

Everton Aires, conhecido como Bomba, um dos policiais investigado na Paraíba por suspeita de envolvimento num esquema de revenda de drogas apreendidas e proteção a criminosos | Foto: — Foto: reprodução/TV Globo/Fantástico
08 de junho de 2026 – Uma investigação na Paraíba revelou suspeitas de um esquema envolvendo policiais civis na revenda de drogas apreendidas, proteção a foragidos e relações com facções criminosas. Áudios e vídeos obtidos pelo Fantástico mostram conversas em que agentes que deveriam combater o tráfico tratavam o comércio ilegal de entorpecentes como uma atividade empresarial.
O caso levou à prisão de um delegado e dois investigadores da Polícia Civil da Paraíba na última terça-feira (2). Segundo a investigação, o grupo desviava drogas apreendidas em operações policiais e revendia os entorpecentes a criminosos.
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Um dos principais investigados é Everton Aires, conhecido como Bomba. De acordo com a apuração, ele teria recebido mais de R$ 4 milhões em suas contas nos últimos cinco anos, valor considerado incompatível com o salário de cerca de R$ 8.500.
A suspeita é de que a quantia tenha origem na revenda de cocaína, crack e skunk apreendidos em operações policiais.
Em uma das gravações, Bomba aparece resumindo a lógica atribuída ao grupo. “É jogo, meu filho, é jogo. Isso é negócio, isso não é pessoal, é negócio”, afirmou.
Em outro áudio, ele compara o tráfico a uma atividade comercial comum. “É o mesmo que você estar vendendo qualquer outra coisa. Só que, em vez de você estar vendendo relógio, você está vendendo droga”, disse.
Nas gravações, Everton Aires também faz comentários sobre o salário recebido como policial e menciona outras atividades que, segundo ele, renderiam mais dinheiro.
“Eu trago tanto hormônio como suplemento desde 2007. Os ‘anabols’ deixam para mim mais do que o meu salário do Estado. A polícia paga uma merreca”, afirmou Bomba em um dos áudios.
Em outro registro, o investigador diz: “O cara que mais vende aqui sou eu. Se for para me sustentar só com o salário da polícia, não dá, não”.
As declarações contrastam com falas públicas anteriores do policial. Em um podcast, ele afirmou que a atuação dos agentes deveria seguir a legalidade. “A gente tem que agir dentro da legalidade porque a gente não é milícia”, disse.

Além de Everton Aires, também são investigados o policial Eduardo Jorge, conhecido como Mão Branca, e o delegado Braz Morroni. Segundo a investigação, os três negociavam com pelo menos quatro criminosos e protegiam foragidos ao avisá-los com antecedência sobre operações policiais.
A apuração começou em maio de 2025, depois que um traficante acusou policiais civis de terem roubado uma carga de drogas. A Polícia Civil concluiu que parte dos entorpecentes retirados de criminosos não era encaminhada integralmente para os procedimentos legais, mas revendida a outros traficantes.
Entre os beneficiados pelo esquema estaria José Alexandrino Júnior Lira, conhecido como Júnior Lira, investigado por suposta participação em ataques do chamado Novo Cangaço contra bancos e carros-fortes no Nordeste.
A operação realizada pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado e pela Polícia Civil prendeu nove pessoas, incluindo Bomba, Mão Branca, Braz Morroni e Júnior Lira.
De acordo com o procurador-geral da Paraíba, a participação de agentes públicos em um esquema desse tipo amplia a gravidade do caso.
“O fato de serem agentes do Estado dá àquelas pessoas um poder de quem está ali, ciente, acreditando realmente que está blindado. É algo muito grave e que precisa ser combatido com toda força”, afirmou.
As defesas dos investigados negam as acusações. O advogado de Everton Aires afirmou que o devido processo legal foi instaurado e que o policial não aceita as acusações.
A defesa de Eduardo Jorge disse que não é crível que policiais estejam negociando drogas abertamente e afirmou que o caso pode configurar um processo de assassinato de reputação.
Já o advogado de Braz Morroni sustenta que não há nada que exponha a participação consciente do delegado nos fatos investigados.
A defesa de Júnior Lira afirmou que a inocência dele será demonstrada e que o investigado é alvo de perseguição policial.
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