

Fóssil encontrado no Rio Grande do Sul revela espécie que viveu há 240 milhões de anos e ajuda a compreender a origem dos ancestrais dos dinossauros e crocodilos. | Foto: Matheus Fernandes
09 de julho de 2026 – Uma descoberta realizada no Rio Grande do Sul está ajudando a reescrever parte da história da evolução dos vertebrados terrestres. Pesquisadores identificaram uma nova espécie de réptil que viveu há aproximadamente 240 milhões de anos, muito antes da ascensão dos dinossauros e do surgimento dos crocodilos modernos.
Batizado de Silescelida acristata, o animal foi encontrado em rochas do município de Dona Francisca, na região central do estado, área integrante do Geoparque Quarta Colônia, reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
O estudo foi desenvolvido por pesquisadores do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (CAPPA), da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em parceria com cientistas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Os resultados foram publicados na revista científica Scientific Reports.
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O Silescelida acristata habitou a Terra durante o Período Triássico Médio, quando os ecossistemas ainda se recuperavam da extinção em massa ocorrida cerca de 252 milhões de anos atrás, considerada a maior da história do planeta.
Naquele período, diferentes grupos de répteis começaram a ocupar novos ambientes e desenvolver características que, milhões de anos depois, dariam origem aos grandes arcossauros — grupo que inclui dinossauros, crocodilos e, posteriormente, as aves.
Segundo os pesquisadores, o animal possuía corpo esguio, locomovia-se sobre quatro patas e tinha tamanho semelhante ao de um pequeno jacaré. Embora não fosse um dinossauro, fazia parte de uma linhagem muito próxima dos ancestrais desses animais.
A alimentação provavelmente era composta por pequenos vertebrados, indicando que ocupava o papel de predador de pequeno porte nos ecossistemas do Sul do Brasil.
Mesmo preservando principalmente ossos dos membros, o fóssil forneceu informações valiosas para os cientistas.
Uma das principais características está no fêmur, que indica uma postura mais semi-ereta, com as pernas posicionadas mais abaixo do corpo do que lateralmente. Essa adaptação tornou a locomoção mais eficiente e representa uma etapa importante na evolução que mais tarde favoreceria o sucesso dos dinossauros e crocodilos.
A descoberta ajuda os pesquisadores a compreender melhor como esses grupos desenvolveram novas formas de movimentação e adaptação aos ambientes terrestres.
As análises também indicam que a espécie possui parentesco com os Euparkeriidae, um grupo raro de arcossauriformes ainda pouco conhecido pela ciência.
Até então, fósseis desse grupo haviam sido registrados principalmente na África, Ásia e Europa. A descoberta no Brasil amplia significativamente a distribuição geográfica conhecida desses animais e reforça a importância da América do Sul para os estudos sobre a evolução dos grandes vertebrados terrestres.
A descrição da nova espécie também guarda uma história curiosa.
Parte do fóssil permaneceu perdida por mais de duas décadas, justamente o fragmento que continha informações essenciais sobre sua origem.
Somente em 2022, durante uma visita técnica à coleção científica da PUCRS, pesquisadores localizaram o material desaparecido, permitindo confirmar a procedência do espécime e concluir sua descrição científica.
O nome Silescelida faz referência ao longo período em que parte do fóssil permaneceu “em silêncio”, enquanto acristata significa “sem crista”, característica relacionada à anatomia do fêmur, que diferencia a espécie de seus parentes mais próximos.
Para os pesquisadores, a descoberta demonstra que a história evolutiva dos arcossauriformes foi muito mais complexa do que se imaginava.
Além de ampliar o conhecimento sobre os ancestrais dos dinossauros e crocodilos, o estudo reforça a importância do Rio Grande do Sul como um dos principais centros mundiais para pesquisas sobre a fauna do Período Triássico.
As formações geológicas da região preservam fósseis fundamentais para compreender como a vida se reorganizou após a maior extinção em massa da Terra e como surgiram alguns dos grupos de animais que dominaram os continentes milhões de anos depois.
O trabalho evidencia ainda o papel da paleontologia brasileira na produção de conhecimento científico internacional e mostra que até mesmo fósseis fragmentados podem revelar informações decisivas sobre a história da vida no planeta.
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Tags: paleontologia, fóssil, dinossauros, crocodilos, Rio Grande do Sul, Dona Francisca, Geoparque Quarta Colônia, Unesco, Triássico, arcossauriformes, evolução, ciência, UFSM, UFRGS, PUCRS, Scientific Reports, biodiversidade, pesquisa científica, Brasil, Portal Terra da Luz.