

Fumaça sobre Teerã após ataques israelenses, em meio à escalada militar e à disputa geopolítica no Oriente Médio | Foto: Frame/Reuters
01 de março de 2026 – A nova ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã vai além do discurso oficial de contenção nuclear. Especialistas ouvidos pela Agência Brasil avaliam que a estratégia busca promover uma troca de regime em Teerã, conter a expansão econômica da China e projetar a hegemonia político-militar israelense no Oriente Médio.
Segundo os analistas, a narrativa de “ataque preventivo” para impedir uma suposta bomba atômica iraniana não se sustenta diante de avanços diplomáticos recentes e de interesses geoeconômicos mais amplos envolvendo energia, rotas comerciais e equilíbrio de poder regional.
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A professora de relações internacionais Rashmi Singh, da PUC Minas, destacou que emissários do presidente Donald Trump foram contrariados por declarações do chanceler de Omã, Badr bin Hamad Albusaidi, mediador das negociações nucleares. Segundo ele, um acordo estava próximo e previa que o Irã não manteria estoques de urânio enriquecido.
Para Singh, a decisão pela guerra ocorreu justamente quando a diplomacia avançava. “EUA e Israel avaliam que o Irã está enfraquecido e enxergam uma oportunidade estratégica para instalar um governo alinhado a Washington”, afirmou.
O professor Robson Valdez, do IDP, avalia que a guerra está ligada à contenção da influência regional iraniana e, indiretamente, aos interesses da China. O Irã é um dos principais fornecedores de petróleo para Pequim, com rotas estratégicas que passam pelo Estreito de Ormuz.
Na mesma linha, o cientista político Ali Ramos afirma que o Irã ocupa posição central no projeto geoeconômico chinês. “A queda de Teerã abriria espaço para sufocar projetos de infraestrutura da China na Ásia Central”, disse.
Para Mohammed Nadir, da UFABC, o objetivo central é eliminar qualquer potência regional capaz de rivalizar com Israel. “Esta é uma guerra de Benjamin Netanyahu, com apoio dos EUA, para tornar Israel hegemônico no Oriente Médio”, avaliou.
O especialista lembra que justificativas semelhantes, como a existência de “armas de destruição em massa”, já foram usadas na invasão do Iraque em 2003 e depois se mostraram falsas.
O professor Roberto Goulart Menezes, da Universidade de Brasília, ressalta que o Irã integra o Tratado de Não Proliferação Nuclear e sempre esteve sujeito a inspeções internacionais. Para ele, Washington usa o tema nuclear como pretexto para redesenhar o mapa geopolítico do Oriente Médio.
“O discurso é de segurança, mas a prática revela uma política agressiva e imperialista”, afirmou Menezes, destacando que a ofensiva se insere na disputa global entre Washington e Pequim pela supremacia econômica.
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