

Relatório do Congresso dos Estados Unidos aponta preocupação com infraestrutura espacial chinesa instalada na América Latina, incluindo projetos em território brasileiro | Foto: Alex Wroblewski/AFP
05 de março de 2026 – Um relatório divulgado por uma comissão do Congresso dos Estados Unidos acusa a China de operar uma rede de instalações espaciais na América Latina com potencial utilização militar. O documento aponta ainda que duas dessas estruturas estariam localizadas no Brasil, o que gerou preocupação entre parlamentares norte-americanos sobre o avanço da influência chinesa na região.
Entre os projetos citados está uma estação instalada na Bahia, construída em parceria entre uma empresa brasileira de satélites e uma companhia chinesa. Para deputados dos EUA, a presença dessa infraestrutura pode representar riscos estratégicos e militares para Washington, que historicamente considera a América Latina como parte de sua esfera de influência.
O relatório foi elaborado pela Comissão Seleta da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos sobre Competição Estratégica entre os Estados Unidos e o Partido Comunista Chinês, criada em 2023 para formular estratégias de competição econômica, tecnológica e militar com Pequim.
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O documento identifica duas estruturas brasileiras como parte da rede espacial vinculada à China: a Estação Terrestre de Tucano, na Bahia, e um laboratório de radioastronomia localizado na Serra do Urubu, no sertão da Paraíba.
A estação de Tucano foi criada a partir de um acordo firmado em 2020, durante o governo de Jair Bolsonaro, entre a startup brasileira Alya Nanossatélites e a empresa chinesa Beijing Tianlian Space Technology.
Segundo o relatório americano, a companhia chinesa poderia fornecer comunicação de longa duração entre satélites e a Terra, com capacidade de transmissão de dados para missões espaciais tripuladas e satélites de reconhecimento.
Parlamentares norte-americanos também demonstraram preocupação com o fato de o local exato da estação não ser amplamente divulgado e com a participação da Força Aérea Brasileira no projeto.
De acordo com o relatório, a China estaria desenvolvendo uma rede integrada de infraestrutura espacial na América Latina com capacidade de monitoramento global.
O documento afirma que essas instalações podem ter dupla utilização, tanto científica quanto militar. Segundo os deputados, a estrutura poderia permitir vigilância espacial contínua, coleta de dados sobre adversários e apoio a operações militares avançadas do Exército Popular de Libertação, braço militar do governo chinês.
Os parlamentares também afirmam que a integração de dados coletados por satélites e sensores poderia permitir a identificação de equipamentos militares camuflados e o rastreamento de objetos espaciais em tempo real.
Outra instalação citada é um radiotelescópio localizado na Serra do Urubu, na Paraíba. O equipamento faz parte de um projeto internacional de pesquisa científica que conta com a participação de países como França e Reino Unido.
Radiotelescópios são utilizados para captar ondas eletromagnéticas provenientes do espaço, permitindo estudos sobre a formação do universo e fenômenos astrofísicos.
Mesmo com finalidade científica, os deputados norte-americanos afirmam que sensores desse tipo também poderiam detectar sinais emitidos por equipamentos militares e satélites, o que ampliaria as capacidades de vigilância tecnológica.
O relatório recomenda que o governo do presidente Donald Trump adote medidas para conter a expansão da infraestrutura espacial chinesa no Hemisfério Ocidental.
Entre as sugestões está o fortalecimento da cooperação com países da América Latina para aumentar a transparência sobre essas instalações e permitir inspeções internacionais.
O documento também recomenda que agências de inteligência dos Estados Unidos intensifiquem esforços diplomáticos para obter informações detalhadas sobre projetos espaciais em desenvolvimento na região.
No Brasil, a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados já solicitou esclarecimentos ao Ministério da Defesa sobre a estação de Tucano.
Até o momento, o Ministério da Defesa do Brasil e a empresa Alya Nanossatélites não se pronunciaram oficialmente sobre as acusações.
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