

Donald Trump volta à China pela primeira vez desde 2017 em meio a tensões comerciais, sanções e disputas geopolíticas entre Washington e Pequim | Foto: Divulgação/Arquivos da Casa Branca/08-11-2017
14 de maio de 2026 – Donald Trump volta a visitar a China pela primeira vez desde 2017, em um cenário bem diferente daquele registrado durante sua primeira passagem oficial pelo país asiático. A nova viagem ocorre em meio a um ambiente de tensão diplomática, disputas comerciais, imposição de tarifas, sanções e divergências geopolíticas entre Estados Unidos e China.
A visita acontece em uma fase considerada de “cessar-fogo tenso” na segunda guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo. Os conflitos comerciais foram iniciados no primeiro mandato de Trump, em 2018, e retomados em 2025, com novas medidas tarifárias e sanções.
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Em novembro de 2017, Trump foi recebido na China em uma visita marcada por expectativas econômicas. Na ocasião, o então presidente dos Estados Unidos levou na comitiva negociadores oficiais, secretários e CEOs de grandes companhias americanas.
O resultado foi o anúncio de 37 acordos entre empresas dos dois países, com valor superior a US$ 250 bilhões. A China também assumiu o compromisso de comprar US$ 200 bilhões em produtos americanos até 2021.
Apesar dos anúncios, a realidade se mostrou mais complexa. A promessa de reduzir o déficit comercial dos Estados Unidos com a China não avançou como esperado. Também não houve progresso significativo em temas políticos sensíveis, como Hong Kong, Taiwan e direitos humanos.
Nos anos seguintes, a relação entre Washington e Pequim foi impactada por novos fatores. A pandemia de Covid-19 agravou o clima diplomático, especialmente depois de Trump se referir repetidas vezes ao novo coronavírus como “vírus chinês”.
Mais recentemente, a China também foi afetada pela interrupção do transporte marítimo no Estreito de Ormuz, uma das consequências da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. O episódio aprofundou a distância entre os interesses estratégicos das duas potências.
Após a visita de 2017, o governo Trump passou a adotar ordens executivas com sanções a empresas e pessoas ligadas à China, além de elevar tarifas sobre diversos produtos.
Entre 2017 e 2021, a gestão Trump emitiu oito ordens executivas envolvendo principalmente a China. Outras sete medidas, embora não tivessem o país asiático como alvo explícito, afetaram áreas importantes da relação entre Washington e Pequim.
Além disso, uma comissão do Congresso identificou 116 medidas relacionadas à China adotadas pela Casa Branca e por outros órgãos do Executivo americano naquele período.
Na área comercial, entre julho de 2018 e agosto de 2019, os Estados Unidos anunciaram tarifas sobre mais de US$ 550 bilhões em produtos chineses. Em resposta, a China retaliou com tarifas sobre mais de US$ 185 bilhões em produtos americanos.
Durante o governo de Joe Biden, a relação entre os dois países não apresentou melhora expressiva, embora também não tenha havido uma escalada aberta nos mesmos moldes da primeira guerra tarifária de Trump.
A tarifa média dos Estados Unidos sobre exportações chinesas passou de 19,3% para 20,7%. A estratégia de Biden priorizou incentivos à produção local, especialmente em setores estratégicos, como o de chips.
O discurso diplomático passou a usar termos menos antagônicos, como cooperação e competição. Mesmo assim, a disputa tecnológica, econômica e geopolítica permaneceu no centro da relação bilateral.
Com o início da nova gestão Trump, em 2025, a guerra comercial aberta voltou ao centro da política externa americana. Segundo cálculos do Petersen Institute for International Economics, as tarifas dos Estados Unidos sobre a China são hoje mais de 15 vezes maiores do que antes do início da primeira guerra tarifária, em 2018.
O aumento da tarifa média dos Estados Unidos sobre importações chinesas no segundo mandato de Trump chegou a 26,8 pontos percentuais, patamar superior ao registrado durante todo o primeiro governo Trump.
Além das disputas comerciais, Taiwan permanece como um dos temas mais delicados da relação entre Estados Unidos e China. Países asiáticos acompanham com atenção os movimentos de Washington e Pequim, temendo tanto uma escalada militar quanto um acordo que possa alterar o equilíbrio regional.
Em análise publicada na revista Foreign Affairs, Henrietta Levin, pesquisadora sênior do Center for Strategic and International Studies (CSIS), avalia que os Estados Unidos têm buscado usar a diplomacia com a China para tranquilizar parceiros internacionais.
“Essa mensagem foi vital para construir confiança com parceiros que temiam, por um lado, que as tensões entre EUA e China se transformassem em conflito, e, por outro, que Washington e Pequim fechassem um acordo às custas de outros países”, comenta.
Segundo a pesquisadora, países da Ásia não querem que os Estados Unidos elevem as tensões em torno de Taiwan a ponto de tornar um conflito mais provável. Ao mesmo tempo, também não desejam um acordo entre Washington e Pequim que facilite maior controle chinês sobre a ilha.
A nova visita de Trump à China ocorre, portanto, em um ambiente de desconfiança mútua, pressão econômica e disputas estratégicas. Ao mesmo tempo em que os dois países tentam evitar uma escalada descontrolada, as divergências sobre comércio, tecnologia, segurança regional e influência global seguem no centro da agenda.
O encontro deve ser acompanhado de perto por governos, investidores e organismos internacionais, diante do impacto que qualquer decisão entre Estados Unidos e China pode ter sobre a economia mundial.
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