

Estudo analisa impacto econômico da adaptação ao clima | Foto: Filipe Karam/PMPA
03 de junho de 2025 — Um estudo do World Resources Institute (WRI) revelou que cada dólar investido em adaptação climática pode gerar até US$ 10 em benefícios ao longo de uma década. A análise, que avaliou 320 projetos em 12 países, contabilizou US$ 133 bilhões em investimentos com um potencial de retorno superior a US$ 1,4 trilhão.
O relatório considera ações de enfrentamento a riscos climáticos físicos, como agricultura resiliente, expansão dos serviços de saúde e infraestrutura contra inundações urbanas. Segundo os pesquisadores, metade dos benefícios gerados aconteceu mesmo sem desastres climáticos, evidenciando que os ganhos não estão atrelados apenas a eventos extremos.
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Os investimentos analisados apresentaram impacto em três eixos principais:
“Projetos de adaptação não dependem de catástrofes para gerar valor. Eles fortalecem comunidades todos os dias”, afirma Carter Brandon, pesquisador sênior do WRI. Um exemplo é a proteção de zonas costeiras, que além de evitar erosão e perdas materiais, mantém áreas de lazer e fomenta a pesca sustentável.
A média de retorno financeiro dos investimentos em adaptação foi de 27%, com destaque para o setor de saúde, onde alguns projetos superaram 78% de retorno. Mesmo assim, apenas 8% das avaliações estimaram o valor monetário completo dos dividendos, segundo o estudo.
O relatório destaca a necessidade de melhorar os métodos de avaliação usados por bancos multilaterais, fundos e governos, para tornar mais visível o impacto positivo da adaptação climática e atrair mais investidores. “A valorização dos múltiplos retornos pode reduzir o déficit de financiamento”, aponta o documento.
A pesquisa ganhou destaque no contexto da COP30, que será realizada este ano em Belém (PA). O campeão de alto nível da conferência, Dan Ioschpe, reforçou que os dados da pesquisa podem convencer o setor privado a ampliar sua atuação. “Essas evidências oferecem um argumento econômico claro para escalar os investimentos em adaptação”, disse.
Segundo dados da Climate Policy Initiative, 90% das iniciativas de adaptação no mundo são financiadas com recursos públicos. Para Ioschpe, 2025 é o ano-chave para priorizar a resiliência nas agendas nacionais e mobilizar capital privado.
O WRI ainda apresentou uma base de dados inédita para mensurar o chamado Triplo Dividendo da Resiliência (TDR), que considera os benefícios sociais, econômicos e ambientais dos investimentos. “É hora de enxergar a adaptação climática como uma plataforma de desenvolvimento, não apenas como proteção”, concluiu Sam Mugume Koojo, co-presidente da Coalizão de Ministros das Finanças para Ação Climática.
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