

Grupo Gennius, controlador de Habib’s, Ragazzo e Tendall, entrou em recuperação judicial com dívida declarada de R$ 265,2 milhões | Foto: divulgação/Habib's
26 de agosto de 2026 – O Grupo Gennius, controlador das marcas Habib’s, Ragazzo e Tendall, entrou com pedido de recuperação judicial na segunda-feira (24), declarando dívida de R$ 265,2 milhões.
O pedido foi aceito na terça-feira (25) pela Justiça de São Paulo, em decisão do juiz Jomar Juarez Amorim.
A consultoria KPMG foi nomeada administradora judicial do processo.
Em nota, o grupo informou que a medida faz parte de um processo de reestruturação financeira, “com o objetivo de preservar a sustentabilidade e a evolução do negócio no longo prazo”.
Apesar do pedido de recuperação judicial, as lojas continuam abertas.
“As operações do Grupo seguem funcionando normalmente, mantendo o atendimento aos clientes, a rotina e a qualidade de suas unidades”, afirmou o Grupo Gennius.
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O Grupo Gennius atua no Brasil há quase 40 anos.
Atualmente, possui 119 lojas próprias do Habib’s, 26 unidades do Ragazzo e seis churrascarias Tendall.
O grupo também opera uma ampla rede de franquias, mas essas unidades não estão incluídas nos números de lojas próprias nem fazem parte da recuperação judicial.
No pedido apresentado à Justiça, o grupo atribuiu parte da crise aos efeitos da pandemia de Covid-19.
Segundo a empresa, a redução do movimento em shoppings e centros urbanos afetou lojas instaladas em locais de grande circulação.
“Ali, sem dúvida, começou a se verificar um descompasso entre os investimentos feitos — lojas e mais lojas do Grupo Gennius para atender à demanda nos grandes centros de aglomeração, como shopping centers e centros urbanos das principais cidades brasileiras — e a receita obtida”, diz o documento.
A companhia também apontou a expansão do delivery como um fator que mudou os hábitos de consumo e reduziu o movimento nos restaurantes.
Outro ponto citado foi a alta dos juros, que encareceu dívidas em um momento de menor fluxo nas unidades.
Com menos dinheiro entrando e mais recursos destinados ao pagamento de compromissos financeiros, o grupo afirma ter enfrentado dificuldades para pagar fornecedores.
A recuperação judicial é um processo que permite a empresas com dificuldades financeiras ganhar tempo para renegociar dívidas e tentar evitar a falência.
Durante esse período, parte das cobranças e ações de credores fica suspensa.
Em regra, essa proteção dura 180 dias, enquanto a empresa apresenta e negocia um plano de pagamento das dívidas.
Além das empresas responsáveis pelas lojas próprias, o processo inclui os controladores do Grupo Gennius, Alberto Saraiva e Belchior Saraiva Neto.
Também integram o pedido companhias responsáveis pela gestão das marcas, do patrimônio, da produção de insumos, do marketing e de outras áreas do negócio.
A inclusão dessas estruturas busca tratar a reorganização financeira de forma conjunta.
Com a aceitação do pedido pela Justiça, parte das cobranças e ações contra o grupo fica temporariamente suspensa.
A medida dá prazo para que as empresas tentem reorganizar as finanças.
A KPMG terá 15 dias para apresentar um relatório sobre a situação das companhias.
A administradora judicial também deverá analisar o pedido para que as dívidas das diferentes empresas do grupo sejam tratadas de forma conjunta no processo.
Após essa etapa, será publicada a lista de pessoas e empresas que têm valores a receber do grupo.
Os credores terão 15 dias para apontar eventuais erros nos valores ou pedir a inclusão de dívidas que não apareçam na relação.
O Grupo Gennius terá 60 dias, a partir da publicação da decisão, para apresentar um plano explicando como pretende reorganizar e pagar as dívidas.
Se o documento não for apresentado no prazo, a recuperação judicial poderá ser convertida em falência.
O Habib’s foi fundado em 1987 pelos irmãos Alberto e Belchior Saraiva.
Desde o início, a rede apostou em preços baixos e grande volume de vendas para crescer no mercado de alimentação rápida.
Para sustentar essa estratégia, o grupo passou a produzir parte dos ingredientes e produtos usados nas próprias lojas, em vez de comprar tudo de fornecedores externos.
A estrutura inclui indústrias, laticínios e panificadoras.
Com o crescimento do Habib’s, o grupo ampliou sua atuação para outras marcas.
Criou o Ragazzo, focado em coxinhas e outros lanches, e as churrascarias Tendall, voltadas ao segmento de rodízio de carnes.
Com isso, expandiu os negócios para além da rede de comida árabe, diversificando sua presença no setor de alimentação.
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