

Pastor Marcio Poncio foi preso pela Polícia Federal durante a quinta fase da Operação Unha e Carne, que investiga lavagem de dinheiro e ligações com a chamada "Máfia do Cigarro". | Foto: reprodução
02 de julho de 2026 – O pastor Marcio Poncio foi preso nesta quinta-feira (2) pela Polícia Federal (PF) durante a 5ª fase da Operação Unha e Carne. A investigação apura supostas ligações do líder religioso com a chamada “Máfia do Cigarro”, organização criminosa que, segundo os investigadores, seria comandada pelo bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho.
Além de Poncio, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), expediu mandados de prisão contra Adilsinho e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar. Os dois já estavam presos.
Marcio Poncio foi localizado e detido em um flat na Praia da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.
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Segundo a Polícia Federal, esta nova etapa da Operação Unha e Carne “busca aprofundar a apuração de indícios de lavagem de dinheiro praticada pelo ‘capo’ da nova cúpula do jogo do bicho [Adilsinho] e possível ramificação do esquema junto a integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do RJ”.
Alexandre de Moraes também determinou o sequestro de bens e valores de até R$ 22 milhões. Já o ex-deputado Rodrigo Bacellar será transferido do Complexo Penitenciário de Bangu, em Gericinó, para um presídio federal.
A investigação faz parte das determinações do STF no julgamento da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, que atribuiu à Polícia Federal a condução de investigações sobre organizações criminosas violentas no Rio de Janeiro e suas conexões com agentes públicos.
A quinta fase da operação é um desdobramento da Operação Fumus, deflagrada em junho de 2021 para combater o monopólio do comércio ilegal de cigarros no Grande Rio.
Na ocasião, a Polícia Federal apreendeu planilhas que continham registros de supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e movimentações financeiras suspeitas relacionadas à lavagem de dinheiro.
Segundo a corporação, “as listas chamaram a atenção dos investigadores por possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do RJ”.
A Operação Unha e Carne teve início em dezembro de 2025 para investigar um suposto vazamento de informações sigilosas de operações policiais contra integrantes do Comando Vermelho (CV).
Na primeira fase, o principal alvo foi o então presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar. Conforme a Polícia Federal, ele teria repassado informações sigilosas da Operação Zargun ao ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, apontado como articulador político da facção criminosa.
Na segunda fase, os investigadores prenderam preventivamente o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), suspeito de ter vazado informações sigilosas ao então deputado.
Já na terceira etapa, Bacellar voltou a ser preso após ter o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no caso conhecido como escândalo da Ceperj, e após denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Na quarta fase, realizada em maio de 2026, o deputado estadual Thiago Rangel (Avante) foi preso por suspeita de comandar um esquema de fraudes em contratos da Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc).
As investigações continuam para apurar o envolvimento de outros suspeitos e possíveis conexões entre organizações criminosas e agentes públicos.
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