

Bombeiros seguem no resfriamento de tanque da Innova, em Manaus, após vazamento de produto químico que levou centenas de pessoas a buscar atendimento médico | Foto: Gato Jr/Rede Amazônica
18 de julho de 2026 – O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) completou, na manhã deste sábado (18), mais de 60 horas consecutivas de trabalho no resfriamento dos tanques da fábrica da empresa Innova, localizada no Distrito Industrial, na Zona Sul de Manaus.
A operação começou no fim da tarde de quarta-feira (15), após o vazamento de monômero de estireno, substância química altamente inflamável e tóxica usada na fabricação de plásticos e borrachas.
Segundo informações apuradas pela Rede Amazônica, os trabalhos de contenção apresentaram evolução neste sábado. A liberação de vapores perdeu força e a fumaça que saía do reservatório cedeu, ficando quase invisível. No entanto, o odor forte do produto químico ainda é perceptível nas imediações da fábrica, e as equipes permanecem em alerta.
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Por segurança, o perímetro de aproximadamente 300 metros ao redor da empresa continua isolado. Apenas equipes envolvidas diretamente na operação têm acesso ao local, incluindo Corpo de Bombeiros, Polícia Militar do Amazonas, Defesa Civil e órgãos de saúde.
Os bombeiros seguem resfriando a parte externa do tanque e monitorando a temperatura interna do reservatório com equipamentos a laser.
O objetivo é impedir que o produto volte a atingir níveis capazes de provocar explosão ou incêndio.
Segundo o Governo do Amazonas, 35 militares participaram dos primeiros trabalhos de contenção após o acionamento feito pela empresa.
O vazamento na Innova foi registrado às 17h36 de quarta-feira (15), depois que o produto armazenado em um reservatório apresentou elevação anormal de temperatura.
O monômero de estireno liberado no incidente é considerado tóxico e pode provocar sintomas respiratórios e neurológicos, dependendo do tempo e do nível de exposição.
A principal hipótese apontada pelos bombeiros é de uma reação espontânea dentro do tanque.
“Tudo caminha para uma reação espontânea no interior do tanque. Uma vez que a molécula do estireno se quebra, ocorre uma reação em cadeia que vai superaquecendo o produto”, explicou o coronel responsável pela operação.
Segundo ele, se as válvulas de segurança não fossem acionadas, a reação poderia provocar explosão ou incêndio.
“No caso específico da Innova, houve a liberação das válvulas de segurança do tanque. Foi isso que provocou o vazamento observado em jatos verticais, porque o produto estava submetido a alta pressão no interior do reservatório”, afirmou.
Até o fim da tarde de sexta-feira (17), a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) confirmou que 211 pacientes haviam buscado atendimento na rede pública de saúde com sintomas associados à inalação do gás.
Além da rede estadual, 147 pessoas foram atendidas em um hospital privado e outras 57 em unidades de saúde da Prefeitura de Manaus.
Ao todo, pelo menos 411 pessoas receberam atendimento médico após exposição ao produto químico.
A SES-AM também registrou a morte de um homem de 67 anos que procurou atendimento após relatar mal-estar relacionado aos efeitos do vazamento.
A pasta informou, no entanto, que o paciente tinha histórico de doença respiratória crônica e que não foi constatada relação direta entre o óbito e a ocorrência.
Durante vistorias técnicas realizadas no reservatório, foram identificadas pequenas fissuras na estrutura externa do tanque que armazenava o monômero de estireno.
O aparecimento das rachaduras é atribuído à elevação anormal e extrema da temperatura interna do produto químico registrada no início do vazamento.
Engenheiros da empresa e especialistas do Corpo de Bombeiros acompanham as deformidades em tempo real para garantir que não haja novos vazamentos do líquido ou agravamento do comprometimento estrutural.
O monitoramento é considerado decisivo nas etapas finais de resfriamento.
Em razão da gravidade do incidente e dos riscos ainda presentes no local, órgãos de fiscalização e proteção ambiental determinaram a interdição parcial das instalações da fábrica Innova.
A medida busca paralisar as atividades nas áreas diretamente afetadas pelo vazamento e garantir a segurança de trabalhadores, técnicos, peritos e equipes de contenção.
A retomada total das operações da planta industrial está condicionada à eliminação completa do risco de novas reações químicas e à apresentação de laudos técnicos que comprovem a estabilidade da área.
O Pronto Atendimento ao Cidadão (PAC) Studio 5, que havia interrompido os serviços na quinta-feira (16), retomou o funcionamento na sexta-feira (17).
Após a liberação da área pelo Corpo de Bombeiros, a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), com apoio da Polícia Técnico-Científica, realizará perícia para apurar as causas do acidente.
A investigação deverá avaliar as condições do tanque, o comportamento químico do produto, a operação do sistema de segurança e os procedimentos adotados antes e depois do vazamento.
A empresa localizada ao lado da Innova foi evacuada logo após a ocorrência, segundo o Corpo de Bombeiros.
O isolamento permanece como medida preventiva enquanto durar o trabalho de resfriamento e monitoramento.
A Innova foi multada em quase R$ 10 milhões pela Prefeitura de Manaus após inspeções técnicas realizadas por uma força-tarefa formada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) e Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil (Sepdec).
Na sexta-feira (17), a empresa foi autuada em 35 mil Unidades Fiscais do Município (UFMs), o equivalente a R$ 5.347.300, por poluição do solo e de corpo hídrico.
A prefeitura informou que identificou, com auxílio de drones equipados com câmeras térmicas, fissuras em parte do tanque e continuidade do vazamento.
Na quinta-feira (16), a administração municipal já havia aplicado outra multa, de 30 mil UFMs, equivalente a R$ 4.554.300, por poluição do ar causada pela emissão de gases.
Somadas, as duas autuações chegam a R$ 9.901.600. Os recursos arrecadados com as multas serão destinados ao Fundo Municipal para o Desenvolvimento e Meio Ambiente (FMDMA).
Em nota divulgada ainda na quarta-feira (15), a Innova informou que a ocorrência foi controlada conforme os protocolos de emergência da companhia e que todo o resíduo gerado foi armazenado para tratamento adequado.
“A situação foi prontamente contida de acordo com os procedimentos de emergência estabelecidos pela Companhia”, informou a empresa.
A Innova também afirmou que não houve incêndio, vazamento de produto líquido para fora da área de contenção nem registro de vítimas.
A companhia declarou ainda que não há risco de desabastecimento para clientes e que permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) acompanha a execução do Plano de Ação de Emergência da empresa e fiscaliza as medidas adotadas para minimizar possíveis impactos ambientais. Segundo o órgão, a licença de operação da companhia é válida até outubro de 2026.
A Defesa Civil informou que as medições realizadas nas áreas próximas à ocorrência apontam concentrações inferiores a 20 partes por milhão (ppm).
Segundo o órgão, não foram identificadas alterações que indiquem agravamento das condições da qualidade do ar nas áreas monitoradas.
Mesmo assim, a orientação é que a população continue atenta a sintomas e siga as recomendações das autoridades de saúde e segurança.
A SES-AM orienta que pessoas com sintomas como irritação nos olhos, dor de garganta, falta de ar, tontura, náusea, dor de cabeça, sonolência, confusão mental ou perda de consciência procurem uma unidade de saúde.
Em casos de urgência, a população deve acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pelo telefone 192.
A Defesa Civil recomenda que moradores das áreas afetadas permaneçam em locais abertos e ventilados, mantenham portas e janelas abertas para favorecer a circulação do ar e desliguem aparelhos que captem ar do ambiente externo, como ar-condicionado e sistemas de ventilação.
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