

Lula afirma que Brasil deve manter negociação firme com os Estados Unidos diante de possível tarifa sobre produtos brasileiros | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
13 de julho de 2026 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (13) que o Brasil precisa manter firmeza nas negociações com os Estados Unidos diante da possibilidade de aplicação de uma nova tarifa contra produtos brasileiros.
A declaração ocorre em uma semana considerada decisiva para o governo federal. A administração norte-americana deve definir até quarta-feira (15) se aplicará uma taxa de 25% contra o Brasil com base em investigação comercial da chamada Seção 301.
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Lula reuniu ministros na semana anterior para avaliar a estratégia brasileira na reta final das negociações.
Segundo interlocutores do Planalto, o governo decidiu manter a negociação técnica com os Estados Unidos, mas sem fazer concessões consideradas injustificadas pela equipe brasileira.
A avaliação interna é que temas sensíveis, como tarifas relacionadas ao etanol, não devem entrar na mesa de negociação apenas para evitar a medida norte-americana.
Durante agenda em São Paulo, Lula comentou a necessidade de mudar o modelo de combustíveis no mundo e mencionou o presidente norte-americano Donald Trump ao tratar da agenda climática.
“A gente tem que brigar para fazer com que o mundo adote um outro modelo de combustível”, afirmou Lula.
A fala ocorreu em visita à Divisão de Motores e Veículos do Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano do Sul.
O presidente também afirmou que, sem reação, o país pode sair prejudicado nas negociações internacionais.
A possível tarifa de 25% preocupa setores da indústria, do agronegócio e do comércio exterior.
A medida poderia afetar empresas exportadoras, reduzir competitividade de produtos brasileiros e criar novas tensões na relação bilateral.
O governo brasileiro tenta evitar a aplicação da taxa por meio de diálogo técnico e diplomático.
No entanto, integrantes do Planalto reconhecem que o cenário segue difícil.
O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que ainda há distância entre as posições dos dois países.
“Tenho conversado com os brasileiros. Temos tentado negociar. Acredito que ainda há uma grande distância entre nós; portanto, vocês verão uma decisão final sobre o Brasil muito em breve, pois temos um prazo legal que se encerra em 15 de julho”, disse Greer.
A declaração aumentou a cautela em Brasília, embora o governo ainda considere possível uma prorrogação do prazo ou uma saída negociada.
A estratégia do governo Lula é sustentar uma postura de negociação sem aceitar exigências que possam ser vistas como desequilibradas.
O Planalto avalia que ceder em pontos considerados centrais poderia abrir precedente negativo para futuras negociações comerciais.
Ao mesmo tempo, o governo tenta preservar setores produtivos que podem ser diretamente afetados por uma eventual tarifa.
A disputa comercial também tem reflexos políticos.
Em ano eleitoral, a relação com os Estados Unidos se tornou tema sensível no debate nacional, especialmente porque envolve indústria, agro, combustíveis, empregos e soberania econômica.
O governo tenta apresentar a defesa dos interesses brasileiros como uma pauta de Estado, e não apenas como disputa partidária.
Empresários, exportadores e representantes de setores produtivos acompanham o desfecho com preocupação.
A expectativa é que os Estados Unidos anunciem a decisão até quarta-feira (15).
Caso a tarifa seja confirmada, o Brasil poderá avaliar medidas diplomáticas, recursos técnicos e eventuais respostas comerciais.
Se houver adiamento, o governo ganhará mais tempo para tentar construir uma solução negociada.
Até lá, Brasília seguirá em alerta, tentando equilibrar firmeza política, negociação diplomática e proteção aos interesses econômicos nacionais.
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