, testados e reproduzidos.
“Uma indústria que mede melhor também produz melhor. A confiabilidade das medições permite que a empresa tome decisões com base em dados consistentes, tenha maior controle sobre seus processos e reduza a variabilidade da produção. Isso gera ganhos econômicos diretos e contribui para que os produtos brasileiros atendam a requisitos técnicos cada vez mais exigentes”, explica o vice-presidente da ABRIQ.
A relação entre metrologia e competitividade também aparece na capacidade das empresas brasileiras de atender aos requisitos técnicos de outros países. Medições reconhecidas e rastreáveis internacionalmente são importantes para demonstrar que produtos e processos cumprem os padrões exigidos pelos mercados de destino.
Uma infraestrutura metrológica robusta pode reduzir barreiras técnicas ao comércio e ampliar a confiança nos produtos brasileiros. Para empresas exportadoras, isso pode significar maior previsibilidade, redução de custos relacionados a avaliações repetidas e mais facilidade para comprovar a conformidade dos produtos.
O fortalecimento da metrologia também contribui para a integração do Brasil às cadeias globais de valor. Em segmentos de maior intensidade tecnológica, como os setores automotivo, aeroespacial, eletrônico, químico e de máquinas e equipamentos, a precisão das medições é fundamental para desenvolver produtos competitivos e atender às especificações de grandes mercados consumidores.
A metrologia integra um conjunto mais amplo de mecanismos que compõem a Infraestrutura da Qualidade, ao lado de áreas como normalização, acreditação, avaliação da conformidade, certificação, regulamentação técnica e vigilância de mercado.
Esse sistema cria condições para que produtos e serviços sejam produzidos, avaliados e comercializados com requisitos verificáveis de qualidade, segurança e desempenho. Para a indústria, representa uma base técnica de apoio à melhoria dos processos, à inovação e à inserção nos mercados nacionais e internacionais.
“O debate sobre o déficit da indústria de transformação precisa considerar também os fatores estruturais que determinam a capacidade competitiva das empresas. Fortalecer a Infraestrutura da Qualidade é criar condições para que a indústria produza com mais eficiência, agregue valor e dispute mercados em melhores condições. A metrologia tem papel central nessa agenda porque fornece a base de confiança necessária para medir, comparar, controlar e aprimorar processos e produtos”, destaca o vice-presidente da ABRIQ.
Segundo a ABRIQ, ampliar o acesso das empresas aos serviços metrológicos é especialmente relevante para pequenas e médias indústrias, que podem encontrar dificuldades para estruturar sistemas de medição próprios e acessar laboratórios e serviços especializados.
Serviços de calibração, ensaios e verificações metrológicas, além de apoiar o controle da produção, fornecem evidências técnicas para processos de avaliação da conformidade. Dessa forma, ajudam as empresas a demonstrar que seus produtos atendem às especificações aplicáveis.
O déficit comercial da indústria de transformação reforça a necessidade de ampliar a capacidade competitiva do setor e aumentar a participação de produtos de maior valor agregado nas exportações brasileiras. Nesse processo, qualidade, produtividade, inovação e capacidade tecnológica estão diretamente relacionadas.
Para a ABRIQ, a Infraestrutura da Qualidade deve ser tratada como uma política estratégica para o desenvolvimento industrial, conectando empresas, laboratórios, organismos de avaliação da conformidade, governo e demais participantes do ecossistema produtivo.
“A indústria brasileira precisa de condições para competir não apenas em preço, mas principalmente em qualidade, tecnologia, confiabilidade e produtividade”, conclui Mario Francisco Cia.
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