

Ministro Cristiano Zanin autorizou a Polícia Federal a investigar o ministro Moura Ribeiro (foto), do STJ, em apuração sobre suspeita de venda de sentenças | Foto: Emerson Leal/STJ
23 de julho de 2026 – O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a investigar o ministro Paulo Dias de Moura Ribeiro, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no inquérito que apura suspeitas de venda de sentenças.
Esta é a primeira vez que um magistrado do STJ se torna alvo direto das investigações desde o início da Operação Siamnes, deflagrada em novembro de 2024.
A autorização foi concedida a pedido da Polícia Federal, com aval da Procuradoria-Geral da República (PGR). A informação foi divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela TV Globo.
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A Polícia Federal apresentou ao Supremo suspeitas envolvendo decisões de Moura Ribeiro, incluindo possível favorecimento de pessoas específicas.
Os investigadores querem levantar dados bancários de empresas, familiares do ministro e servidores para aprofundar a apuração.
Em relatório enviado ao STF, a PF afirmou que ainda não há elementos suficientes para concluir se houve participação de servidores ou do próprio ministro nos fatos investigados.
“Vale esclarecer que não se está descartando a possibilidade de o esquema criminoso envolver servidores ou ate o próprio Ministro. O ponto é que, neste estágio inicial da investigação, ainda não há elementos suficientes para concluir se houve ou não participação dessas pessoas nos fatos apurados”, afirmou a Polícia Federal no relatório.
Segundo os investigadores, novas diligências são necessárias para esclarecer o caso.
“Somente com novas diligências e o avanço das investigações será possível alcançar a clareza necessária para esse tipo de conclusão”, prossegue a PF.
A Polícia Federal pretende acompanhar o caminho do dinheiro para verificar se houve pagamento de vantagem indevida e eventual lavagem de capitais.
“Nesse sentido, destacam-se as medidas voltadas à análise do fluxo financeiro, com o objetivo de identificar o caminho do dinheiro, compreender como ocorreu o pagamento de eventual vantagem indevida e verificar possíveis atos de lavagem de capitais”, afirmou a PF.
A análise financeira é considerada uma das frentes centrais da investigação, já que pode indicar vínculos entre decisões judiciais, intermediários, servidores e possíveis beneficiários.
Na decisão de maio, Cristiano Zanin afirmou que a abertura da investigação permitirá uma análise mais ampla sobre supostas atividades criminosas envolvendo servidores, agentes privados ou autoridade com prerrogativa de foro no Supremo.
Segundo o ministro do STF, as diligências requeridas pela Polícia Federal devem permitir avaliar, com mais precisão, a ocorrência de eventuais crimes.
A investigação está no Supremo por causa do foro do ministro Moura Ribeiro.
Zanin também destacou que os novos elementos poderão definir se o caso continuará ou não sob competência da Corte.
Por meio da assessoria do STJ, Moura Ribeiro afirmou desconhecer a existência de investigação instaurada sobre decisões que tenha proferido.
“O Ministro Moura Ribeiro desconhece a existência de investigação instaurada sobre decisões que tenha proferido. O servidor citado pelo jornal atuou como ‘assistente de plenário’ de 30/01/2019 a 16/06/2019, tendo antes trabalhado em outro gabinete, e foi exonerado da função após atuação irregular, a pedido do próprio Ministro”, informou a nota.
A manifestação também defendeu a trajetória do magistrado.
“Magistrado há mais de quatro décadas, o Ministro Moura Ribeiro tem trajetória honrada e enfatiza que são completamente improcedentes quaisquer tentativas de associá-lo a fatos criminosos”, completou a nota enviada pelo STJ.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, denunciou ao Supremo nove investigados, entre operadores e ex-servidores, por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção, exploração de prestígio e violação de sigilo profissional.
Segundo a PGR, há elementos que indicam a atuação de uma organização criminosa entre 2019 e dezembro de 2023 em um esquema de venda de sentenças no Superior Tribunal de Justiça.
Entre os acusados estão o lobista e empresário Andreson de Oliveira Gonçalves, os ex-servidores do STJ Márcio Toledo Pinto e Daimler Alberto de Campos, além de supostos operadores financeiros do grupo e pessoas que teriam sido beneficiadas por decisões judiciais investigadas.
De acordo com a denúncia da PGR, Andreson de Oliveira Gonçalves era peça central do esquema e atuava como “principal eixo de intermediação junto aos Tribunais sediados em Brasília”.
A acusação aponta que ele produzia ou mandava produzir minutas apócrifas de decisões judiciais para reforçar narrativas apresentadas a interessados.
Segundo a PGR, esse material era usado para dar aparência de urgência aos casos e sustentar a cobrança de vantagens indevidas.
O lobista também teria demandado servidores do STJ por meio de trocas de e-mails.
A Procuradoria afirma que os ex-servidores Márcio Toledo Pinto e Daimler Alberto de Campos viabilizavam acesso a minutas de decisões cadastradas no sistema interno do STJ.
Eles também teriam orientado e, em determinadas ocasiões, elaborado textos alinhados ao resultado pretendido pela organização.
A acusação ainda aponta repasse de informações processuais protegidas por sigilo a outros integrantes do grupo.
Para a PGR, essas condutas faziam parte da estrutura que sustentava o suposto esquema de exploração de prestígio e venda de decisões.
A Procuradoria-Geral da República também aponta a existência de uma rede sofisticada de operações financeiras para lavagem de dinheiro.
Segundo a acusação, uma das empresas ligadas ao lobista teria repassado R$ 4 milhões para uma empresa da mulher de um dos servidores do STJ entre 2021 e 2023.
A PGR afirma ter identificado saques em dinheiro, mensagens e e-mails que sustentam a denúncia.
As informações agora devem ser aprofundadas com novas diligências autorizadas no âmbito do Supremo.
A autorização para investigar um ministro do STJ amplia a repercussão institucional da Operação Siamnes.
O caso envolve suspeitas graves sobre eventual venda de decisões judiciais, exploração de prestígio, corrupção, violação de sigilo profissional e lavagem de dinheiro.
A apuração ainda está em fase inicial em relação ao ministro Moura Ribeiro, e a própria Polícia Federal afirma que novas diligências serão necessárias para determinar se houve participação de servidores, agentes privados ou autoridade com foro no STF.
A investigação deve seguir sob acompanhamento do Supremo enquanto houver relação com autoridade com prerrogativa de foro.
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