

Consumidores fazem compras em supermercado enquanto indicadores econômicos apontam estabilidade nas projeções de inflação e crescimento do PIB no Brasil | Foto: REUTERS/Sergio Moraes
09 de março de 2026 – As projeções do mercado financeiro para os principais indicadores da economia brasileira permaneceram estáveis na edição desta segunda-feira do Boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central. O relatório reúne estimativas de instituições financeiras para variáveis como crescimento econômico, inflação, dólar e taxa básica de juros.
Segundo o levantamento, a expectativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 segue em 1,82%. Para os anos seguintes, os analistas projetam expansão de 1,8% em 2027 e de 2% tanto em 2028 quanto em 2029.
Em 2025, a economia brasileira registrou crescimento de 2,3%, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representou o quinto ano consecutivo de expansão econômica, impulsionado principalmente pelo desempenho da agropecuária.
A previsão para o dólar no fim de 2026 também permaneceu inalterada, com expectativa de cotação em R$ 5,41. Para 2027, o mercado estima que a moeda norte-americana alcance cerca de R$ 5,50.
>>>SIGA O YOUTUBE DO PORTAL TERRA DA LUZ <<<
A previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, também se manteve estável em 3,91% para 2026. Para 2027, a estimativa subiu levemente de 3,79% para 3,8%.
Já para os anos de 2028 e 2029, a expectativa do mercado é de inflação em torno de 3,5%.
A projeção para este ano permanece dentro do intervalo da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional. O objetivo é manter a inflação em 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que estabelece um limite entre 1,5% e 4,5%.
Em janeiro, a inflação oficial registrou alta de 0,33%, pressionada principalmente pelo aumento nos preços da energia elétrica e da gasolina. O resultado repetiu o índice observado em dezembro e contribuiu para que o IPCA acumulasse alta de 4,44% ao longo de 2025.
O índice referente a fevereiro será divulgado pelo IBGE na próxima quinta-feira (12).
Para conter a inflação e manter a estabilidade econômica, o Banco Central utiliza como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, atualmente fixada em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom).
Mesmo com sinais de desaceleração da inflação e do dólar, o colegiado optou por manter os juros inalterados pela quinta reunião consecutiva, realizada no fim de janeiro.
O patamar atual é o mais alto desde julho de 2006, quando a taxa atingiu 15,25% ao ano.
De acordo com a ata do Copom, existe a possibilidade de início de um ciclo de redução dos juros a partir da reunião de março, caso o cenário inflacionário continue favorável e sem surpresas relevantes.
Apesar disso, a política monetária deverá continuar restritiva por algum tempo.
As projeções do mercado indicam que a Selic deve encerrar 2026 em torno de 12,13% ao ano. Para os anos seguintes, a expectativa é de redução gradual para 10,5% em 2027, 10% em 2028 e 9,5% em 2029.
Quando a taxa de juros é elevada, o objetivo é reduzir o consumo e conter a inflação, já que o crédito fica mais caro e a poupança se torna mais atrativa. Por outro lado, juros mais altos também tendem a frear o ritmo de crescimento da economia.
Leia também | Petróleo se aproxima de US$ 120 o barril