

Imagens cerebrais mostram aumento da dopamina após terapia celular em pacientes com Parkinson | Foto: reproduçã/Fantástico/TV Globo
20 de abril de 2026 – Uma pesquisa conduzida pela Universidade de Kyoto, no Japão, trouxe novos avanços no tratamento da doença de Parkinson ao utilizar terapia celular para estimular a produção de dopamina no cérebro. Os resultados iniciais apontam melhora significativa nos sintomas motores de pacientes submetidos ao procedimento.
O estudo, que envolve medicina regenerativa, foi realizado com sete voluntários e apresentou resultados considerados inéditos na área. Imagens cerebrais revelaram aumento da dopamina em regiões afetadas pela doença dois anos após o transplante de células.
>>>SIGA O YOUTUBE DO PORTAL TERRA DA LUZ <<<
A técnica utilizada se baseia em uma descoberta do pesquisador japonês Shinya Yamanaka, vencedor do Prêmio Nobel de Medicina em 2012. Ele demonstrou que células adultas podem ser reprogramadas para um estado semelhante ao de células-tronco, permitindo sua transformação em diferentes tipos celulares.
No caso do Parkinson, essas células são convertidas em neurônios produtores de dopamina — substância essencial para funções como movimento, memória, atenção e humor. A redução desses neurônios é a principal causa dos sintomas da doença.
“Primeiro você pega amostra de sangue de doadores. Então, as transformamos em células neurônios produtores de dopamina. Usamos dez milhões de células”, explicou Jun Takahashi, responsável pelo estudo.
Durante o procedimento, essas células são implantadas em uma área profunda do cérebro chamada putâmen, por meio de cirurgia minimamente invasiva. A expectativa é que elas passem a produzir dopamina de forma contínua.
Após o transplante, exames mostraram aumento significativo da dopamina nas áreas tratadas. Os pacientes, com idades entre 50 e 70 anos, apresentaram melhora média de 20% nos sintomas motores, com alguns casos chegando a até 50% de evolução em dois anos.
O neurologista brasileiro Rubens Cury destacou a relevância do estudo. “É o primeiro trabalho que, de fato, mostrou uma viabilidade clínica de se usar a célula-tronco. Você tem, há mais de 20 anos, pesquisas com célula-tronco e doença de Parkinson, mas as pesquisas iniciais, infelizmente, não foram bem”, afirmou.
Segundo os pesquisadores, a nova terapia ainda não representa a cura da doença, mas abre caminho para tratamentos mais eficazes. Atualmente, a técnica é indicada para pacientes com mais de cinco anos de diagnóstico e que não respondem adequadamente aos medicamentos convencionais.
A próxima etapa do estudo prevê a ampliação do número de participantes para 35 pessoas, além de acompanhamento a longo prazo para avaliação da segurança e eficácia do tratamento.
Leia também | Drenagem amplia capacidade hídrica em Fortaleza
Tags: Parkinson, terapia celular, células-tronco, dopamina, Universidade de Kyoto, medicina regenerativa, neurologia, saúde, pesquisa científica, Japão, tratamento Parkinson, inovação médica, transplante celular, doença neurodegenerativa, Shinya Yamanaka, ciência, saúde global, Portal Terra Da Luz