
Documentos divulgados pelo STF detalham investigação da Polícia Federal envolvendo o senador Jaques Wagner e o Banco Master. | Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
31 de julho de 2026 – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça retirou o sigilo de documentos da investigação da Polícia Federal (PF) que apura a suposta atuação do senador Jaques Wagner (PT-BA) em favor do Banco Master. Os autos, divulgados nesta quinta-feira (30), detalham contatos entre o parlamentar e o banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, além de encontros, ligações telefônicas e supostas vantagens recebidas.
Jaques Wagner foi alvo de mandado de busca e apreensão em junho deste ano, durante a nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes financeiras e corrupção envolvendo o Banco Master.
Nesta sexta-feira (31), o senador afirmou estar “tranquilo” diante das investigações e disse que pretende comprovar sua inocência.
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Segundo os documentos da Polícia Federal, foram identificadas 74 chamadas de áudio via WhatsApp entre Jaques Wagner e Augusto Lima, realizadas entre novembro de 2023 e maio de 2025. As conversas somam mais de cinco horas e meia de duração.
Para os investigadores, as comunicações indicam uma relação de proximidade entre os dois. O relatório cita mensagens nas quais Augusto Lima convida o senador e familiares para visitar a Ilha da Paixão, na Bahia, colocando uma aeronave particular à disposição do grupo.
Também foram anexadas conversas em que Daniel Vorcaro afirma que a imagem de proximidade do Banco Master com o governo federal seria utilizada como estratégia de marketing para a instituição financeira.
A PF afirma que Jaques Wagner teria atuado politicamente em matérias de interesse do Banco Master que tramitavam no Senado, como propostas relacionadas à ampliação da margem do crédito consignado.
Em contrapartida, segundo a investigação, o parlamentar teria recebido um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões, em Salvador, além de repasses que totalizam R$ 3,5 milhões destinados a empresas ligadas a familiares.
As suspeitas ainda serão analisadas pela Justiça e não representam conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade do senador.
Os documentos também mencionam a distribuição de vinhos de alto valor para autoridades e lideranças políticas da Bahia. Segundo a PF, os presentes custavam entre R$ 2.500 e R$ 5.300 e teriam sido enviados a Jaques Wagner, ao governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), ao ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), ao prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), ao ex-prefeito ACM Neto (União Brasil) e ao presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda.
A Polícia Federal ressalta que Rui Costa, Bruno Reis, ACM Neto e Antônio Rueda não são investigados neste inquérito.
Outro ponto citado no relatório envolve a aquisição de ingressos para shows da cantora Taylor Swift destinados ao senador e familiares. Segundo a PF, os benefícios teriam alcançado cerca de R$ 66,8 mil.
Os investigadores também apontam mensagens sobre reuniões realizadas no gabinete de Jaques Wagner, algumas delas em datas consideradas relevantes para a tramitação de projetos de interesse do Banco Master.
Em um dos diálogos, o senador menciona o então advogado-geral da União, Jorge Messias, sugerindo que um encontro ocorresse em seu gabinete por ser um ambiente “mais protegido e discreto”.
Em nota ao g1, Jorge Messias negou ter participado de reunião com Augusto Lima no Senado e afirmou que não é investigado pela Polícia Federal.
Após a divulgação dos documentos, Jaques Wagner declarou que recebe a investigação com tranquilidade e reafirmou que demonstrará sua inocência durante o andamento do processo.
Até o momento, não há decisão judicial condenatória contra o senador, e a investigação segue em andamento no Supremo Tribunal Federal.
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Tags: Jaques Wagner, Banco Master, Operação Compliance Zero, Polícia Federal, STF, André Mendonça, Augusto Lima, Daniel Vorcaro, investigação, Senado Federal, Jorge Messias, Rui Costa, Jerônimo Rodrigues, Bruno Reis, ACM Neto, Antônio Rueda, política nacional, Portal Terra da Luz