

Pesquisadores do Labomar participam de missão para monitorar e combater o avanço do peixe-leão em áreas de conservação marinha. | Foto: arquivo pessoal
20 de maio de 2026 – O Instituto de Ciências do Mar (Labomar), da Universidade Federal do Ceará (UFC), participará de missões de combate ao peixe-leão em duas importantes áreas de conservação marinha do Brasil: o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha e o Parque Nacional de Jericoacoara.
As operações ocorrerão entre os meses de maio e junho e têm como objetivo conter o avanço da espécie invasora, considerada uma ameaça à biodiversidade marinha brasileira.
Originário da região do Indo-Pacífico, o peixe-leão (Pterois volitans) vem se espalhando rapidamente pelo litoral brasileiro desde 2020. O animal preocupa pesquisadores devido à alta capacidade reprodutiva, ausência de predadores naturais no Brasil e comportamento predatório agressivo.
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Segundo especialistas, cada peixe-leão adulto pode consumir até 20 pequenos peixes nativos em apenas 30 minutos. Além disso, a espécie possui 18 espinhos venenosos e uma única fêmea pode produzir mais de dois milhões de ovos por ano.
Recentemente, Fernando de Noronha registrou a captura do maior peixe-leão já documentado no mundo, com aproximadamente 49 centímetros, aumentando o alerta sobre os impactos ambientais causados pela invasão biológica.
No Ceará, o avanço da espécie também preocupa pesquisadores. O Parque Nacional de Jericoacoara vem sendo monitorado pelo Labomar desde 2022.
As ações serão coordenadas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em parceria com pesquisadores e estudantes do Programa de Pós-Graduação em Ciências Marinhas Tropicais (PPGCMT) da UFC.
As missões incluem atividades de mergulho autônomo, captura e monitoramento do peixe-leão, além de ações educativas e capacitação técnico-científica para comunidades locais, pescadores e mergulhadores.
Na missão em Fernando de Noronha, realizada entre os dias 18 e 22 de maio, participam a doutoranda Maria Luiza Gallina e o professor Marcelo Soares, do Labomar.
“A expedição em Fernando de Noronha é uma oportunidade estratégica para avançar na discussão sobre o consumo do peixe-leão como ferramenta de manejo. Transformar o invasor em recurso alimentar é uma das abordagens discutidas internacionalmente”, destacou Maria Luiza Gallina.
Já a missão em Jericoacoara está prevista para ocorrer entre 14 e 24 de junho e contará com os pesquisadores Wilson Franklin Jr., Anne Gurgel, Marcelo Soares e Tommaso Giarrizzo.
Segundo Giarrizzo, a ação integra o acordo de cooperação técnica entre a UFC e o ICMBio.
“O Parque Nacional de Jericoacoara é atualmente o terceiro parque nacional mais visitado do Brasil e, por isso, é necessário acompanhar todos os estressores ambientais, incluindo espécies invasoras, que possam comprometer a integridade ecológica da unidade de conservação”, afirmou o professor do Labomar/UFC.
Além do impacto ambiental, especialistas alertam que o avanço do peixe-leão pode afetar diretamente o turismo, a pesca e a economia local.
As atividades são financiadas pelo ICMBio, pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e por recursos da pós-graduação da UFC.
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Tags: Labomar, UFC, peixe-leão, Fernando de Noronha, Jericoacoara, ICMBio, meio ambiente, biodiversidade marinha, conservação ambiental, Ceará, Universidade Federal do Ceará, espécies invasoras, oceano, pesquisa científica, turismo sustentável, ecossistema marinho, mergulho, educação ambiental, Portal Terra da Luz