

Empresas brasileiras buscam estratégias de gestão de riscos e continuidade dos negócios para reduzir impactos de crises e interrupções operacionais | Foto: divulgação
29 de maio de 2026 – A alta taxa de mortalidade empresarial no Brasil acende um alerta para a importância do planejamento, da prevenção e da gestão de riscos nas organizações. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que aproximadamente 20% das empresas encerram as atividades ainda no primeiro ano de funcionamento. Em até cinco anos, o percentual de negócios que fecham as portas chega a 62,7%.
O cenário evidencia os desafios enfrentados por empresas diante de crises econômicas, interrupções operacionais, desastres naturais, falhas tecnológicas, ataques cibernéticos e outros incidentes capazes de comprometer a continuidade das operações.
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Para a Associação Brasileira de Infraestrutura da Qualidade (ABRIQ), a adoção da ISO 22301, norma internacional voltada ao Sistema de Gestão de Continuidade de Negócios (SGCN), pode ser um diferencial estratégico para ampliar a resiliência e a capacidade de resposta das organizações.
A norma estabelece diretrizes para que empresas identifiquem riscos, avaliem impactos e implementem processos capazes de manter produtos e serviços essenciais em funcionamento mesmo em situações adversas. Além disso, permite a certificação por organismos independentes, demonstrando ao mercado o compromisso da organização com a continuidade operacional e a gestão estruturada de riscos.
“Em um ambiente de negócios cada vez mais instável e sujeito a interrupções inesperadas, a ISO 22301 oferece às organizações uma estrutura sólida para prevenir impactos, responder de forma eficiente a incidentes e garantir a continuidade das atividades essenciais. Trata-se de um investimento estratégico na sustentabilidade e na sobrevivência dos negócios”, afirma José Joaquim Ferreira, vice-presidente de Sistemas e Pessoas da ABRIQ.
De acordo com a norma, interrupções podem ocorrer de forma prevista ou inesperada e provocar desvios negativos na entrega de produtos e serviços, afetando diretamente os objetivos organizacionais.
Nesse contexto, a ISO 22301 orienta as empresas na criação de sistemas de gestão capazes de monitorar riscos, definir atividades prioritárias, documentar processos críticos e estabelecer planos de resposta e recuperação.
Entre os benefícios da implementação estão a redução de perdas financeiras, a diminuição do tempo de paralisação das operações, o fortalecimento da confiança de clientes e parceiros e a melhoria da capacidade de reação diante de crises. A norma também contribui para o alinhamento entre liderança, equipes e partes interessadas, promovendo mais eficiência operacional e governança.
A gestão da continuidade deixou de ser uma preocupação restrita às grandes corporações. Em um ambiente de negócios cada vez mais digital, competitivo e vulnerável a interrupções, pequenas, médias e grandes empresas precisam estar preparadas para preservar operações, reputação e sustentabilidade financeira.
“A continuidade dos negócios deixou de ser apenas uma preocupação das grandes corporações. Hoje, empresas de todos os portes precisam estar preparadas para lidar com incidentes que podem comprometer suas operações, sua reputação e até sua permanência no mercado. A certificação com a ISO 22301 demonstra maturidade organizacional e reforça a confiança junto a clientes, investidores e parceiros”, complementa Ferreira.
A ISO 22301 define continuidade de negócios como a capacidade da organização de manter a entrega de produtos e serviços em níveis aceitáveis durante uma interrupção. Para isso, a norma estabelece requisitos voltados à identificação de riscos, ao monitoramento de processos, à definição de recursos críticos, à gestão de informações documentadas e à implementação de ações preventivas e corretivas.
O modelo também incentiva o envolvimento da alta administração e o monitoramento contínuo do desempenho do sistema de gestão, fortalecendo uma cultura organizacional voltada à prevenção, à resiliência e à rápida recuperação diante de incidentes.
A Associação Brasileira de Infraestrutura da Qualidade (ABRIQ) foi criada para transformar ciência, normas e dados confiáveis em valor público. A entidade atua para elevar a segurança do consumidor, reduzir custos de conformidade, acelerar a inovação e a abertura de mercados e promover práticas responsáveis por meio da integração entre metrologia, normalização, avaliação da conformidade, acreditação, certificação e vigilância de mercado, em parceria com governo, reguladores, setor produtivo, academia e defesa do consumidor.
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