

Senador Omar Aziz mantém texto aprovado pela Câmara para acelerar tramitação da PEC do fim da escala 6x1 no Senado | Foto: Pedro França/Agência Senado
27 de agosto de 2026 – O senador Omar Aziz (PSD-AM) entregou, nesta quinta-feira (27), à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, relatório favorável à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1.
No parecer, o parlamentar manteve o mesmo texto aprovado pela Câmara dos Deputados.
A estratégia busca agilizar a tramitação da proposta em ano eleitoral e evitar que o texto precise voltar para análise dos deputados.
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A PEC deve ser votada pela CCJ do Senado na próxima semana.
A proposta foi destravada pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que se reaproximou do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas últimas semanas.
Alcolumbre, no entanto, não garantiu que a PEC será levada ao plenário principal do Senado já na próxima semana.
Aliados do governo pressionam para que a votação em plenário ocorra no mesmo dia da análise na CCJ.
Caso o parecer de Omar Aziz seja aprovado no plenário do Senado sem alterações, a PEC não precisará retornar à Câmara dos Deputados.
Dessa forma, o texto poderá ser promulgado pelo Congresso Nacional.
Uma PEC precisa ser aprovada na CCJ e, em seguida, passar por votação em dois turnos no plenário do Senado.
Após a votação em primeiro turno, a regra prevê intervalo de cinco dias úteis para a segunda votação.
Governistas, no entanto, argumentam que, havendo acordo político, a tramitação pode ser acelerada, como já ocorreu em outras propostas votadas pelo Congresso.
A PEC do fim da escala 6×1 estipula jornada semanal de 40 horas de trabalho.
Atualmente, a jornada é de 44 horas semanais.
Com a nova regra, seriam mantidos os limites de 8 horas diárias de trabalho.
A principal mudança é garantir aos trabalhadores dois dias de descanso semanal, sem possibilidade de redução salarial.
Preferencialmente, um desses dias deverá ser o domingo.
Aziz manteve, no relatório, as regras previstas no texto aprovado pela Câmara.
A proposta estabelece uma transição em duas etapas.
Em dois meses, haveria redução da jornada semanal para 42 horas, com dois dias de repouso semanal.
Depois de um ano, a jornada passaria para 40 horas semanais.
No relatório, Omar Aziz defendeu a redução da carga horária e destacou que o limite de 44 horas semanais está em vigor há cerca de 30 anos.
O senador também citou dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), segundo os quais a escala 6×1 afeta mais trabalhadores de menor renda e menor escolaridade.
“A jornada prolongada não é, portanto, fenômeno neutramente distribuído na estrutura produtiva: recai de modo desproporcional sobre os trabalhadores de menor renda e menor escolaridade. Reduzi-la é, nessa exata medida, providência de justiça distributiva, e não apenas de política laboral”, afirma Omar Aziz no relatório.
No Senado, foram apresentadas 12 emendas para tentar alterar o texto da PEC.
Aziz rejeitou todas as mudanças sugeridas pelos parlamentares.
Entre as propostas descartadas estavam três emendas para manter a jornada de 44 horas semanais.
As emendas foram apresentadas pelo senador Izalci Lucas (PL-DF).
O Partido Liberal é crítico ao fim da escala 6×1.
O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, assinou, junto com colegas de partido, uma PEC para instituir um modelo de remuneração por hora de trabalho, com jornada flexível.
O texto, no entanto, está parado no Senado.
Outras emendas também buscavam ampliar o período de transição para até quatro anos.
Essas propostas foram apresentadas pelos senadores Hermer Klann (PL-SC) e Oriovisto Guimarães (PSDB-PR), mas também foram rejeitadas por Omar Aziz.
A discussão sobre o fim da escala 6×1 ganhou força no Congresso em meio ao calendário eleitoral.
A pauta envolve temas como qualidade de vida, tempo de descanso, produtividade, renda e condições de trabalho.
Para defensores da proposta, a mudança representa avanço na proteção dos trabalhadores e na adaptação da legislação trabalhista a novas demandas sociais.
Críticos, por outro lado, apontam possíveis impactos sobre custos das empresas, organização de escalas e funcionamento de setores que dependem de jornadas contínuas.
A próxima etapa será a votação do relatório na CCJ do Senado.
Se aprovado na comissão, o texto seguirá para análise do plenário principal da Casa.
Caso seja aprovado pelos senadores sem mudanças, o texto poderá ser promulgado pelo Congresso Nacional.
Se houver alteração, a PEC terá de retornar à Câmara dos Deputados.
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