

Enchentes no Himalaia deixam centenas de mortos e milhares de desaparecidos no Nepal e no Tibete | Foto: AP Photo/Niranjan Shrestha
30 de agosto de 2026 – O número de mortos pelas enchentes no Nepal e no Tibete subiu para 750 neste domingo (30), segundo autoridades locais.
Ao todo, 3.044 pessoas estão desaparecidas.
As equipes de resgate precisaram se deslocar para terrenos mais altos, à medida que novas chuvas elevaram o nível dos rios na região do Himalaia.
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As operações de busca foram suspensas diversas vezes desde sexta-feira (28) por causa do mau tempo.
Além da chuva, as autoridades demonstram preocupação com um lago formado na fronteira entre o Nepal e a China após um deslizamento de lama provocado pelo colapso de uma geleira.
O lago começou a transbordar para rios no Nepal, aumentando o risco de novas inundações.
A Cruz Vermelha estima que mais de 90 mil pessoas tenham sido afetadas pelo desastre.
O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, classificou a tragédia como o “desastre transfronteiriço mais grave” entre China e Nepal nos últimos anos.
Segundo a emissora estatal chinesa CCTV, Wang Yi afirmou ao governo nepalês que as operações de resgate apresentam dificuldades e complexidades sem precedentes.
A China atribuiu o desastre aos efeitos das mudanças climáticas.
No Nepal, os esforços de resgate estão concentrados em centenas de pessoas que podem estar presas em túneis de usinas hidrelétricas.
A enxurrada formada por gelo, rochas, lama e detritos desceu pelos rios do Himalaia e atingiu áreas próximas à fronteira com a China.
O número de mortos no Nepal subiu para 734, com 2.498 desaparecidos e 7.514 resgatados, informou a autoridade nacional de gestão de desastres.
Na China, 16 pessoas morreram no condado de Gyirong até a noite de sábado, e 546 estavam desaparecidas, segundo autoridades do Tibete.
Entre os 261 estrangeiros de 23 países desaparecidos no lado tibetano, estão 104 nepaleses, 49 indianos, 33 letões, 18 americanos e 15 britânicos, conforme o primeiro levantamento divulgado pela China por nacionalidade.
Pequim e Katmandu trabalham juntas para identificar cidadãos e estrangeiros desaparecidos.
Os dois governos também buscam fortalecer a cooperação na prevenção e mitigação de desastres e na resposta aos efeitos das mudanças climáticas.
O nível da água no rio Trishuli subiu neste domingo após novas chuvas.
A alta levou moradores e equipes de resgate a buscarem terrenos mais altos, informou a polícia nepalesa à Reuters.
As condições climáticas continuam dificultando o acesso a comunidades atingidas, especialmente em áreas onde estradas, pontes e sistemas de comunicação foram destruídos.
Após afirmar inicialmente que conseguiria conduzir sozinho as operações de busca e salvamento, o governo do Nepal voltou atrás e passou a aceitar ajuda internacional.
Na sexta-feira (28), o Ministério das Relações Exteriores havia informado que o país não precisava de equipes estrangeiras para as operações gerais de busca.
Índia, China, Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Coreia do Sul, Sri Lanka e Bangladesh manifestaram interesse em enviar socorristas, segundo o Kathmandu Post.
Diante da dimensão da tragédia, as autoridades mudaram de posição.
Equipes especializadas da Índia já chegaram ao país para auxiliar nas buscas, enquanto outro grupo é aguardado da China.
O governo nepalês afirma que precisa principalmente de apoio técnico especializado.
Entre as prioridades estão o resgate de pessoas presas em túneis de usinas hidrelétricas, a recuperação de comunicações e transporte em áreas onde pontes foram destruídas, a identificação de corpos, a realização de exames de DNA e a ampliação da capacidade de armazenamento de vítimas.
“Já fizemos pedidos por serviços especializados e assistência técnica em áreas onde não temos expertise e conhecimento técnico suficientes”, afirmou o ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, à Reuters.
Equipes de resgate recuperaram corpos em Chitwan e Nawalparasi, nas planícies do Nepal, a cerca de 100 quilômetros do epicentro do desastre.
Segundo Shisir Khanal, mais vítimas devem ser encontradas nos próximos dias.
Ele afirmou que hospitais da região estão sobrecarregados e sem refrigeradores suficientes para armazenar os corpos.
A situação amplia a preocupação com riscos sanitários e dificuldades na identificação das vítimas.
O lago formado rio acima, que ameaçava as operações de resgate, havia praticamente desaparecido no final da tarde de sábado, informou a CCTV.
No entanto, drones detectaram um deslizamento de terra no fim da noite de sábado, a 2,8 quilômetros rio abaixo do lago.
O novo deslizamento formou outra barragem natural e um novo reservatório de água.
As autoridades realocaram equipes de resgate para uma área segura próxima à passagem de fronteira de Gyirong.
Avaliações preliminares apontam que o desastre pode ter sido provocado pelo colapso de uma geleira.
O fenômeno teria bloqueado temporariamente o curso de um rio, provocando uma inundação repentina.
A CCTV informou que a inundação foi “causada pela instabilidade das geleiras sob os efeitos a longo prazo do aquecimento global”.
Segundo a emissora chinesa, esse tipo de evento é uma “característica nova e proeminente dos desastres da criosfera” no planalto tibetano.
A China mobilizou mais de 2.100 socorristas e destinou pelo menos 220 milhões de yuans, cerca de US$ 32,7 milhões, para apoiar os esforços de socorro.
O país também fornece ajuda emergencial em dinheiro, suprimentos para desastres, dados de satélite e hidrológicos e especialistas em resgate em túneis para o Nepal.
Drones de grande porte e helicópteros foram utilizados para lançar equipamentos e suprimentos às equipes que atuam perto da fronteira.
Soldados também usam equipamentos de detecção de sinais vitais, drones e sistemas de navegação para continuar a busca pelos desaparecidos.
O ministro das Finanças do Nepal estima que o país precisará de US$ 4 bilhões a US$ 5 bilhões, cerca de R$ 20,8 bilhões a R$ 26 bilhões, para reconstruir as áreas destruídas.
Além das operações de resgate, o governo deverá depender de apoio internacional para recuperar infraestrutura devastada.
Escolas, hospitais, estradas, pontes e outras estruturas foram severamente afetados.
Cerca de duas dezenas de pontes foram destruídas, comprometendo transporte e comunicações.
O governo pediu à Índia e à China que antecipem a reabertura de rotas de transporte e comunicação nas áreas atingidas.
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