

Nova regulamentação vai permitir que consumidores escolham o fornecedor de energia elétrica nos próximos anos | Foto: Agência Brasil
23 de agosto de 2026 – Novas regras do setor elétrico vão permitir que, em breve, todos os consumidores escolham o próprio fornecedor de energia.
O modelo, já adotado por grandes consumidores, permite a negociação direta com comercializadoras e pode abrir espaço para redução de custos e novos serviços de gestão do consumo.
A mudança será implementada de forma gradual e promete alterar a relação dos brasileiros com a conta de luz.
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Uma empresa de logística de São Bernardo do Campo, em São Paulo, pagava cerca de R$ 37 mil por mês de energia elétrica.
Há dois anos, a empresa passou a comprar energia no mercado aberto e conseguiu reduzir a conta em quase 30%.
“Por mês, R$ 10 mil é uma economia gigantesca, R$ 120 mil por ano. Realmente o mercado livre vale muito a pena”, diz Milton Bigucci Junior, diretor técnico da construtora.
Em 2024, grandes consumidores, como indústrias, shoppings e empresas de maior porte, puderam deixar de comprar energia diretamente das distribuidoras.
Com isso, passaram a negociar preços menores com comercializadoras de energia.
Agora, a abertura do mercado será ampliada para consumidores menores.
A partir de novembro do ano que vem, lojas de rua, padarias, restaurantes e outras pequenas empresas terão o direito de escolher de quem vão comprar energia.
Para os consumidores residenciais, a mudança está prevista para novembro de 2028.
A medida é chamada de portabilidade da energia e deve ser implantada ao longo dos próximos dois anos.
Com a mudança, empresas comercializadoras vão comprar energia das geradoras e vender diretamente ao consumidor.
O cliente poderá contratar o fornecedor de energia de sua preferência, com contrato mínimo de 12 meses.
A lógica deve funcionar de forma semelhante ao mercado de telefonia, em que o consumidor escolhe a empresa prestadora do serviço.
A escolha do fornecedor não significa mudança na rede elétrica que chega até casas e empresas.
A distribuição continuará sendo feita pela concessionária responsável por cada cidade, usando a infraestrutura já existente.
Por isso, problemas como quedas de energia não devem ser resolvidos apenas com a troca do fornecedor.
“Constantemente tá tendo bastante queda de energia, entendeu?”, aponta Josilda Lima, auxiliar de limpeza.
A principal expectativa é que a competição entre comercializadoras possa reduzir valores pagos pelos consumidores.
Mas a economia dependerá das condições previstas no contrato assinado por cada cliente.
“Se for economizar bastante, acho que o brasileiro vai gostar”, comenta a atendente Thaís dos Santos.
Para a diretora de operação de mercado da Câmara de Comercialização de Energia (CCEE), Gerusa Côrtes, a concorrência pode favorecer o consumidor.
“Quando você tem um mercado competitivo, existe a perspectiva de um barateamento da conta com a competição que espera-se que seja instalada”, revela Gerusa Côrtes.
Além da venda de energia, as empresas poderão oferecer serviços para ajudar o consumidor a usar eletricidade de forma mais eficiente.
Segundo Gerusa Côrtes, esse tipo de solução já ocorre em outros países.
“Esses comercializadores, eles podem te mandar uma mensagem avisando quais são os melhores horários pra que você consuma essa energia. E isso pode contribuir também com a redução da sua conta”, pondera Gerusa Côrtes.
A portabilidade da energia entrará em vigor de forma gradual.
O período até a implantação total servirá para que consumidores, empresas e o mercado se adaptem às novas regras.
Especialistas recomendam que o consumidor acompanhe as mudanças, compare ofertas e avalie com atenção contratos, prazos, preços e serviços incluídos antes de tomar uma decisão.
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