

Discurso ocorreu durante sessão do Tribunal de Justiça do Pará que debateu impactos de decisão do STF sobre benefícios | Foto: reprodução
21 de abril de 2026 – A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que limitou o pagamento de verbas indenizatórias, conhecidas como “penduricalhos”, provocou reações dentro da magistratura. Durante sessão no Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), a desembargadora Eva do Amaral Coelho afirmou que a categoria enfrenta uma situação de forte pressão financeira e institucional.
A magistrada chegou a dizer que, diante das mudanças, os juízes podem enfrentar dificuldades severas no futuro. “Daqui a pouco a gente vai estar no hall daqueles funcionários que trabalham em regime de escravidão”, declarou durante sessão da 3ª Turma de Direito Penal.
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As declarações ocorreram após o STF estabelecer critérios mais rígidos para o pagamento de auxílios e benefícios a magistrados e membros do Ministério Público. A medida busca padronizar os repasses e ampliar a transparência, enquanto o Congresso não aprova legislação específica sobre o tema.
A desembargadora destacou a perda de benefícios anteriormente concedidos. “Nós não temos direito mais a auxílio alimentação, não temos direito a receber uma gratificação por direção de foro”, afirmou.
Ela também relatou um cenário de insegurança entre os profissionais. “Hoje a gente vive uma tensão enorme, porque não teremos, em algum tempo, como pagar nossas contas”, disse.
Durante a sessão, Eva do Amaral Coelho defendeu a rotina de trabalho dos juízes e desembargadores, destacando a carga de atividades fora do expediente formal.
“Nós de plantão não estamos aqui, estamos trabalhando em casa e fora os dias que se trabalha à noite revisando votos”, explicou.
A magistrada ainda criticou a percepção pública sobre a categoria. “Os juízes hoje estão sendo vistos como bandidos, como pessoas sem escrúpulos”, declarou.
Segundo dados do Portal da Transparência, a desembargadora recebeu remuneração bruta de R$ 117,8 mil em março de 2026.
O STF definiu quais verbas indenizatórias podem ser pagas acima do teto constitucional, estabelecendo critérios mais claros e exigindo maior transparência.
A Corte também determinou que os valores autorizados deverão seguir normas conjuntas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).
A discussão segue em aberto e deve avançar no Congresso Nacional, responsável por regulamentar definitivamente o tema.
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Tags: STF, Judiciário, desembargadora, TJPA, penduricalhos, magistratura, benefícios, CNJ, CNMP, transparência, salários do Judiciário, Ministério Público, Brasil política, justiça, Portal Terra Da Luz