

Pesquisadores desenvolvem terapia com células-tronco para combater complicações após transplante de medula. | Foto: Gian Galani/PUC PR
25 de maio de 2026 – Pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) estão desenvolvendo uma terapia avançada com células-tronco para combater complicações graves causadas após transplantes de medula óssea. O tratamento experimental já apresentou resultados promissores no controle da doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH), condição que pode levar pacientes à morte.
A DECH ocorre quando células imunológicas da medula doada atacam o organismo do receptor, reconhecendo-o como estranho.
Os sintomas podem surgir nos primeiros 100 dias após o transplante, caracterizando a forma aguda da doença, ou aparecer anos depois, na versão crônica.
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Nos casos agudos, a doença costuma atingir principalmente a pele, o sistema gastrointestinal e o fígado, provocando sintomas como:
Já na forma crônica, a enfermidade pode comprometer diversas partes do corpo, causando rigidez nos movimentos, dificuldades respiratórias e úlceras.
O tratamento tradicional utiliza corticosteroides e medicamentos imunossupressores, mas muitos pacientes apresentam resistência aos remédios convencionais.
A nova terapia, chamada MesenCell, utiliza células-tronco mesenquimais retiradas da medula óssea de doadores, processadas em laboratório e armazenadas até o uso.
Segundo a coordenadora do projeto e responsável técnica do Centro de Tecnologia Celular da PUCPR, Carmen Kuniyoshi Rebelatto, a proposta é agir diretamente na origem da doença.
“Quem ataca principalmente são as células do tipo T e B, e a nossa terapia diminui a proliferação dessas células. É um efeito que a gente consegue ver até em laboratório”, explicou.
“Ela atua na base, liberando alguns fatores solúveis que vão modular todo o sistema imunológico do paciente, diminuindo a proliferação dessas células e melhorando toda a inflamação”, acrescentou Carmen.
O grupo de pesquisa já realizou um estudo-piloto com 11 pacientes diagnosticados com DECH crônica.
Os resultados apontaram:
A pesquisadora destacou ainda que a terapia conseguiu reverter casos severos de endurecimento da pele.
“Esses pacientes desenvolvem esclerodermia, uma deposição de fibroblastos na pele, e ela fica endurecida, como se fosse uma carapaça. A gente conseguiu reverter esse processo”, afirmou.
A próxima fase dos testes clínicos terá início em setembro e contará com 20 pacientes.
Os estudos serão realizados em três hospitais de referência no Paraná:
A pesquisa é financiada pela Finep e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Posteriormente, os pesquisadores pretendem buscar parceria com a indústria farmacêutica para viabilizar a produção em larga escala da terapia.
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