

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva anuncia prioridades para o novo mandato, incluindo a regulamentação das plataformas digitais e a continuidade de programas sociais. | Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
26 de outubro de 2026 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva agradeceu aos eleitores pela vitória no segundo turno das eleições presidenciais, realizado neste domingo (25), e afirmou que o resultado foi conquistado em meio ao que classificou como interferência de plataformas digitais estrangeiras no processo eleitoral. Em seu primeiro discurso após a confirmação da reeleição, Lula também defendeu a regulamentação desses serviços e antecipou que a comunicação digital terá papel de destaque no novo mandato.
“É uma eleição em que a gente teve que vencer a intromissão vinda de fora para dentro através de plataformas digitais, que nós vamos ter que regulá-las. Não é possível que a gente não tenha consciência que o crime no mundo digital tem que ser tratado igual crime na vida real”, declarou o presidente.
Na sequência, Lula criticou o poder econômico das grandes empresas de tecnologia e afirmou que elas não deveriam atuar para influenciar os resultados eleitorais brasileiros.
“Nós não podemos ter empresas monstruosas de grande, ganhando bilhões e bilhões, não pagando nenhum imposto para esse país e tentando direcionar o resultado eleitoral desse país”, acrescentou.
O presidente foi reeleito para o quarto mandato à frente do Executivo federal. Ele já governou o Brasil entre 2003 e 2010 e retornou ao cargo em 2023. Lula completará 81 anos na próxima terça-feira (27) e ressaltou, durante o pronunciamento, sua trajetória política e o resultado alcançado nas urnas.
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Durante o discurso, o presidente agradeceu aos brasileiros que participaram da votação e destacou a mobilização de jovens e idosos em defesa da democracia. Segundo ele, a participação de pessoas com dificuldades de locomoção também demonstrou a importância atribuída ao processo eleitoral.
“Eu queria agradecer ao povo brasileiro a generosidade que eles têm comigo há muito tempo. E, neste segundo turno, agradecer a generosidade da juventude brasileira que foi para rua para defender a democracia, quero agradecer às pessoas idosas”, afirmou.
Lula também relatou ter observado situações de eleitores que precisaram da ajuda de familiares para chegar aos locais de votação.
“Eu vi muitas cenas hoje de pessoas sendo carregadas pelos seus netos para ir votar, pessoas impossibilitadas de se locomover, pessoas com câncer e com outros tipos de doença, e as pessoas foram votar porque nós conseguimos convencê-las de que o voto era muito importante para assegurar a democracia do país”, disse.
A vitória foi acompanhada por manifestações de apoiadores em diferentes cidades brasileiras. O resultado do segundo turno encerrou uma disputa marcada por divergências políticas e propostas distintas para a condução do país.
Lula afirmou que as eleições de 2026 deixaram lições para a organização do próximo governo. O presidente agradeceu ao deputado federal André Janones, que participou da mobilização nas redes sociais em apoio à campanha de reeleição, e defendeu maior participação da população nas decisões administrativas.
“Eu posso garantir para vocês que nós vamos mudar o jeito de governar esse país. Quero dizer para vocês que nós vamos fazer o povo participar mais nas nossas decisões. E quero dizer para vocês que a comunicação digital vai ganhar um espaço muito grande no meu governo”, declarou.
O presidente também sinalizou que pretende ampliar sua comunicação direta com a população, sem depender exclusivamente da interpretação de terceiros sobre suas declarações.
“Não vou ficar permitido ser interpretado por jornalista com má fé. Eu vou dizer o que eu penso, o que eu faço”, acrescentou.
O pronunciamento ocorreu por volta das 22h20, em um auditório do hotel InterContinental, em São Paulo. Após a fala, Lula seguiu para a avenida Paulista, onde apoiadores se reuniram para comemorar o resultado eleitoral.
A regulamentação das plataformas digitais deverá integrar o debate político do novo mandato, especialmente em relação à responsabilização das empresas, à atuação dos serviços digitais e à prevenção de crimes praticados pela internet.
O discurso foi acompanhado por integrantes do governo, parlamentares e aliados políticos. Entre os presentes estavam o vice-presidente Geraldo Alckmin; o deputado federal André Janones; o ministro da Saúde, Alexandre Padilha; o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias; e a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck.
Também participaram a deputada federal Sâmia Bomfim, o deputado estadual Eduardo Suplicy, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, e o senador Camilo Santana.
A lista de apoiadores presentes incluiu ainda a deputada federal Marina Silva, a ex-ministra Simone Tebet, o ex-prefeito do Recife João Campos e o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, que atuou na coordenação da comunicação da campanha.
A disputa presidencial foi marcada por diferenças entre os projetos políticos dos candidatos, incluindo posições sobre direitos humanos, políticas sociais, atuação do Estado e prioridades econômicas.
Na área econômica, Lula sinaliza a continuidade do modelo adotado em seu atual governo, com investimentos públicos, políticas de transferência de renda e medidas voltadas à valorização dos trabalhadores.
Entre as prioridades estão a manutenção e o aperfeiçoamento de programas como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida, além da continuidade de ações de combate à fome e à pobreza.
O presidente também pretende manter o arcabouço fiscal, mecanismo que estabelece regras para o crescimento das despesas públicas. Na área tributária, defende um sistema mais progressivo, no qual as rendas mais elevadas contribuam proporcionalmente mais para o financiamento do Estado.
Outra frente da política econômica envolve a valorização real do salário mínimo e a preservação dos direitos trabalhistas. O governo também prevê investimentos em infraestrutura, reindustrialização, inovação tecnológica e energias renováveis.
Essas diretrizes deverão orientar parte das decisões econômicas do próximo mandato, em meio aos desafios de conciliar crescimento, responsabilidade fiscal, geração de empregos e ampliação da proteção social.
A educação também aparece entre as prioridades anunciadas pelo presidente reeleito. Lula defende a ampliação do acesso ao ensino e a adoção de medidas para melhorar a formação dos estudantes e as condições de trabalho dos profissionais da área.
Entre as propostas estão a construção de creches e pré-escolas, o aumento das matrículas em tempo integral e o fortalecimento de iniciativas de formação e valorização dos professores.
O governo pretende ainda aprimorar programas de incentivo à permanência dos jovens na escola, como o Pé-de-Meia, voltado a estudantes do ensino médio público, e ampliar ações destinadas à formação de novos docentes.
Nesse contexto, o Pé-de-Meia Licenciaturas e o programa Bolsa Mais Professores integram as iniciativas voltadas à formação, à atração e à permanência de profissionais na educação básica, especialmente em áreas com falta de docentes.
A agenda educacional deverá se somar às políticas sociais e aos investimentos públicos previstos para o novo mandato, com o objetivo de ampliar oportunidades e reduzir desigualdades no país.
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