
Moradores da Groenlândia fazem protesto contra os EUA, em 15 de março de 2025 | Foto: Christian Klindt Soelbeck/Ritzau Scanpix/via REUTERS
18 de janeiro de 2026 – A União Europeia (UE) avalia impor até € 93 bilhões em tarifas comerciais contra os Estados Unidos ou restringir o acesso de empresas americanas ao mercado europeu como resposta às ameaças do presidente Donald Trump relacionadas à anexação da Groenlândia. A informação foi divulgada pelo Financial Times e intensificou o clima de tensão entre aliados históricos.
Líderes dos 27 países do bloco se reúnem neste domingo (18), em Bruxelas, em um encontro convocado em caráter de emergência pela presidência rotativa da UE, atualmente exercida pelo Chipre, para definir uma resposta conjunta ao agravamento das tensões diplomáticas e militares no Ártico.
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O objetivo da reunião é alinhar uma estratégia comum após Trump anunciar a intenção de impor tarifas de 10%, com possibilidade de elevação para 25% a partir de junho, contra países como Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia.
As medidas de retaliação da UE buscam fortalecer o poder de barganha europeu antes de encontros previstos com o presidente americano durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, nesta semana. Ao mesmo tempo, autoridades tentam evitar uma ruptura profunda na aliança militar ocidental, considerada essencial para a segurança do continente.
Segundo o Financial Times, as tarifas europeias já estavam desenhadas desde o ano passado, mas haviam sido suspensas até 6 de fevereiro. Com a nova ofensiva americana, a discussão foi retomada, incluindo a possível ativação do Instrumento Anticoerção, mecanismo que permite ao bloco reagir a pressões econômicas usadas como forma de coerção política.
Esse instrumento autoriza a UE a adotar tarifas, sanções comerciais e restrições a empresas estrangeiras, funcionando como um recurso de último caso para dissuadir práticas consideradas abusivas.
Trump tem reforçado a ofensiva para que a Groenlândia se torne parte dos Estados Unidos, alegando razões estratégicas ligadas à segurança nacional e às reservas minerais da ilha. A Groenlândia pertence ao Reino da Dinamarca, que já afirmou não estar disposta a negociar sua soberania sobre o território.
No sábado (17), líderes europeus classificaram a ameaça como uma “perigosa escalada” e reafirmaram apoio à Dinamarca. Países europeus anunciaram o reforço da segurança no Ártico, incluindo o envio de pequenos contingentes militares à ilha, a pedido do governo dinamarquês.
Em comunicado conjunto, Dinamarca, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda afirmaram estar comprometidos com a defesa da Groenlândia e com o fortalecimento da segurança do Ártico no âmbito da Otan. O governo da Groenlândia agradeceu publicamente o apoio.
A crise também gerou protestos populares. Milhares de pessoas foram às ruas da Groenlândia e de Copenhague para criticar a intenção dos EUA de anexar o território.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou que o bloco permanecerá “unido e coordenado” na defesa da soberania europeia. Já a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, alertou que divisões internas favorecem rivais estratégicos como Rússia e China.
Autoridades europeias alertam que o uso de tarifas como instrumento de pressão pode enfraquecer as relações transatlânticas. O presidente da Finlândia, Alexander Stubb, pediu diálogo entre aliados da Otan, enquanto líderes da França, Noruega e Suécia afirmaram que não aceitarão intimidações.
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, confirmou conversas com Trump sobre a situação de segurança no Ártico e afirmou que o tema seguirá em pauta nos próximos encontros internacionais.
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