

Fogueiras e fogos de artifício exigem atenção redobrada para evitar queimaduras em crianças durante as festas juninas e julinas. | Foto: Prefeitura Municipal de Baepend
22 de junho de 2026 – As tradicionais festas juninas e julinas trazem alegria, cultura e celebração para milhões de brasileiros, mas também acendem um alerta importante para a segurança de crianças e adolescentes. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) reforçou nesta segunda-feira (22) a necessidade de cuidados redobrados para prevenir queimaduras durante o período de São João.
Segundo o presidente da entidade, Edson Liberal, a maior exposição a fogueiras, fogos de artifício, churrasqueiras, alimentos quentes e materiais inflamáveis aumenta significativamente os riscos de acidentes.
“As festas fazem parte da cultura brasileira e são momentos de celebração para muitas famílias, mas também exigem atenção redobrada porque neste período há maior exposição a fogueiras, fogos de artifício, churrasqueiras, recipientes com alimentos e bebidas quentes e outros materiais inflamáveis”, afirmou.
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Dados da Sociedade Brasileira de Pediatria mostram que crianças menores de cinco anos concentram mais da metade das internações pediátricas por queimaduras no país.
Levantamento realizado com base nos registros do Sistema Único de Saúde (SUS) aponta que essa faixa etária respondeu por 53,8% das internações por queimaduras entre crianças e adolescentes registradas entre 2024 e 2025.
Nos últimos dois anos, foram contabilizadas 13,8 mil internações por queimaduras e outros acidentes térmicos graves. Em 2024, o SUS registrou 6.965 casos, enquanto em 2025 foram 6.855 hospitalizações.
Segundo a SBP, esses números representam apenas os casos mais graves, que necessitaram de internação hospitalar.
“No entanto, sabemos que o número real de ocorrências é bastante superior ao registrado, já que muitos episódios leves e moderados são atendidos em unidades de pronto atendimento, consultórios ou mesmo tratados em casa, sem entrar nas estatísticas hospitalares”, explicou Edson Liberal.
O estudo revela que, em média, quase 20 crianças e adolescentes foram internados diariamente por queimaduras nos dois anos analisados.
Entre os pacientes hospitalizados, 20% tinham entre cinco e nove anos de idade, o equivalente a 2.820 internações.
Na sequência aparecem crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, com 1.848 registros, e jovens de 15 a 19 anos, com 1.721 casos.
A maior parte das ocorrências está relacionada ao contato com líquidos quentes, superfícies aquecidas, fogo e fumaça, geralmente em ambientes domésticos.
Também foram registradas internações decorrentes de choques elétricos, temperaturas extremas, substâncias químicas e outros acidentes térmicos.
De acordo com a SBP, a curiosidade natural das crianças é um dos fatores que contribuem para os acidentes.
“O problema é que as crianças pequenas ainda não têm maturidade para reconhecer situações de perigo. Elas se interessam por objetos coloridos, brilhantes, que produzem calor, luz ou movimento, além de tudo aquilo que observam nos adultos”, destacou Edson Liberal.
O especialista lembra que atitudes comuns da infância, como puxar toalhas de mesa, tentar alcançar objetos em locais elevados ou reproduzir comportamentos observados nos adultos, podem resultar em acidentes graves.
Por isso, a recomendação é manter supervisão constante e adaptar os ambientes para reduzir riscos.
A Sociedade Brasileira de Pediatria orienta que crianças não manuseiem fogos de artifício, fósforos, isqueiros ou qualquer objeto relacionado ao fogo.
Entre as principais medidas preventivas estão:
O levantamento mostra que a Região Sudeste registrou o maior número de internações pediátricas por queimaduras em 2024 e 2025.
Foram 2.203 casos em 2024 e 2.328 em 2025.
Em seguida aparecem:
A entidade destaca que a maioria dos acidentes pode ser evitada com informação, vigilância adequada e adoção de medidas simples de segurança.
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