

Inteligência artificial amplia possibilidades na produção de vídeos publicitários, mas especialistas alertam para a importância da transparência e da autenticidade. | Foto: divulgação
24 de julho de 2026 – A inteligência artificial (IA) transformou a produção de conteúdo e já permite criar vídeos publicitários completos em poucos minutos, com imagens hiper-realistas, vozes sintéticas e personagens gerados digitalmente. Embora a tecnologia reduza custos e acelere processos, seu uso crescente na publicidade também levanta questionamentos sobre confiança, transparência e autenticidade das marcas.
Especialistas em comunicação e marketing alertam que, diante de um consumidor cada vez mais atento à veracidade das informações, o uso indiscriminado da IA pode comprometer a reputação das empresas e enfraquecer a relação de confiança construída com o público.
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Dados da plataforma Klaviyo mostram que apenas 13% dos consumidores afirmam confiar plenamente em conteúdos produzidos por inteligência artificial. Além disso, 32% dizem confiar menos em marcas que utilizam esse tipo de recurso em campanhas publicitárias.
Os números reforçam que a IA deve atuar como ferramenta de apoio à criatividade e à produtividade, sem substituir a transparência e a autenticidade na comunicação.
Outro ponto de atenção é o potencial da tecnologia para criar conteúdos extremamente realistas, ampliando riscos relacionados à desinformação, manipulação de imagens e geração de expectativas irreais.
O debate ganhou força nos últimos meses após consumidores denunciarem restaurantes que utilizam imagens criadas por inteligência artificial para divulgar pratos em aplicativos de entrega e redes sociais.
Em diversos casos, os alimentos entregues apresentavam diferenças significativas em relação às imagens promocionais, gerando frustração entre clientes e desgaste para a reputação dos estabelecimentos.
Para especialistas, situações como essa demonstram que o impacto negativo da perda de confiança pode superar os benefícios proporcionados pela tecnologia.
Outro aspecto estudado pela psicologia é o chamado “vale da estranheza” (Uncanny Valley), fenômeno que descreve o desconforto provocado por rostos ou personagens extremamente semelhantes aos humanos, mas que apresentam pequenas imperfeições perceptíveis.
Em vez de gerar identificação, esse excesso de realismo pode despertar sensação de estranheza, desconfiança e até rejeição, reduzindo a eficácia das campanhas publicitárias.

Para o diretor da Alliance Produções, Matheus Farias, o futuro da comunicação passa pelo uso estratégico da inteligência artificial em conjunto com a produção audiovisual tradicional.
“A inteligência artificial chegou para ampliar possibilidades e tornar processos mais eficientes, mas nenhuma tecnologia substitui a autenticidade de uma marca. As pessoas continuam se conectando com histórias reais, com rostos verdadeiros e com emoções genuínas. A IA deve ser utilizada para potencializar a criatividade, otimizar etapas da produção e enriquecer campanhas, sempre respeitando a identidade da empresa e deixando claro quando determinado conteúdo é gerado artificialmente. Quando a tecnologia cria expectativas irreais ou tenta substituir completamente a presença humana, a marca corre o risco de perder justamente seu maior ativo: a confiança”, afirma.
Na avaliação de especialistas, a inteligência artificial é especialmente útil para acelerar a criação de roteiros, desenvolver conceitos visuais, produzir animações, criar versões em diferentes idiomas e otimizar processos de pós-produção.
Por outro lado, conteúdos institucionais, depoimentos de clientes, posicionamento de marcas, apresentações de executivos e campanhas com forte apelo emocional tendem a gerar melhores resultados quando protagonizados por pessoas reais.
À medida que a IA se consolida como ferramenta estratégica para empresas de todos os setores, o desafio será encontrar o equilíbrio entre inovação tecnológica, responsabilidade e transparência.
Mais do que impressionar pela qualidade técnica, as marcas precisarão preservar aquilo que continua sendo seu principal patrimônio: a confiança construída por meio de relações humanas autênticas.
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